quinta-feira, 13 de abril de 2006

Alentejo 2006


O Alentejo está agora lindo, verdejante e cheio de flores. O pólen das árvores cobre como um manto as águas dos rios e dos lagos. Fiquei, no entanto, com a impressão que a seca ainda continua, dado que os níveis de água ainda estão muito baixos. Aqui em Lisboa (onde vou passar a Páscoa), com tanta chuva neste último Inverno, temos a impressão errada de que o problema já passou...

domingo, 9 de abril de 2006

Alentejo


E agora aí vou eu, como um "walking man", para o Alentejo.
Espero encontrá-lo mais verdejante do que no ano passado.

Walking Man/1


Uma das múltiplas variações do Walking Man de Borofsky. Neste caso, encontra-se em Verden, na Alemanha.

sábado, 8 de abril de 2006

Molecule Man


Esta escultura de Jonathan Borofsky encontra-se em Berlim (rio Spree)

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Homem martelando


Quem não conhece esta célebre escultura,Hammering Man, sempre em movimento (com a excepção do 1 de Maio e das habituais horas de descanso diárias... não sei se tem direito a fins-de-semana), do grande artista norte-americano Jonathan Borofsky? O que a maioria da pessoas não sabe - pelo menos, eu não sabia - é que existem variações desta mesma obra, todas elas criadas por Borofsky, nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. A que consta na imagem, fica em Dallas (Texas).

sábado, 1 de abril de 2006

segunda-feira, 27 de março de 2006

Colóquio sobre Lévinas


Nos próximos dias 30 e 31 de Março (quinta e sexta-feira) realiza-se no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, um Colóquio internacional sobre o pensamento de Lévinas. Este colóquio visa celebrar o centenário do nascimento de Emmanuel Lévinas, filósofo judeu, de origem lituana, sem dúvida uma das vozes mais marcantes do pensamento contemporâneo. Lévinas permite-nos pensar não só como Auschwitz foi possível, mas também reflectir sobre o sentido da ética após o colapso de um conjunto de categorias centrais do pensamento ocidental

domingo, 26 de março de 2006

Marketa Uhlirova


Fotografia de Marketa Uhlirova a lembrar as fantásticas fotografias de Edward Weston.

sexta-feira, 24 de março de 2006

A Festa de Belshassar/2


Instalação de Susan Hiller sobre a história de Belshassar. Nesta obra, de uma ironia mordaz, ouvem-se contínuas notícias sobre uma hipotética invasão de alienígenas, desmentidas e confirmadas pelo simples facto de serem desmentidas. Sinais deliciosos deste nosso "admirável mundo novo. A artista cita a propósito desta obra, as seguintes palavras de Lucy Lipard: " ... Like the flames...the singing sounds are both beautiful and scary, nourishing (lullabies) and fearful (spells or dirges)... As the video's sounds evoke emotions, and the dancing ideograms of the flames evoke images, viewers are forced to make their own pictures, create their own fantasies or content, since the subject matter remains 'out of sight'. Neither the Rembrandt painting nor the news headlines, and certainly not the faces of the aliens and the dreadful messages they convey are ever seen... The layers of Belshazzar's Feast peel away from form (handsomely seductive, titillating disjunctive) to subject matter (home, holocaust, the media) and finally to content - what emerges and recedes from the 'faults' in the other two..." Out of Bounds, 1986.

segunda-feira, 20 de março de 2006

A Festa de Belshassar/1


Neste ano dedicado a Rembrandt, relembro a pintura "A Festa de Belshassar". Belshassar (ou Belshazzar ou Baltasar) é um príncipe ou rei da Babilónia (o "último rei da Babilónia") cuja história é-nos descrita no livro quinto de Daniel. Quando celebrava uma festa, utilizando as taças roubadas do templo de Jerusalém, surgiu uma misteriosa mão que escreveu em aramaico: "Mené, Teqél, Parsin". Ninguem sabia identificar aqueles sinais misteriosos e o profeta Daniel foi convocado. Eram palavras de pesos e medidas que, segundo o profeta, simbolizavam a divisão da Babilónia pelos Medos e pelos Persas. E assim aconteceu...

domingo, 19 de março de 2006

Civilização do Vale do Indo


A Civilização do Vale do Indo foi umas mais importantes civilizações da humanidade (2500 a 1800 aC). Como o nome indica, desenvolveu-se nas margens do rio Indo, numa região situada tanto na actual Índia como no Paquistão. Em zonas como Mohenjo-Daro, Harappa e Dholavira é possível encontrar vestígios de uma civilização gloriosa, coetânea do Egipto Antigo, da Mesopotâmia e de Creta. Ainda antes da chegada dos arianos à Índia, esta civilização entrou misteriosamente em crise. Apesar de ter uma linguagem escrita, esta última ainda não foi decifrada. Mas através desta e de outras imagens é possível especular sobre os seus hábitos e costumes: o ioga já era certamente praticado, o que torna este exercício de meditação numa das formas mais ancestrais e sábias de relacionamento com os deuses, com o mundo e connosco.

sábado, 18 de março de 2006

Catherine Chalier em Portugal


Vai estar em Portugal uma das mais prestigiadas filósofas francesas, Catherine Chalier, de confissão judaica. A conferência intitula-se Le tragique et l'espérance e contará igualmente com a presença do Reitor da Universidade de Lisboa, José Barata-Moura. Esta iniciativa inscreve-se no âmbito do Colóquio Lévinas entre nós que se realizará na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (30 e 31 de Março). Para mais pormenores, cf. o site do Colóquio. Sobre a obra de Catherine Chalier, cf. este site.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Cool


Sempre me intrigou a presença de gatos rondando as bordas das piscinas, dado o medo ancestral que eles parecem ter da água. Agora, já sei a resposta... é tudo um disfarce, quando todos saímos, aí vão eles!

quarta-feira, 15 de março de 2006

Holi


Hoje é dia de Holi, o festival das cores, na Índia. Celebra-se no dia da última Lua cheia do nosso mês de Março.

O Templo de Kedar Nath


A Índia em todo o seu esplendor. O Templo de Kedar Nath, situado atrás dos Himalaias e dedicado ao deus Shiva, foi fundado pelo filósofo Shankara, o pensador indiano mais conhecido no Ocidente.

segunda-feira, 13 de março de 2006

Klimt: a macieira


Gustav Klimt, Apfelbaum (1912)

domingo, 12 de março de 2006

sábado, 11 de março de 2006

Klimt: Emilie Floge


Clique na imagem e tente vê-la a 100%

E então fomos para o navio... e assim:

CANTO I.
"And then went down to the ship,
Set keel to breakers, forth on the godly sea, and
We set up mast and sail on that swart ship,
Bore sheep aboard her, and our bodies also
Heavy with weeping, and winds from sternward
Bore us onward with bellying canvas,
Crice's this craft, the trim-coifed goddess.
Then sat we amidships, wind jamming the tiller,
Thus with stretched sail, we went over sea till day's end.
Sun to his slumber, shadows o'er all the ocean,
Came we then to the bounds of deepest water,
To the Kimmerian lands, and peopled cities
Covered with close-webbed mist, unpierced ever
With glitter of sun-rays
Nor with stars stretched, nor looking back from heaven
Swartest night stretched over wreteched men there.
The ocean flowing backward, came we then to the place
Aforesaid by Circe.
Here did they rites, Perimedes and Eurylochus,
And drawing sword from my hip
I dug the ell-square pitkin;
Poured we libations unto each the dead,
First mead and then sweet wine, water mixed with white flour
Then prayed I many a prayer to the sickly death's-heads;
As set in Ithaca, sterile bulls of the best
For sacrifice, heaping the pyre with goods,
A sheep to Tiresias only, black and a bell-sheep.
Dark blood flowed in the fosse,
Souls out of Erebus, cadaverous dead, of brides
Of youths and of the old who had borne much;
Souls stained with recent tears, girls tender,
Men many, mauled with bronze lance heads,
Battle spoil, bearing yet dreory arms,
These many crowded about me; with shouting,
Pallor upon me, cried to my men for more beasts;
Slaughtered the herds, sheep slain of bronze;
Poured ointment, cried to the gods,
To Pluto the strong, and praised Proserpine;
Unsheathed the narrow sword,
I sat to keep off the impetuous impotent dead,
Till I should hear Tiresias.
But first Elpenor came, our friend Elpenor,
Unburied, cast on the wide earth,
Limbs that we left in the house of Circe,
Unwept, unwrapped in the sepulchre, since toils urged other.
Pitiful spirit. And I cried in hurried speech:
"Elpenor, how art thou come to this dark coast?
"Cam'st thou afoot, outstripping seamen?"
And he in heavy speech:
"Ill fate and abundant wine. I slept in Crice's ingle.
"Going down the long ladder unguarded,
"I fell against the buttress,
"Shattered the nape-nerve, the soul sought Avernus.
"But thou, O King, I bid remember me, unwept, unburied,
"Heap up mine arms, be tomb by sea-bord, and inscribed:
"A man of no fortune, and with a name to come.
"And set my oar up, that I swung mid fellows."

And Anticlea came, whom I beat off, and then Tiresias Theban,
Holding his golden wand, knew me, and spoke first:
"A second time? why? man of ill star,
"Facing the sunless dead and this joyless region?
"Stand from the fosse, leave me my bloody bever
"For soothsay."
And I stepped back,
And he strong with the blood, said then: "Odysseus
"Shalt return through spiteful Neptune, over dark seas,
"Lose all companions." Then Anticlea came.
Lie quiet Divus. I mean, that is Andreas Divus,
In officina Wecheli, 1538, out of Homer.
And he sailed, by Sirens and thence outwards and away
And unto Crice.
Venerandam,
In the Cretan's phrase, with the golden crown, Aphrodite,
Cypri munimenta sortita est, mirthful, oricalchi, with golden
Girdle and breat bands, thou with dark eyelids
Bearing the golden bough of Argicidia. So that:"
Ezra Pound

sexta-feira, 10 de março de 2006

Golfe 2006



Hoje, às 10h da manhã, iniciei em Coimbra a minha época de Golfe deste ano. As minhas duas primeiras tacadas foram "excelentes": directamente para a água... A terceira ultrapassou todas as expectativas. Consegui a proeza de atingir directamente, numa só tacada, o segundo green!!! Acho que isto não foi um "birdie" ou um "eagle"...foi o Bhixma a jogar! Com esta técnica, um dia destes chego ao fim do jogo logo no começo. Mas foi agradável... A Primavera vem aí, assim como o meu hipotético homor.

segunda-feira, 6 de março de 2006

O Templo de Viena


O templo da art nouveau (Sezessionstil) vienense, criada por um discípulo de Otto Wagner, Olbrich, em 1897.

domingo, 5 de março de 2006

sábado, 4 de março de 2006

Afrodite So That:


Escultura do húngaro Beck Ö, datada de 1914. Misto de Art Nouveau e classicismo, esta escultura permite-nos invocar o hino homérico a Afrodite e as linhas finais do primeiro Canto de Pound:

"Muse, tell me the things done by golden Aphrodite,
the one from Cyprus, who arouses sweet desire for gods
and who subdues the races of mortal humans,
and birds as well, who fly in the sky, as well as all beasts
—all those that grow on both dry land and the sea.
They all know the things done by the one with the beautiful garlands, the one from Kythera" (Hino Homérico a Afrodite, 1-6, trad. inglesa de Gregory Nagy)

"Aphrodite,...with golden
Girdles and breast bands, thou dark eyelids
Bearing the golden bough of Argicida. So that:"
(Ezra Pound, Cantos, I)

"Afrodte.... com dourados
Cintos e faixas nos seios, tu, com pálpebras negras
Trazendo a rama de ouro do Argicida. E assim:"
(Ezra Pound, Cantos, I)

Nota: Hermes, o deus do mundo dos mortos, é habitualmente apresentado nos textos clássicos, como "o que mata Argus", o Argicida

sexta-feira, 3 de março de 2006

Amor em Ezra Pound



"What thou lovest well remains,
the rest is dross
What thou lov'st well shall not be reft from thee
What thou lov'st well is thy true heritage
Whose world, or mine or theirs
or is it of none?
First came the seen, then thus the palpable
Elysium, though it were in the halls of hell,
What though lovest well is thy true heritage
What though lov'st well shall not be reft from thee"
(Ezra Pound, Cantos, LXXXI)

"Aquilo que amas bem permanece,
o resto é desperdício
O que amas bem não será arrebatado de ti
O que amas bem é a tua verdadeira herança
De quem é o mundo, meu ou deles
ou de nenhum?
Primeiro veio o visível, depois o palpável
Elísio, mesmo que seja nos salões do inferno,
O que amas bem é a tua verdadeira herança
O que amas bem não será arrebatado de ti"
(Ezra Pound, Cantos, LXXXI)

quinta-feira, 2 de março de 2006

Usura


Escute o célebre canto dos "Cantos", o canto XLV, "Usura", lido pelo próprio Ezra Pound. Aqui.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Será que Buda nasceu em Orissa?


Estátua de Buda em Orissa
Será que aquele que designamos como o Buda nasceu em Orissa, na Índia, e não no actual Nepal? Embora seja difícil chegar a uma conclusão definitiva, existem bons argumentos favoráveis à hipótese de Orissa. Elas baseiam-se no facto do imperador indiano budista, Ashoka, ter gravado inscrições que apontam nesse sentido. Por sua vez, são conhecidos éditos reais que dispensavam as populações de Orissa de pagar impostos, forma provável de reverenciar o local de nascimento de Siddhata Gotama. Existiu igualmente uma antiga aldeia em Orissa com um nome muito semelhante a Lumbini. Mas é evidente que as "cartas arqueológicas" ainda não estão todas jogadas!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

O Pagode Branco


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O templo de Jagannath, situado no estado indiano de Orissa, era conhecido pelos marinheiros portugueses como o pagode branco. Fica situado na bela praia de Puri, muito perto do Templo do Sol (em Konark) anteriormente referido. O Templo do Sol era conhecido pelo Pagode preto. Estes dois "pagodes" funcionavam como pontos de referência da navegação. Por mil e uma razões, é triste a designação "pagode", importada da China, para referir esses templos. Mas a transformação de um Pagode chinês ou de um Templo indiano num "pagode" era, afinal, inevitável, dado o confronto entre civilizações e religiões. No entanto, como sublinha, Lévi-Strauss, esses tempos devem ter sido prodigiosos, dignos de ser vividos, pois era como se todo o mundo se revelasse finalmente perante olhos incrédulos.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

A Noite de Shiva/Xiva



Hoje, dia 26 de Fevereiro, celebra-se na Índia, o deus Shiva (ou Xiva).
Esta celebração é conhecida como Shiv-ratri (a noite de Shiva).

Jaipur por Sarojini Sahu


Palácio dos Ventos em Jaipur. E um poema da escritora indiana, Sarojini Sahu:

"You strike the earth
And it answers
With a metallic ring
You strike it again,
It pours for its sorrows
And asks for a drop of water.

Jaipur awaits
With the thirst
of a blotting paper.
It asks the eyes
Spreading away in pink cars:
Please, may I have
A drop of rain water?

It seems that water sings,
Talks in whispers,
overflows in affection.
How does water
Feel to the touch?

"Jaipur"

sábado, 25 de fevereiro de 2006

Templo do Sol


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Templo dedicado ao deus Surya (Sol) no estado de Orissa na Índia. Património da Humanidade!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Elohim criando Adão


Elohim criando Adão é uma das obras mais notáveis de William Blake. Elohim é a designação solene e tradicional para Deus que encontramos na Tora escrita (o Pentateuco da Bíblia). Provavelmente tem a sua raiz na palavra El, o termo comum para "Deus" nos povos semitas. Na primeira versão da criação da Bíblia, Deus surge como "Elohim" e o ser humano é a sua última criação; na segunda versão da criação, Deus é designado por YHVH, geralmente soletrado por Yahweh/Javé. Nesta segunda versão (provavelmente a mais antiga), o homem (e não o ser humano) é a primeira criação divina de um ser vivo. A designação "El" está presente em muitos nomes hebraicos como é o caso, por exemplo, de IsraEL. Como podem ver pela imagem, Blake sintetizou as duas versões.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Patíbulo


William Blake não foi apenas um visionário no domínio da poesia e das artes plásticas. Era também um crítico severo da escravatura e um defensor da igualdade fundamental entre todos os seres humanos. Nesta imagem, retrata o suplício e a tortura de um escravo.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

As Duas Culturas


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Esta pintura de William Blake sobre Newton retrata bem o que foi o Romantismo. Esquecemo-nos que o movimento romântico irrompeu em plena revolução industrial. O princípio do século XIX foi a época das máquinas a vapor e dos primeiros comboios. A exaltação da sensibilidade pelos românticos não foi mais do que a outra face da destruição da mesma. E assim vemos, neste quadro, o "homem newtoniano" de costas voltadas à natureza exuberante procurando traçar as medidas do mundo. As "Duas Culturas" de Charles Snow irromperam aqui e, ainda hoje, mal se entendem.

What is it like to be a Bat?

"What is it like to be a Bat?" é o título de um dos ensaios de filosofia mais importantes do pensamento contemporâneo. Longe de ser um estudo de zoologia, questiona-se, afinal, sobre os limites do nosso conhecimento de outrem. Poderíamos reescrever o título sob a forma de "What is it like to be You?" Em face de outrem, cada um de nós calcula, faz analogias, descreve, mas pouco mais consegue apreender da experiência de se ser outro... Mas não é sobre filosofia que me gostaria de concentrar agora. Queria, antes, assinalar a invenção espantosa do neo-zelandês Dr. Leslie Kay. Através do estudo do sistema de sonares, ele inventou um dispositivo que dá uma nova esperança aos invisuais. Através de um aparelho que emite ultra-sons é possível a um cego localizar obstáculos através do eco produzido. E assim é possível a uma pessoa invisual andar de bicicleta ou jogar baseball. Não se trata de um projecto, é já uma realidade. O aparelho foi inventado em 93 e conferiu, em 1998, ao seu inventor, o Global Innovation in Communication Award. Se estiver céptico, veja estes vídeos.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

A Morte de Abel por William Blake


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Faz parte do nosso credo que não existem mitologias pessoais, nem linguagens privadas (a única experiência privada é apenas a da nossa mente). Os mitos são narrativas tradicionais e, como tal, só têm sentido no âmbito de uma ou mais culturas. E, no entanto, William Blake construiu a sua própria mitologia, tendo como pontos de referência os mitos narrados na Bíblia e a cultura britânica. Assim, ao lado de figuras como Abel e Caim da Bíblia, surgem personagens como os Zoas (de "seres vivos") e o Orc (bem longe da imagem terrível do Senhor dos Anéis). Por sua vez, se William Blake nos oferece a primeira mitologia literária britânica, fundada no grande Albion, por que razão Tolkien está convicto de que está a sua obra literária é a primeira versão imaginária da mitologia britânica?

David Irving


David Irving é um dos principais representantes da historiografia "revisionista" sobre a segunda guerra mundial. Foi agora condenado pela justiça austríaca a três anos de cadeia por negar a Shoah, isto é, o Holocausto nazi. Diga-se que Irving, nos seus livros, tem sobretudo tentado inocentar Hitler da "solução final", procurando encontrar um bode expiatório para o que aconteceu. Desde Himmler até Goebbels, candidatos não lhe têm faltado. É evidente que, para este historiador inglês, Hitler, apesar de anti-semita radical, desconhecia o que se passava nos campos de concentração e de extermínio. A tese é, no mínimo, exótica, sobretudo depois das declarações de Eichmann, o responsável político e técnico da perseguição aos judeus. Parece-me, no entanto, que a decisão de condenar Irving fere o princípio de liberdade de expressão e é, em termos políticos, estúpida.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Urizen


Urizen é, para William Blake, um dos quatro resultados (zoas) da divisão do homem primordial, Albion. Representa o princípio da razão e da lei. Embora não seja na "mitologia" de Blake uma figura simpática, esta imagem é frequentemente utilizada para "representar" Deus. Talvez fosse mais apropriada para traduzir o Demiurgo da Gnose antiga, isto é, o pincípio criador do mundo material. Na raiz do nome "Urizen" está provavelmente a expressão "Your reason" ou, então, o termo grego "orizô" (limitar, dividir).

sábado, 18 de fevereiro de 2006

O Canto do Cisne


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Andamos, agora, todos em estado de semi-pânico com as rotas migratórias dos cisnes que cobrem grande parte do centro da Europa. A beleza e a morte de mãos dadas. Mesmo com todas as pandemias à vista, é vital não perder o nosso encanto pelas aves do céu. É vital que a morte não domine a nossa sensibilidade e não cegue o nosso olhar. Afinal, a morte, como a beleza, estarão sempre presentes junto a nós. Como disse Buda, “nem no céu, nem nas profundezas do oceano, nem numa caverna da montanha, nem em qualquer outro lugar, o homem pode libertar-se do poder da morte.” (Buda, Dhammapada). Sem perdermos a prudência, saibamos, apesar do poder da morte, cultivar a beleza nas nossas vidas.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Morreu Peter Strawson


Morreu no dia 13 de Fevereiro, o filósofo inglês Peter Strawson. Associo-o, sobretudo, a duas ideias revolucionárias: a primeira, de que é possível uma expressão ter significado sem ser necessariamente verdadeira ou falsa; a segunda, de que as pessoas são particulares-base irredutíveis no âmbito de uma descrição metafísica do mundo.

Tolerância

Numa época em que alguns grupos minoritários islâmicos manifestam uma intolerância *intolerável*, mais do que propor jogos de futebol euro-árabes (com os iranianos, paquistaneses e indonésios a assistir...:-) importa sublinhar a natureza essencialmente tolerante do Islão. E, para esse efeito, nada melhor do que citar um dos seus grandes mestres, o poeta Movlana (1207-1273), mais conhecido no Ocidente por Rumi:

“Eu não sou nem cristão nem judeu, nem parse nem muçulmano.
Eu não sou nem do Oriente nem do Ocidente, nem da terra nem do mar.
Eu não sou nem da natureza nem dos céus envolventes;
Eu não sou nem da terra nem da água, nem do ar nem do fogo;
Eu não sou nem do empíreo nem da poeira, nem da existência nem da entidade.
Eu não sou da Índia nem da China, nem dos Búlgaros nem de Saqsin
Eu não sou nem do reino do Iraque, nem da terra de Khurasan .
Eu não sou nem deste mundo nem do outro, nem do Paraíso nem do Inferno.
Eu não sou nem de Adão nem de Eva, nem do Éden nem de Rizwan.
O meu lugar é a ausência de lugar, o meu rasto é a ausência de rasto.
Eu não sou nem corpo nem alma, porque pertenço à alma do Bem-Amado.
Eu libertei me da dualidade, eu vi que os dois mundos são um só;
Eu busco o Uno, conheço o Uno, vejo o Uno, chamo o Uno.
Ele é o primeiro, Ele é o último, Ele é o exterior, Ele é o interior.
Eu não conheço ninguém a não ser Ele.
Eu estou intoxicado pela taça do amor; os dois mundos
passaram fora da minha vista.
Nada mais tenho a fazer, se não festejar e alegrar me.
Se passei na minha vida um só instante sem ti,
Toda a vida me arrependo desse tempo e dessa hora.
Se mereço passar neste mundo um só instante contigo,
Eu calcarei com os pés esses dois mundos, dançarei triunfalmente para sempre.”
Livro de poemas de Shams de Tabriz

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

A Susana e os Velhos


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Quem não conhece a história do banho da Susana, observada por velhos lascivos? Bem, aqui têm um belo quadro de Albrecht Altdorfer sobre este tema. E onde estão os velhos lúbricos? Se quiserem uma pista, não estão a ver os pés...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006


Embora Hugo Pratt preferisse o preto e branco, se quiser ver a imagem a cores, clique aqui.

O desejo de ser inútil


A Relógio d'Água editou finalmente o livro "O desejo de ser inútil", onde Hugo Pratt, o autor de Corto Maltese, fala longamente de toda a sua vida. O título da obra pode surpreender alguns, mas, como diz Pratt, "quando hoje penso naqueles que me acusavam de ser inútil, e no que eles julgavam ser útil, então, perante eles, não tenho apenas o prazer de ser inútil, mas o desejo de ser inútil." (p.289 da edição portuguesa).

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Todos em círculo


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Esta pintura de Albrecht Altdorfer, dedicada a uma tema tradicional da pintura sacra, é deliciosa.

Responsabilidade

Pela primeira vez, não estou de acordo com a Fonte do Horácio. O argumento da responsabilidade não deve ser usado para coarctar a liberdade de expressão, desde que esta última não fira princípios legalmente estabelecidos em regimes democráticos. É essa a razão pela qual existem leis que protegem os cidadãos de actos irresponsáveis na imprensa (incitamento à violência, lesão do bom nome das pessoas, etc.). Não penso que os "cartoons dinamarqueses" tenham ferido nenhuma dessas leis. Mas se alguém se sente ofendido com eles, o que deve fazer é processar o jornal. E os tribunais devem determinar se houve ou não acto doloso e criminal. Será que vamos dizer que Rushdie, Scorsese, Serrano, Godard ou Saramago, entre tantos outros, foram irresponsáveis e que, como tal, devem ser condenados moralmente? Será que vamos dizer que estão ao mesmo nível daqueles que agiram violentamente por se sentirem ofendidos com as suas obras? Triste a democracia que os equiparasse!

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Albrecht Altdorfer


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Albrecht Altdorfer é um dos grandes pintores da história da arte alemã, embora pouco conhecido em Portugal. A razão principal deste desconhecimento deriva, a meu ver, do facto de ter sido eclipsado pela imagem genial de um outro Albrecht (Dürer). Estes dois pintores foram praticamente contemporâneos. Altdorfer, o velho aldeão, é natural do Sul da Alemanha e é geralmente identificado como um dos exímios pintores da escola de Danúbio. Esta imagem, conhecida como a batalha de Alexandre (cerca de 1529), é típica da sua capacidade em apreender na pintura o pormenor de uma paisagem distante (neste caso, uma batalha). Este seu gosto pela multiplicação infinita do pormenor faz-me lembrar outras obras de pintura da civilização clássica indiana.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Se vires um Buda, mata-o

Esta é uma célebre sentença budista que explica a razão pela qual, em grande medida, o budismo é uma das religiões mais tolerantes do mundo em que vivemos. Se não conseguirmos "destruir" a imagem do que veneramos, corremos o sério risco de criarmos ídolos, profetas de pés de barro. Tudo isto a propósito da recente polémica sobre os cartoons publicados na Dinamarca. Triste a reacção do nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros que decidiu, em comunicado oficial, repudiar os polémicos desenhos. Sem dúvida que o governo português deve respeitar todas as crenças religiosas, mas não deve fazer juízos de valor sobre a reacção das pessoas a qualquer religião. A única excepção é a condenação da violência e o incitamento à mesma (mas o comunicado parece fazer voz com aqueles que agiram violentamente). Corajosa, sim, a reacção do primeiro-ministro da Dinamarca: o governo dinamarquês nunca pedirá desculpas a ninguém por aquilo que aconteceu. Gostaria de acrescentar que tenho uma visão muito positiva de Muhammad (Maomé) e que a religião islâmica é, no essencial, uma religião pacifica. A palavra "islam" pode ser traduzida livremente por "estar em paz". Mas nenhuma crença religiosa ou ateia pode violar o direito mais fundamental de todos os seres humanos: o direito à liberdade.

Kitsch Trash Piroso na Arte


A artista ucraniana Nathalia Edenmont - actualmente residente na Suécia - faz parte da nova escola artística chamada "body art" ou "ritual art". O seu método de criação artística é muito sui generis. Mata animais para os transformar em elementos de obras ditas artísticas. Neste caso, matou cinco hamsters para fazer esta montagem. Segundo ela, os cinco hamsters representam as cinco estrelas da antiga bandeira da União Soviética, império que oprimiu o seu país. Edenmont não fica apenas por hamsters... mata igualmente gatos e outros animais. Quando questionada sobre a barbaridade dos seus actos, responde habitualmente com o facto de milhões de animais serem mortos diariamente. E assim, com esta "morte artística", a vida destes animais ganha um novo sentido. Não vou discutir o nível (QI) revelado nesta argumentação. Lembrava apenas o facto histórico de Nero transformar corpos de cristãos em tochas para obter um efeito artístico nos seus jardins. O escritor austríaco Hermann Broch tinha um nome - que se tornou comum - para este tipo de experiências artísticas: kitsch, isto é, trash, lixo, piroso...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Sonhos


Martin Scorsese no papel de Van Gogh no filme "Sonhos" de Kurosawa

domingo, 22 de janeiro de 2006

sábado, 21 de janeiro de 2006

Amor impossível


Num zoo japonês (Tóquio), decidiram dar um hamster vivo a uma cobra. Para grande espanto de todos, o rato e a cobra tornaram-se bons amigos. Cf. na BBC.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

A Canção dos Verdes Anos


O Kronos Quartet tem um excelente disco intitulado Caravan publicado, se não estou em erro, no ano 2000. Uma das canções mais brilhantes é o tema 2 do CD, a "Canção dos Verdes Anos". O seu compositor é português e chama-se Carlos Paredes, um nome inesquecível da nossa cultura. As outras canções são de todo o mundo (há mais uma de Carlos Paredes...), desde a Índia ao México, do Irão à Turquia, passando por temas imbuídos da melancolia cigana e... da saudade portuguesa. Como estão longe os "verdes anos" e, no entanto, foram há tão pouco tempo.

sábado, 7 de janeiro de 2006

Kronos em Bollywood


Kronos Quartet é uma instituição da música erudita contemporânea; Asha Boshle é uma célebre cantora indiana de Bollywood. A conjugação é explosiva, embora o célebre quarteto tenha o bom senso de nos obrigar a escutar a música popular indiana.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Komissar Rex


a dog... all the virtues of man without his vices...
Lord Byron