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terça-feira, 25 de maio de 2010

Templo de Ratazanas


Alguns dos meus leitores podem ficar um pouco incomodados com a ideia deste templo; afinal associamos as ratazanas à peste negra e a doenças terríveis. Como sublinha Gilbert Durand, provavelmente o medo humano dos ratos deriva do facto de se movimentarem a uma enorme velocidade, o que nos faz sentir que não temos controlo sobre eles. E o que os seres humanos gostam é de controlarem, o que quer que seja... Este templo na Índia é um belo exemplo do respeito que o Dharma da cultura indiana tem pela Vida em todas as suas formas. Fica situado em Deshnoke no estado do Rajastão. O templo chama-se Karni Mata e baseia-se na seguinte história medieval (séc.XIV): Karni Mata, incarnação da deusa Durga, implorou ao deus da morte, Yama, que não levasse com ele o filho de um narrador. Como a Morte recusou, a deusa, ela própria, incarnou o próprio jovem morto como uma ratazana.

sábado, 24 de abril de 2010

O Mito de Izanagi e Izanami


Clique na imagem para a ver em boas dimensões.
Kobayashi Eikatu (c.1885)

"No início não existe nada senão um ovo disforme. Gradualmente, as partes mais brilhantes e mais claras elevam-se para formar o céu e as mais densas e opacas caem para formar a terra. Três deuses criam-se «por si próprios» e escondem-se no céu.
A terra ainda não é sólida e pedaços andam à deriva. Então surge um objecto, flutuando entre o céu e a terra, que parece ser o disparo de uma flecha. Desta, nascem dois novos deuses que também se escondem. Sete outras gerações nascem da mesma maneira e o último par é Izanagi e Izanami.
Esses dois deuses ficam de pé sobre «a ponte flutuante do céu» interrogando-se se existiria alguma coisa lá em baixo. Então, agarram num dardo de pedras preciosas e mergulham a ponta no mar para ver se existe alguma coisa. Quando puxam, na ponta tinha-se formado uma gota que, ao cair, dá origem à ilha Onokoro. Izanagi e Izanami já tinham um lugar para viver e, por isso, descem até à ilha. Espetam o dardo no solo para formar um pilar.
Decidem gerar crianças para formar mais ilhas e, para isso imaginam um ritual de casamento. Dão a volta ao pilar, em direcções opostas. Quando se encontram, Izanami diz: «Que lindo! Encontrei um bonito jovem.» Então têm relações sexuais. Eles chegam a acordo em como fazê-lo porque descobrem que o corpo de Izanami é mal formado na zona em que Izanagi é demasiado formado; então, decidem que a melhor ideia será juntar estas duas partes do corpo. Isso resulta e Izanami dá à luz.
Mas, em vez de criarem uma ilha, como eles desejavam, Izanami dá à luz uma criança deformada. Colocam-na numa canoa e deixam-na ir à deriva. (Existe um antigo ritual japonês que envolve a criação de uma figura de barro quando uma criança nasce, que é deixada à deriva numa canoa como bode expiatório.) Izanagi e Izanami vão consultar os deuses para saber o que tinham feito de errado. Os deuses, então, explicam que a culpa fora de Izanami, porque ela fora a primeira a falar quando se tinham encontrado à volta do pilar. Como explicam os deuses, a mulher não deve ser a primeira a falar. Se quisessem ter filhos saudáveis deveriam tentar outra vez, mas teria de ser Izanagi o primeiro a falar.
Os dois deuses regressam à terra e tentam novamente. Desta vez tudo corre bem e Izanami dá à luz a ilha do Japão. Então, ela e Izanagi decidem criar deuses para povoarem as ilhas. Criam numerosos deuses - o vento, as árvores, os rios e as montanhas - e a criação das ilhas fica completa. (...) A última criança que Izanami dá à luz é o deus do fogo. O seu nascimento queima os seus órgãos genitais com tanta gravidade que ela acaba por morrer. Mas, depois de morta, ela continua a criar deuses através da urina, dos excrementos e dos vómitos. Izanagi fica tão furioso que corta a cabeça ao deus do fogo; mas as gotas do seu sangue dão origem a ainda mais divindades.
Izanagi está tão desesperado com a morte de Izanami que decide viajar até Yoni, o mundo subterrâneo, para tentar trazê-la de volta à vida. Quando chega aos portões do mundo subterrâneo, depois de uma longa viagem, Izanami vem ao seu encontro. Ele mal a pode ver porque o local é muito escuro e cheio de sombras, mas diz-lhe o quanto a ama e como deseja que ela regresse com ele. Contudo, ela repreende-o por ter levado tanto tempo a chegar e diz-lhe que não está autorizada a regressar com ele porque tinha comido o alimento de Yoni.
Mas ele convence-a a discutir o assunto com os deuses do Inferno. Então, ela obriga-o a prometer que não tentará segui-la até ao mundo subterrâneo nem olhará para ela. Ele concorda mas não resiste ao pensamento de que aquela poderá ser a última vez que verá a sua amada esposa. Parte um dente do seu pente e faz uma tocha. Entra no mundo subterrâneo e vê o corpo de Izanami deitado, apodrecido e cheio de larvas. Horrorizado, corre de regresso à terra.
Izanami levanta-se e grita-lhe que ele a tinha humilhado. Envia as feiticeiras do Inferno atrás dele, com oito deuses do trovão. Izanagi alcança o fim da passagem e apanha três pêssegos de uma árvore; faz recuar os seus perseguidores atirando-lhes os pêssegos. Então, bloqueia a entrada do mundo subterrâneo com uma enorme pedra no preciso momento em que Izanami chega ao outro lado.
Falam um com o outro através da grande rocha.
Izanami diz a Izanagi que ele deve aceitar a sua morte. Ele aceita e concorda em não tentar visitá-la novamente. Então, formalmente, dão o seu casamento por terminado.
Depois disto, Izanagi sente-se tão exausto que decide lavar-se e refrescar-se num ribeiro. Vários deuses e deusas nascem das suas roupas quando ele se despe, do seu cajado quando o ele o pousa no chão e do seu corpo enquanto ele se banha. Finalmente, do seu olho esquerdo nasce a deusa Amaterasu, do olho direito o deus da Lua, Tsukiyomi, e do seu nariz o deus da tempestade Susanoo.
Izanagi decide dividir o mundo em três. Indigita Amatesaru para governar o céu, Tsuki Yomi para governar a noite e Susanoo para governar os mares. Amaterasu e Tsuki-Yomi concordam mas Susanoo queixa se dizendo que preferia ir para terra da sua falecida mãe. Izanagi, furioso, elimina Susanoo. Então, retira se do mundo e vai viver para o alto céu. [...]
Quando Izanagi afasta Susanoo, este anuncia que quer ir para o céu e despede-se da irmã Amaterasu antes de partir. Ela suspeita das intenções dele e, antes de ir ao seu encontro arma-se com um arco e flechas.
Susanoo diz-lhe que ela não tem nada que recear e sugere que ele lhe dê uma prova da sua boa-fé. Ele propõe que ambos criem crianças e que ele produzirá crianças masculinas para provar a sua sinceridade. Amaterasu concorda e pede a espada ao irmão. Ele dá-lha, ela parte-a em três pedaços e mastiga cada pedaço, e o seu sopro dá origem a três deusas.
Então, Susanoo pede a Amaterasu cinco contas do seu colar . Ele mastiga-as e o seu sopro transforma-se em cinco deuses. Amaterasu reclama que aqueles deuses eram seus filhos porque tinham sido criados a partir das contas do seu colar. Mas Susanoo não está de acordo e afirma ter obtido uma grande vitória. Então, celebra, começando a partir os muros dos campos de arroz, bloqueando os canais de irrigação e defecando no templo onde o festival dos primeiros frutos, ou o festival das colheitas, devia ter lugar em breve.
Uma das obrigações de Amaterasu é tecer as roupas dos deuses. Um dia, está sentada no quarto de fiar com outras mulheres quando Susanoo lança um cavalo esventrado através do telhado. É tão assustador que uma das mulheres se pica com uma agulha e morre. Amaterasu fica tão assustada que se esconde numa gruta, bloqueando a entrada com uma enorme rocha. Sem a deusa do Sol, o mundo mergulha na escuridão.
Surge o caos, os campos de arroz jazem sem culturas, os deuses perversos comportam-se pior do que nunca. Reúne-se uma assembleia de oitocentos deuses miríades para discutir a maneira de persuadirem Amaterasu a sair da gruta e elaboram um plano.
Começam por colocar um espelho mágico no lado de fora da gruta. Em seguida, juntam galos para cantarem no lado de fora da gruta. Depois convencem a deusa do amanhecer, Amo no-Uzume, a dançar sobre um barril, batendo com os pés. Quando se entusiasma, ela começa a tirar as roupas e os deuses começam a rir ruidosamente.
Tal como os deuses pretendiam, Amaterasu sai da gruta para perguntar o que estava a acontecer. Eles respondem que estão a celebrar porque tinham encontrado uma deusa melhor do que ela. Quando sai da gruta, ela vê o seu reflexo no espelho mágico. Então, os deuses aproveitam para bloquear a entrada da gruta atrás dela, conseguindo ter o Sol de volta.
Os oitocentos deuses miríades castigam Susanoo, cortando-lhe a barba e o bigode, arrancando lhe as unhas dos pés e das mãos e expulsando-o do céu."

Roni Jay, Mitologia, tr.port., Lisboa: Europa América, 2000, 140-144

domingo, 20 de julho de 2008

Loreley


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Loreley - ou Lorelei/Lore-Ley - é simultaneamente uma ninfa e um rochedo. Esta ninfa senta-se num rochedo junto ao rio Reno, no local onde os Nibelungos guardaram o seu tesouro sob a protecção dos elfos. Ela atrai fatidicamente os marinheiros de encontro à falésia. O termo "Loreley" significa literalmente um "rochedo murmurante", tendo esta zona sido consagrada pela poesia e música alemãs.




Poema

Ich weiß nicht, was soll es bedeuten,
Daß ich so traurig bin;
Ein Märchen aus alten Zeiten,
Das kommt mir nicht aus dem Sinn.

Die Luft ist kühl, und es dunkelt,
Un ruhig fließt der Rhein;
Der Gipfel des Berges funkelt
In Abendsonnenschein.

Die schönste Jungfrau sitzet
Dort oben wunderbar,
Ihr goldenes Geschmeide blitzet,
Sie kämmt ihr goldenes Haar.

Sie kämmt es mit goldenem Kamme
Und singt ein Leid dabei;
Das hat eine wundersame,
Gewaltige Melodei.

Den Schiffer im kleinen Schiffe
Ergreift es mit wildem Weh;
Er schaut nicht die Felsenriffe,
Er schaut nur hinauf in die Höh'.

Ich glaube, die Wellen verschlingen
Am Ende Schiffer uns Kahn;
Und das hat mit ihrem Singen
Die Lorelei getan.

Heinrich Heine

Tradução

Não sei como explicar
Estar tão triste;
Uma lenda de tempos antigos
Não me sai da cabeça.

O ar está frio e já escurece,
E calmo flui o Reno;
O pico da montanha brilha
Ao entardecer.

Uma virgem senta-se
Lá em cima, maravilhosa;
As suas jóias de ouro cintilam,
enquanto ela penteia os seus cabelos dourados.

Ela penteia-os com o seu pente dourado
E canta uma canção;
Era uma melodia maravilhosa,
Plena de força.

O marinheiro num pequeno barco
Escuta-a com uma angústia selvagem;
Ele não vê os rochedos,
Ele olha apenas para cima.

Creio que as ondas engoliram
o marinheiro e a sua embarcação;
E com esta canção
Assim fez o Loreley.

Henrich Heine

sábado, 14 de julho de 2007

Mito Maia/2



"Este é o relato de como tudo estava suspenso, calmo e em silêncio; tudo imóvel, parado e toda a extensão do céu estava vazia.
Este é o primeiro relato, a primeira narrativa. Não havia homens, animais, aves, peixes, caranguejos, árvores, pedras, grutas, ravinas, ervas nem florestas. A superfície da terra ainda não tinha aparecido. Havia apenas o mar calmo e a grande extensão do céu. Nada estava unido, nada fazia ruído, nada se movia ou tremia ou podia fazer barulho no céu. Nada estava de pé. Apenas as águas calmas, o mar plácido, sozinho e tranquilo. Nada existia. Havia apenas imobilidade e silêncio na escuridão, na noite. Apenas o Criador, juntamente com os Antepassados, estava na água rodeada de luz. Estavam escondidos sob plumas verdes e azuis, sendo, por isso, chamados de Gucumatz. Eram, por natureza, grandes sábios e grandes pensadores. O céu existia desta maneira e também o Coração do Céu, que é o nome de Deus, sendo assim que é chamado. Depois, surgiu o Verbo."

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Apocalypto


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O último filme de Mel Gibson, Apocalypto é um bom filme, com excelentes momentos de realização cinematográfica. Mel Gibson ainda não se libertou de um imaginário de uma violência extrema - bem visível no filme sobre a Paixão de Cristo -, mas talvez através desta cartarse pessoal fílmica consiga, algum dia, libertar-se desta complacência estética no sangue e na dor. Ora os Maias, apesar dos seus rituais de uma violência indescritível (nalguns casos bem piores do que aqueles que surgem no filme), construíram uma grande civilização que atingiu o seu auge no século IX na zona compreendida entre o Sul do México e a Gautemala. Apesar da qualidade do filme, as vertentes científicas e artísticas da civilização Maia são desprezadas, assim como o seu prodigioso sistema mitológico. Mas há - reconheça-se - um belo momento no filme em que é narrado um mito, aqui reproduzido na sua versão inglesa:

"And a Man sat alone, drenched deep in sadness. And all the animals drew near to him and said, "We do not like to see you so sad. Ask us for whatever you wish and you shall have it." The Man said, "I want to have good sight." The vulture replied, "You shall have mine." The Man said, "I want to be strong." The jaguar said, "You shall be strong like me." Then the Man said, "I long to know the secrets of the earth." The serpent replied, "I will show them to you." And so it went with all the animals. And when the Man had all the gifts that they could give, he left. Then the owl said to the other animals, "Now the Man knows much, he'll be able to do many things. Suddenly I am afraid." The deer said, "The Man has all that he needs. Now his sadness will stop." But the owl replied, "No. I saw a hole in the Man, deep like a hunger he will never fill. It is what makes him sad and what makes him want. He will go on taking and taking, until one day the World will say, 'I am no more and I have nothing left to give.'"

É um mito extraordinário; vou tentar confirmar a sua origem Maia ou ameríndia. Brevemente voltarei aos Maias e aos seus mitos maravilhosos.


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domingo, 10 de dezembro de 2006

Mito hindu sobre o último homem


Há muito tempo atrás todo o mundo tinha perecido num grande dilúvio. O mundo tinha-se tornado num mar pantanoso, cinzento, sem vida. O último homem, de nome Markandeya, totalmente exausto percorria atónito, sem compreender a razão de ser de tanta devastação. Não encontrava sinais de vida e desesperou. Subitamente, sem saber porquê, virou-se e viu no meio das águas uma árvore, na qual se encontrava um bebé com ar feliz e sorridente. A criança subitamente disse-lhe: "Estás muito cansado. Precisas de repousar. Entra no meu corpo." O bebé abriu a boca e um súbito vento arrastou Markandeya para o interior do corpo daquela criança. Aí ele viu um mundo com as suas montanhas e rios, com as pessoas e animais fazendo a sua vida normal. Markandeya viu os oceanos, a terra, o céu infinito. E, assim, Markandeya caminhou durante quase cem anos no interior do corpo daquela criança. Mas, de repente, um vento poderoso arrastou-o e ele foi cuspido da boca da criança para as águas pantanosas. A criança sorriu e disse-lhe: "espero que tenhas tido um bom descanso."

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Savitri


A história de Savitri é um dos mitos mais belos do Mahabharata. Este mito, celebrado hoje em toda a Índia, narra-nos a história de Savitri que, através do seu amor, consegue vencer a morte.

terça-feira, 9 de agosto de 2005

O Mito de Perseu (9)


A última das pinturas de Burne-Jones sobre o mito de Perseu. Nela é representado o momento em que o herói mata a Medusa. Este ciclo de pinturas pode ser contemplado "ao vivo" na Staatsgalerie de Estugarda (Stuttgart) na Alemanha.

domingo, 7 de agosto de 2005

O Mito de Perseu (8)


Nesta pintura de Klimt encontramos Dánae no momento em que Zeus, metamorfoseado numa chuva de ouro, a fecunda. O filho desta relação chamar-se-á Perseu. Mãe e filho serão abandonados no mar, recolhidos numa ilha. A continuação desta história é naturalmente o "mito de Perseu".

O Mito de Perseu (7)


Burne-Jones e o primeiro quadro do ciclo de Perseu, ciclo esse baseado em poemas de William Morris. Nesta pintura, Pallas Atenas aproxima-se de Perseu e revela-se como deusa através da sua armadura. Não só lhe ensina o caminho para matar a Medusa, como lhe empresta o seu escudo através do qual o jovem Perseu poderá ver o monstro sem o olhar directamente nos olhos mortais. Medusa («rainha») tinha sido uma bela jovem que se deixou seduzir (alguns dirão, violentar) por Posídon no templo da deusa Palas Atena. Esta última, furiosa, em vez de castigar o deus dos mares, pune, antes, a jovem, transformando-a num ser temível.

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

O Mito de Perseu (6)


Burne-Jones e uma nova versão da pintura em que retrata as ofertas das ninfas do norte a Perseu (elmo da invisibilidade, sapatos alados e alforge mágico). Parece-me evidente que este mito aborda a questão do tempo, representado pela diferença entre as ninfas e as greias. Se assim for, Medusa e suas irmãs simbolizam a morte.

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

O Mito de Perseu (5)


Andrómeda e Perseu contemplam num reflexo a imagem de Medusa. Mesmo a sua cabeça cortada continuava a paralisar quem a olhasse.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

O Mito de Perseu (3)


Perseu confronta-se com as Greias ainda antes de receber as armas das ninfas do norte. As Greias são três irmãs que apenas possuem um olho e um dente; rotativamente, cada uma delas fica de guarda com o olho enquanto as outras duas dormem. Deduzo que para comerem utilizam o mesmo estratagema, agora com o dente. Elas são irmãs das temíveis três górgonas, entre as quais sobressai a Medusa. Três greias, três ninfas e três górgonas. Não me recordo de nenhum estudo de Dumézil sobre a questão, mas certamente deveria adorar este mito trifuncional. Quadro de Burne Jones, datado de 1892.

domingo, 31 de julho de 2005

O Mito de Perseu (2)


Pintura de Burne Jones (1988) - Perseu salva Andrómeda do monstro marinho

sábado, 30 de julho de 2005

O Mito de Perseu


Burne Jones e as armas contra a Medusa. Das ninfas do norte, Perseu recebeu um elmo da invisibilidade, umas sandálias aladas e um alforge.

sábado, 27 de novembro de 2004


Só hoje me dei conta que William Morris não só traduziu as sagas nórdicas (aqui se vê Sigurd, o proto-Siegfried matando o dragão do Anel), mas, também, "traduziu" a sua arte Posted by Hello

domingo, 21 de novembro de 2004

Alma Mater de Filoctetes

"Vou para casa pensando noutro lugar, onde os Verões são aparentemente intermináveis."
Raj Quartet
Filoctetes era um dos pretendentes da bela Helena e, como tal, partiu na expedição para Tróia. Durante a viagem, foi mordido por uma serpente, tendo a ferida infectado o que provocou um cheiro nauseabundo. Os seus gritos lancinantes tornaram-se igualmente insuportáveis. Ulisses, eternamente habilidoso, decidiu abandoná-lo sozinho na ilha de Lemnos, uma terra deserta. Mas, Filoctetes tinha consigo as flechas de Héracles e os gregos precisavam delas para conquistar Tróia. Ulisses retornou à ilha e, uma vez, graças à sua habilidade, obteve maliciosamente as armas do herói. Reza o mito trágico de Sófocles que Filoctetes, acabrunhado, acompanhou Ulisses na viagem a Tróia. A meu ver, este final é apenas uma fantasia para esconder o facto desta história só poder ter um único final, o final de todas as histórias: Filoctetes, uma vez mais abandonado, mas agora despojado das suas armas prodigiosas.

quinta-feira, 18 de novembro de 2004

Segunda nota sobre o quadro de Gauguin

Continuando a recuar no tempo, talvez fosse bom relembrar o velho mito sumério em que Innana (Ishtar), a deusa do amor, se desloca aos confins sombrios da sua irmã, Ereshkigal, a deusa da morte. Poder-se-á ver aqui, se se quiser, um diálogo entre a origem e o fim, mas o que angustiava naturalmente Gauguin era a presença do fim no momento em que tudo deveria começar.

Nota sobre o quadro de Gauguin

Ainda sobre o tema da morte da jovem, provavelmente uma das referências mais antigas da nossa cultura ocidental encontra-se num dos Hinos Homéricos. Refiro-me ao Hino a Deméter (VII a.C.), no qual se narra o rapto da jovem (Perséfone) por Hades (o deus da Morte) quando colhia flores.