segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Animais como nós



"Houve algumas boas e humanistas almas que se escandalizaram (as boas almas, principalmente as "humanistas", escandalizam-se amiúde com valores que vão um pouco além das fronteiras da sua bondade) com o facto de Obama ter dedicado parte da primeira conferência de imprensa depois de eleito ao cão prometido às filhas.

Podem, porém, sossegar essas boas almas, porque parece que Obama não é indiferente à sua (e delas, boas almas) espécie; talvez só aconteça que as fronteiras do seu humanismo sejam um pouco mais largas que as da humanista Sarah Palin, para quem um barril de petróleo vale bem a extinção dos ursos polares: " O modo como tratamos os animais - afirmou Obama - reflecte o modo como tratamos as pessoas; [também por isso] é muito importante que um presidente se preocupe com a crueldade contra os animais". A recusa de Obama em patrocinar o comércio de "raças puras" do AKC, escolhendo adoptar um animal abandonado ("a mutt, like me", isto é, "um rafeiro, como eu", explicou) tem uma força simbólica que escapa aos "humanistas", que preferiam que ele tivesse falado apenas de índices bolsistas."

Cf. crónica do JN AQUI.
Obrigado ao Veludo Azul por me ter alertado para este texto.

Van Dog


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domingo, 16 de novembro de 2008

Notas sobre o "estudo de um caso"



Uma questão colocada pela Ilha que nunca existiu sobre o estudo de um caso recentemente apresentado, levou-me a uma longa resposta. Decidi, então, fazer um novo post:
O filósofo norte-americano Shoemaker está convicto de que o exemplo imaginário, parafraseado no meu post "Estudo de um caso", pode ser assumido por todas as teorias da identidade pessoal. Apenas existe uma excepção: as teorias que sustentam o critério corporal como sendo o verdadeiro (i.e, uma pessoa é a mesma pessoa em situações distintas se tiver o mesmo corpo). Mas este último critério é provavelmente o mais disputado actualmente, pela simples razão de que nem todas as partes do corpo são minimamente relevantes para se fazer a equivalência entre uma mesma pessoa e um mesmo corpo. Tornou-se evidente que o cérebro tem um papel central na identificação de uma pessoa, o que não acontece, por exemplo, com um braço. Por isso, no limite, onde está o cérebro está a pessoa (mesmo que esteja dentro de um caixa, como dá a entender o filme Boxing Helena). Logo, uma mesma pessoa seria equivalente a um mesmo cérebro.
Mas o cérebro dos vertebrados tem dois hemisférios e o facto de alguém perder um deles não significa que deixe de ser a mesma pessoa (pode quanto muito ficar com certas funções afectadas). Muitas pessoas passeiam-se neste mundo apenas com um hemisfério e ninguém nota a diferença. Logo, poder-se-ia concluir que uma mesma pessoa assenta não no cérebro, mas num dos hemisférios.
Mas o que aconteceria a uma pessoa com dois hemisférios cerebrais se um deles fosse transplantado para um outro crânio "vazio"? Provavelmente dar-se-ia uma multiplicação de pessoas (passariam a ser duas em vez de uma) e ambas diriam que teriam a mesma continuidade psicológica com a pessoa antes do transplante, i.e. diriam que tinham a mesma identidade pessoal.
Como disse, este caso é coerente com outras teorias da identidade pessoal. Por exemplo, um defensor da hipótese do critério da memória (uma pessoa é a mesma pessoa se se lembrar de si em pelo menos dois momentos temporais distintos) não teria problemas com este caso, visto que ninguém nega que a memória possa ter como seu órgão o cérebro. Outro tipo de teorias aceitaria igualmente o caso apresentado, afirmando, no entanto, que a identidade pessoal não está na continuidade psicológica, mas antes no sentimento de si. E se assim for, teríamos duas pessoas com um sentimento pessoal específico, mas que erroneamente afirmariam ser a mesma pessoa do que aquela antes do transplante. É para esta última hipótese que me inclino.
Uma teoria funcionalista, defendida por Sydney Shoemaker, sustenta que o decisivo da identidade não está na preservação de uma mesma matéria, mas, antes, na conservação da disposição estrutural dos diferentes elementos. Para uma teoria funcionalista só os "chauvinistas do Carbono" (a matéria da vida) é que negariam a hipótese de futuras máquinas artificiais poderem ter identidade pessoal. Não é difícil, no âmbito desta teoria, aceitar a ressurreição... mas isso já é uma outra conversa!

sábado, 15 de novembro de 2008

Jardim


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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A Epopeia da sua Vida



Inicio hoje um novo inquérito aos leitores do Expresso do Oriente. Qual foi o filme épico da sua vida? Se estiver indeciso entre várias respostas, tem sempre a possibilidade de as expressar. E se não concordar com o critério, poderá sempre optar por "Other".
Não é fácil definir um filme épico: engloba em si filmes históricos, alguns mais fantasiados do que outros. As grandes aventuras também têm aqui o seu lugar. Apenas não incluí filmes de guerra (embora alguns dos escolhidos tenham cenas guerreiras) ou westerns, pois são géneros cinematográficos já consagrados.
E agora, caro leitor, vote! Blade Runner já foi escolhido como melhor filme de ficção científica e Os Pássaros como o melhor filme de terror. E qual é para si o melhor filme épico?

Caspar David Friedrich

Via Púrpura Rosa



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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

E o vencedor foi...



...The Birds, (Os Pássaros), o filme de Alfred Hitchcock de 1963, baseado numa história da escritora Daphne Du Maurier. Um excelente filme de análise psicológica dos nossos medos. Diga-se que apesar da votação ter durado um mês, a vitória foi renhida. Os leitores do Expresso do Oriente manifestaram mais uma vez o seu bom gosto não só na escolha dos Pássaros, mas também nos filmes concorrentes (Bram Stoker's Dracula; Exorcist; The Others; Psycho; Rosemary's Baby, Shining e Silence of the Lambs). Se pensarmos que o grande Hitchcock é realizador de dois destes filmes; que encontramos nomes como Stanley Kubrick, Francis Ford Coppola, Roman Polanski, ... bem talvez este género cinematográfico não seja tão mau como se pinta.
Agora já temos dois filmes candidatos ao prémio do melhor filme de sempre: Blade Runner e Os Pássaros. Brevemente colocarei uma nova questão mensal sobre cinema.

Estudo de um caso



Ainda antes de continuar os meus posts sobre "identidades confusas", gostaria de vos apresentar um caso filosófico que nos vai deixar nalguma confusão (positiva, bem entendido). Ele foi pensado pelo filósofo norte-americano Sydney Shoemaker (na fotografia), defensor de uma concepção funcionalista da identidade pessoal.
Parafaseando o autor, o caso em questão é o seguinte: imaginemos que vivemos numa sociedade futura na qual a medicina consegue realizar transplantes de cérebros entre diferentes corpos. Vamos imaginar que o meu corpo e um dos hemisférios cerebrais foi atingido por um tumor maligno; apenas o outro hemisfério cerebral se mantém saudável. O meu médico vem ter comigo e coloca-me perante a seguinte alternativa: a) realiza-se um transplante do hemisfério cerebral saudável para um outro corpo (por ex. criado geneticamente) deixando o outro hemisfério morrer progressivamente; b) destrói-se primeiro o hemisfério doente e só depois é que se realiza o transplante da parte saudável. E o médico acrescenta: o primeiro método é vantajoso porque o risco de vida é mínimo, além de ser um processo mais simples e expedito. Mas tem um inconveniente: durante um período de tempo existirão duas pessoas em continuidade psicológica consigo, i.e dizendo que são você!
O que prefere?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Pisco


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"Quando ouço um pisco a cantar numa sebe, não penso: 'Protoplasma irritante tão bem organizado para ser bem sucedido na luta pela existência'."
Joseph Wood Krutch

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Orange


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Van Dog


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domingo, 9 de novembro de 2008

Other Side of the Lake


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Esta fotografia de CaptPiper já tinha sido colocada pelo blogue Fidus Interpres.

sábado, 8 de novembro de 2008

Identidades confusas (4)



Constantemente encontramos a afirmação segunda a qual "identidade pessoal" e "identidade narrativa" são uma e a mesma coisa. Esta identificação explica-se, em grande parte, devido ao sucesso da palavra "narrativa" no léxico contemporâneo. Este termo é utilizado em todos os domínios, desde a neurobiologia até à economia.
Embora esta proliferação de "narrativas" tenha o seu quê de irónico - pela simples razão de que a chamada "condição pós-moderna" é, por definição, uma desconfiança em face do poder legitimador das "grandes narrativas", - esta tendência até poderia ser um bom sinal, ao traduzir a percepção da natureza temporal de todos os aspectos fundamentais da nossa vida. Receio, no entanto, que seja mais um dos inúmeros sound bites que hoje ecoam por todo o lado.
A "narrativa" como estereótipo é bem evidente na identificação apressada entre os conceitos de identidade pessoal e de identidade narrativa. Se olharmos com atenção para os dois filósofos que maior significado deram à função da narrativa na questão da identidade pessoal - a saber, o escocês Alasdair MacIntyre (um dos grandes teóricos da "ética das virtudes") e o francês Paul Ricoeur - em nenhum deles encontramos essa equivalência. Importa frisar que os dois autores defendem a importância da narrativa por razões bem diferentes. Neste post, procurarei mostrar a posição de MacIntyre.

Este autor está essencialmente interessado no poder que a narrativa confere à inteligibilidade da identidade pessoal. Em termos polémicos, quer demarcar-se da tese sartreana, expressa na Náusea, de que a narrativa é uma "falsificação" da vida. Segundo "Antoine Roquentin", o personagem central do romance de Sartre, nós estamos sempre a contar histórias sobre nós e os outros, mas isso não é mais do que uma auto-ilusão. "É preciso escolher: viver ou narrar", diz-nos Sartre nesta obra. MacIntyre rejeita esta ideia, ironizando com o facto do filósofo francês narrar no romance A Náusea a história de "Roquentin" para mostrar que não existem "histórias verdadeiras". Segundo MacIntyre, não é possível dar inteligibilidade a uma acção sem a inscrever num contexto narrativo. O exemplo do "pato histriónico", citado num post recente, traduz bem essa vertente; uma acção, por mais básica que seja, só é inteligível num quadro narrativo. Daí que as "narrativas não sejam obra de poetas, dramaturgos e romancistas reflectindo sobre eventos que só têm ordem narrativa através da forma que lhe é dada pelo bardo ou pelo escritor; a forma narrativa não é um disfarce ou uma decoração." (After Virtue) Pelo contrário, a narrativa é a própria forma como vivemos: sonhamos, acreditamos, desesperamos, aprendemos, odiamos, etc, pela nossa capacidade de dar inteligibilidade, i.e. de dar sentido narrativo aos múltiplos factos que vivemos. Os factos não são em si narrativos, mas ganham inteligibilidade numa determinada narrativa. Do mesmo modo, só conseguimos compreender uma sociedade, mesmo a nossa, através das suas narrativas fundadoras. "A Mitologia, no seu sentido original, está no coração das coisas. Vico tinha razão assim como Joyce."
MacIntyre reflecte, então, no poder que narrativa tem sobre a identidade pessoal. Segundo ele, não é a continuidade psicológica que permite legitimar a nossa identidade pessoal. Apenas a narrativa o consegue conferindo contexto e sentido à experiência que cada um tem de si próprio. Mas ele sublinha que "não est(á) a argumentar que os conceitos de narrativa ou de inteligibilidade são mais fundamentais do que o da identidade pessoal". O que ele argumenta é que a narrativa confere unidade e inteligibilidade à experiência singular que cada tem da sua própria vida. Em termos simples, pode-se dizer que, para este autor, a narrativa dá sentido à nossa singularidade como pessoas, à nossa identidade pessoal, ao sentimento de si. A minha vida singular não só tem uma história da qual sou, em parte responsável, como se entrecruza constantemente com as histórias da vida de outras pessoas singulares. Por sua vez, a vida pessoal inscreve-se no contexto de uma "narrativa de busca" (narrative quest). Mas busca de quê? O filósofo é claro em afirmar que o objecto da busca não é semelhante ao ouro dos mineiros. Para MacIntyre, a "busca" deve ser antes entendida como uma "educação do carácter" através do conhecimento de si próprio e da realização do bem, por mais trágica que essa busca seja.
Numa só frase: narrativa e identidade pessoal são conceitos diferentes para MacIntyre, mas a unidade narrativa torna a nossa identidade pessoal mais substantiva, com maior sentido. Se quiserem uma imagem, a identidade pessoal é a nossa nudez; as narrativas são a roupa que não só vestimos como incarnamos. Mas isso não significa que o hábito faça o monge; protege-o, no entanto, do frio...

Japanese Story



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Quando comecei a ver este filme australiano sobre a relação entre Sandy, uma geóloga, e Hiromitsu, um empresário, a minha primeira impressão não foi nada de especial. Quanto muito lá teríamos mais um filme sobre os mal-entendidos derivados do conflito entre culturas radicalmente diferente. Mas, para minha grata surpresa, esta "história japonesa" na Austrália torna-se uma das narrativas mais subtis e interessantes que já vi. A partir de certo momento, já não são precisas palavras entre os actores. Tudo se joga nas expressões faciais e no cruzamento dos olhares. Um filme comovente realizado por Sue Brooks em 2003!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Histriónico



Pato-arlequim
Género: Histrionicus
Espécie: Histrionicus histrionicus

“Estou à espera do autocarro quando um jovem ao meu lado me diz: 'O nome do pato comum selvagem é Histrionicus histrionicus histrionicus'. Não há qualquer problema em relação ao sentido da frase que ele enunciou: o problema está antes em saber o que é que ele estava a fazer ao enunciá-la. Suponhamos que o jovem enuncia esta frase em intervalos aleatórios; isto poderia ser uma possível forma de loucura. Mas nós tornaríamos esta frase inteligível se uma das seguintes situações se revelasse verdadeira. Ele confundiu-me com uma pessoa que ontem se aproximou dele na biblioteca e lhe perguntou: 'por acaso, sabe o nome latino do pato comum selvagem?' Ou ele acabou de chegar de uma sessão com o seu psicoterapeuta que o incitou a acabar com a timidez falando com estranhos. 'Mas o que devo dizer?' 'Oh, qualquer coisa'. Ou ele é um espião soviético que tinha combinado um encontro e enunciava o estranho código que o identificaria perante o seu contacto. Em cada caso, o acto de enunciação torna-se inteligível quando se descobre o seu lugar numa narrativa.”
A.MacIntyre, After Virtue, A Study in Moral Theory, London, Duckworth, 1985,2ª edição, p.210

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A Cigana Adormecida


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"A cigana adormecida" (La Bohémienne Endormie), quadro de Henri Rousseau de 1897. É provavelmente a sua pintura mais célebre, não só pela sua perfeição estética, como também por antecipar claramente o surrealismo. Encontra-se igualmente no MoMA.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Esperança



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Yes We Did!



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2ª Parte



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Discurso de vitória de Barack Obama em Chicago.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Porque hoje vai ser um dia histórico…

Porque hoje vai ser um dia histórico…
via Rua da Judiaria by Nuno Guerreiro Josué on 11/4/08



::PARA OUVIR::.
Democracy



O Sonho


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"Le Rêve", quadro do pintor francês Henri Rousseau de 1910, precisamente o ano em que faleceu.
Embora Picasso tenha ficado encantado com a sua pintura e os fauvistas o considerassem o seu mestre-pintor (provavelmente, o uso do termo "fauve" - animal selvagem - provém dos temas das obras de Rousseau), os seus rendimentos eram mínimos. Nos últimos anos de vida, tinha de tocar violino nas ruas para obter o necessário para a sua sobrevivência. Mas, em 1911, um ano depois da sua morte, já se realizavam exposições sobre a sua obra...
Este quadro encontra-se actualmente no MoMA.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Identidades confusas (3)



Uma típica confusão sobre a identidade pessoal consiste em identificar "pessoas" e "seres humanos". Se fizermos essa equivalência, a meu ver, errada, a questão da identidade pessoal só se coloca aos humanos. Já Locke, no século XVII, mostrou que esta identificação não tem sentido. Ele conta a história de uma papagaio de um português que tinha tais capacidades de raciocínio e de linguagem que deixava os seus ouvintes atónitos. Segundo o pensador inglês, pouco importa se esta história é ou não verdadeira. O que é interessante, segundo Locke, é que nunca chamaríamos homem a esse papagaio, mas nada nos impediria de considerarmos que estávamos em face de uma pessoa. Ser pessoa não é, assim, ter o corpo humano, mas antes possuir um conjunto de predicados que consideremos essenciais numa pessoa.
Infelizmente (ou felizmente, conforme as perspectivas...) nunca houve, que se saiba, qualquer contacto com seres extraterrestres; mas se tivesse havido e se os putativos "marcianos" manifestassem comportamentos pessoais, nunca lhes chamaríamos "seres humanos", mas antes seres pessoais oriundos de "Marte".
Fica então a questão de saber o que são pessoas? Diria que são todos os seres que têm sentimento de si e que são capazes de se reconhecerem a si mesmos em momentos temporais distintos. A forma singular como o realizam é, no essencial, indiferente. Outros seres com sistema nervosos central certamente terão essas mesmas propriedades pessoais e, no limite, quem poderá afirmar que o sentimento de si só se realiza em seres orgânicos semelhantes a nós? Vamos supor que os tais "Marcianos" tinham a forma de plantas terrestres, mas conseguiam transmitir-nos a ideia de que eram inteligentes e que tinham sentimento de si. Será que deixariam de ser pessoas por causa do seu aspecto vegetal? Por exemplo, em relação ao sentimento da dor nem todos os seres vivos utilizam os mesmos sistemas nervosos para obterem experiência dolorosas. A dor realiza-se com sistemas funcionais distintos. Se assim é, por que razão teremos de restringir o sentimento de si e a identidade pessoal aos seres humanos? Num registo completamente diferente, a teologia nunca teve problemas em conferir os predicados pessoais em relação a Deus e, no entanto, tal não significou que se identificasse Deus com o homem. Não é, assim, verdadeiro que "pessoa" e "ser humano" se identifiquem. Seria totalmente temerário e, a meu ver, errado dizer que só se é pessoa se se for um ser humano,
Claro que a tese que defendemos abre duas novas questões: 1. conseguiremos um dia construir máquinas artificiais com sentimento de si (semelhantes ao HALl 9000 do 2001 Odisseia no Espaço que não só cantava as melodias da sua "infância" como lutava pela sua sobrevivência)? 2. Será que o facto de se ser humano é suficiente para se ser pessoa? São questões bem reais às quais é difícil dar uma resposta conclusiva. Por exemplo, o modo como respondermos à segunda questão condiciona todas as nossas questões sobre os grandes problemas do começo e do fim da vida humana (da interrupção voluntária da gravidez à eutanásia).

Van Dog


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domingo, 2 de novembro de 2008

Identidades confusas (2)


Outro erro muito comum na análise do problema da identidade pessoal consiste em identificar a identidade de uma pessoa com a sua personalidade. Deste modo, a questão sobre a identidade pessoal seria do domínio da psicologia.
Que existem problemas psicológicos, reais e sérios, no âmbito da identidade psíquica parece-me ser uma afirmação trivial e verídica. Só que o problema da identidade pessoal não consiste em saber se temos ou não a mesma personalidade ao longo do tempo. Do mesmo modo que o corpo, a nossa personalidade vai-se alterando gradualmente e isso não impede que não se possa falar de uma mesma e única pessoa. Em casos dramáticos (traumas, acidentes, etc.) a alteração da personalidade e do carácter pode ser radical. Uma pessoa de carácter egoísta passa a ser compassiva e altruísta ou vice-versa. Esses casos foram estudados com profundidade por António Damásio no Erro de Descartes. Mas se estas alterações se podem processar sem modificação do sentimento de si, então o carácter e o conjunto de crenças de uma pessoa não é um critério para a sua identidade pessoal.
Imaginemos, por exemplo, que um dia alguém chamado "Maria" - pessoa muito calma e contemplativa - acorda e começa a ter o comportamento muito activo e nervoso da sua irmã "Marta". Para grande surpresa de todos, "Maria", em termos psicológicos, passou a ter todos os traços de carácter da "Marta". Será que isso altera a sua identidade pessoal? Se acontecesse algo similar a "Marta" - subitamente ficaria com o carácter de "Maria" - poder-se-ia dizer que teriam trocado de identidade pessoal? Parece-me evidente que não. "Maria" e "Marta" reconhecer-se-iam como sendo as mesmas pessoas mesmo que estranhamente as suas personalidades se tivessem modificado radicalmente.
Fica, no entanto, uma questão: existirá alguma vertente psicológica cuja alteração evidenciaria uma alteração da identidade pessoal? Apenas vejo uma e, mesmo assim, com algumas reservas: a memória. Não a memória de factos (lembrar-me que Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia) ou a memória de hábitos e competências (por exemplo, saber andar de bicicleta), mas, sim, lembrar-me de mim próprio em situações distintas. E porquê? Porque a memória é a nossa única faculdade físico-psicológica que assegura (constituirá?) internamente - na perspectiva da primeira pessoa - a identidade de cada um de nós ao longo do tempo (isto é, que nos permite experienciar a identidade de dois estados de consciência nossos em momentos bem distintos).

Os Sons do Silêncio

Via Púrpura Rosa



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A compositora escocesa Evelyn Glennie perdeu a audição quando era adolescente. Será Evelyn Glennie uma nova Beethoven?

sábado, 1 de novembro de 2008

Identidades confusas (1)


Quando procuramos pensar o problema da identidade pessoal habitualmente confrontamo-nos com vários tipos de incompreensão.
O primeiro e mais comum consiste em colocar a seguinte objecção: como se pode falar de identidade pessoal se nós ao longo da vida nos tornamos tão diferentes?
Sem dúvida que nos tornamos muito diferentes ao longo do tempo - por vezes, tornamo-nos tão diferentes que os outros já não nos reconhecem ou nós próprios temos dificuldades em reconhecermo-nos na imagem reflectida num espelho - mas essas diferenças, maiores ou menores, acontecem a uma e mesma pessoa.
Ora, a questão da identidade pessoal consiste em determinar o critério pelo qual tem sentido falar-se de uma mesma pessoa.
Esta confusão entre a identidade quantitativa (uma única pessoa e não duas, três,...) e identidade qualitativa ("como é possível? Não mudaste mesmo nada") leva a uma outra confusão no âmbito do mesmo registo: será que dois gémeos têm a mesma identidade pessoal? É evidente que não; por muito parecidos (identidade qualitativa) que sejam em termos físicos e psicológicos serão sempre duas pessoas.
O mesmo aconteceria se existissem clones humanos; o facto de uma pessoa ser clonada não a torna na mesma pessoa que constituiu o seu modelo. Bastaria colocar essas duas pessoas tão "idênticas" perante a seguinte alternativa: "uma de vocês ganha a lotaria e a outra é torturada. O que é que escolhem?". Apesar das pessoas serem tão parecidas qualitativamente, em termos de uma decisão egoísta, não é difícil imaginar a resposta...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Halloween

Ouro sobre Azul



Quadro do pintor catalão Joan Miró intitulado "O ouro do azul" (L'or de l'atzur, 1967). O MoMA de Nova Iorque vai inaugurar no dia de 2 Novembro uma exposição de "pintura e anti-pintura" dedicada a obras de Miró. Com efeito, Miró declarou em 1917 que queria "assassinar a pintura", inscrevendo-se, assim, nos diferentes movimentos de anti-arte/fim da arte que singraram no Modernismo. Salvo para aqueles que não gostam de Miro, esta declaração "assassina" é, no mínimo, irónica, visto que Miró é um dos maiores pintores de sempre. Uma curiosidade, julgo que pouco conhecida: Hergé, o autor de Tintin, considerava Miró o seu pintor preferido.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Time Machine


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O que seria esta iVida sem uma máquina do tempo?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Crise Financeira e o Humor Britânico



Vale a pena rever agora um vídeo que, se não estou em erro, o blogue Reflexões de um cão com pulgas colocou já há algum tempo.

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Van Dog


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Azuis



Fotografia de Naruto.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Juno



Ainda recentemente ouvi alguém dizer o seguinte: "depois de ver Juno é muito difícil ver outro filme"!! É bem verdade: Juno é um excelente filme, uma comédia no sentido perfeito da palavra (que tem pouco a ver com o seu sentido usual). Qual o tema deste filme? - adolescentes grávidas;- o problema da adopção; - o conflito de gerações... Tirem daí a vossa ideia... este é um dos raros filmes que retratam o que antigos diziam ser a arte poética: uma imitação da acção centrada no carácter. Juno é um filme sobre uma pessoa, sobre a sua vida, crescimento, desilusões e amores. Este filme não teria tido o impacto que teve se não fosse a interpretação notável de Ellen Page (o óscar da Academia foi para o argumento original, o que também é justo). Neste filme, vibra a força misteriosa que emana do carácter de uma pessoa, como dizia algures Thomas Mann.
Podem ver aqui o trailer do filme, agora em DVD:



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domingo, 26 de outubro de 2008

Sentimento de Si



Derek Parfit publicou nos anos 80 uma das obras mais influentes sobre o problema da identidade pessoal. Este problema pode ser formulado de vários modos, jogando-se nele várias questões complementares, mas distintas: 1ª qual a natureza do sentimento de si próprio? 2ª qual é o critério que me permite afirmar que sou agora a mesma pessoa do que aquela que fui no passado? (por exemplo, se sou a mesma pessoa do que aquela que escreveu o post anterior) 3ª que evidências tenho eu que me permitem afirmar que sou a mesma pessoa em tempos diferentes? O grande problema das teorias sobre a identidade pessoal é que confundem estas três interrogações fundamentais.
Derek Parfit defendeu na obra referida (Reasons and Persons, infelizmente ainda não traduzida para português) a seguinte tese: identity is not what matters (a identidade não é o que importa) nem em termos éticos nem pessoais. Ele parte de uma ideia de David Wiggins (Identity and Spatio-temporal Continuity) segundo a qual se cortarmos o corpo caloso que liga os dois hemisférios cerebrais constituem-se duas correntes de consciência num mesmo corpo. E, assim, Parfit pode imaginar situações semelhantes a esta: se fizermos o transplante dos dois hemisférios para dois crânios distintos teremos duas pessoas que afirmarão possuírem a mesma identidade do que a original (antes da separação dos hemisférios e dos transplantes). Logo, a identidade pessoal é um conceito ambíguo e, como tal, deve ser considerado irrelevante. Se os dois hemisférios do meu cérebro forem transplantados para dois novos crânios, o que chamo a minha identidade pessoal multiplica-se por dois. Cada um dos novos seres dirá que fui eu no passado antes do transplante porque não só tem memórias semelhantes, mas também porque há uma continuidade corporal (cada um deles possui um dos hemisférios cerebrais).
A meu ver, a tese de Parfit segundo a qual a identidade pessoal não importa é errada, mas tem a grande vantagem de mostrar que as duas principais evidências - continuidade de memórias e continuidade corporal - não são critérios suficientes para assegurar a identidade pessoal. O erro de Parfit foi o de se ter esquecido da primeira questão assinalada no início deste post: o sentimento de si. E a questão sobre a sua natureza mantém-se tão actual existam ou não duas pessoas que hipoteticamente afirmam que foram eu no passado. A tese de Parfit é o corolário das "visões de nenhures" (views from nowhere, para utilizar a expressão bem forte de Thomas Nagel) em que a perspectiva da primeira pessoa é anulada. Ora, a esse nível, a identidade é realmente o que importa...

sábado, 25 de outubro de 2008

Porque será?



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A música é confrangedoramente simples, mas, no entanto, resulta na perfeição!! Para os mais distraídos, é a célebre canção do filme Juno. Uma das razões poderá estar na força emocional do poema que a acompanha. Mas isso ainda torna tudo mais estranho! Aqui está a letra (lyrics) desta canção:

You're a part time lover and a full time friend
The monkey on you're back is the latest trend
I don't see what anyone can see,
In anyone else but you

Here is the church and here is the steeple
We sure are cute for two ugly people
I don't see what anyone can see,
In anyone else but you

We both have shiny happy fits of rage
I want more fans, you want more stage
I don't see what anyone can see,
In anyone else but you

You are always trying to keep it real
I'm in love with how you feel
I don't see what anyone can see,
In anyone else but you

I kiss you on the brain in the shadow of a train
I kiss you all starry eyed, my body's swinging from side to side
I don't see what anyone can see,
In anyone else but you

The pebbles forgive me, the trees forgive me
So why can't, you forgive me?
I don't see what anyone can see,
In anyone else but you

Du du du du du du du du
Du du du du du du du du

I don't see what anyone can see,
In anyone else but you

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Crueldade


Atenção: este vídeo tem imagens chocantes!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Nus azuis


Matisse, Nu bleu II (1952)

Matisse, Nu bleu (souvenir de Biskra) (1907)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Se quisermos....


Clique AQUI se tiver dificuldades em ver ouvir directamente o vídeo.

... podemos parar o actual choque de civilizações!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Van Dog


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Indeks


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Indeks, um sítio bem útil para navegar na net. Pode ser personalizado e até tem pinturas de Cézanne.

domingo, 19 de outubro de 2008

Não ao abandono!


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Excelente iniciativa realizada pelo blogue Tomorrow Morning . São autocolantes para colocarem na vossa viatura.

sábado, 18 de outubro de 2008

Prémio Dardos



O excelente blogue Traços e Cores atribuiu ao Expresso do Oriente o Prémio Dardos, no qual "se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web."
Agradeço-lhe o prémio que muito me honra.

Quem recebe e aceita o Prémio Dardos, deve seguir as seguintes regras:

1. - Exibir no seu blogue a imagem (selo) do prémio;

2. - Linkar o blogue que lhe atribuiu o prémio;

3. - Escolher quinze (15) outros blogues que distingue com o Prémio Dardos.

E são eles:

Art&manha
Beautiful Century
Blog do Zig
Da Pluralidade do Mundo
Desenho
Diz que não gosta de música clássica?
Folhas Perdidas
Gatochy's blog
A ilha que nunca existiu
Kitschnet
Little Boots and Friends
Púrpura Rosa
Reflexões de um cão com pulgas...
She hangs brightly
Van Dog

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Estranha forma de amor


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Gostei muito de ver o último filme de Ang Lee, Se, jie (Sedução e Conspiração), baseado no romance de uma das grandes escritoras chinesas de sempre, Eileen Chang (1920-1995). Em termos imediatos, é um thriller de espionagem passado em Xangai durante a ocupação japonesa; por sua vez, é um dos filmes mais intensos e perturbadores sobre a natureza do amor. Embora defenda a tese de Schiller segundo a qual a arte é uma "forma viva" (lebende Gestalt), seria para mim no mínimo estranho pensar que as artes literárias (poesia; romance; mito) e dramáticas (cinema; teatro) não potenciam exponencialmente o nosso conhecimento do mundo. É o caso deste filme que nos permite sondar vertentes do amor raramente pensadas.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Pontos de Cor


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Quadro de Kandinsky intitulado "A Igreja de São Luís em Munique" (1908).
Encontra-se no museu Thyssen-Bornesmisza em Madrid.

Break the Addiction

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

into the dark



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Criação musical de um leitor do Expresso do Oriente.

Van Dog


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domingo, 12 de outubro de 2008

Biergarten


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O Biergarten (Jardim da Cerveja) em Cascais (Rua Frei Nicolau de Oliveira, perto da Quinta da Marinha) continua a ser um dos locais mais agradáveis para se estar. Gosto muito da decoração do interior, dos amplos espaços exteriores, assim como da comida alemã (felizmente com opções vegetarianas, como é norma na Alemanha). E tem - como se teria de esperar, mas por vezes não acontece... - um excelente Apfelstrudel.

sábado, 11 de outubro de 2008

Sinfonia do Horror



"Sinfonia do Horror" é o subtítulo de um dos mais célebres filmes de sempre, Nosferatu (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922), realizado pelo lendário F.W.Murnau. Com este mote, está na altura dos leitores do Expresso do Oriente escolherem o melhor filme de horror/terror de todos os tempos. O género tem má fama, mas da lista apresentada encontro pelo menos uns dez filmes de grande qualidade. Se tiver dúvidas, pergunte-me... Mas sobretudo, vote! Vai ver que encontrará na lista um filme de que gostou muito!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

E o vencedor foi...


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Blade Runner de Ridley Scott; em segundo lugar, ficou o 2001, Odisseia no Espaço de Kubrick e, em terceiro lugar, Matrix dos irmãos Wachowski. O que significa que Blade Runner irá concorrer com os primeiros lugares de outros géneros de cinema. Amanhã iniciaremos a escolha do melhor filme de uma outra categoria de cinema: tenham medo, muito medo...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Serão couves-flores?


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Sinceramente não sei... fotografia de Yann Arthus-Bertrand.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Kandinsky


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Quadro da juventude de Kandinsky, pintado em 1908. Chama-se "Munique Schwabing com a Igreja de Santa Úrsula"; Schwabing é um célebre bairro do norte de Munique, um misto de Quartier Latin e Montmartre germânico.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Van Dog


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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Auto-suficiência

Auto-suficiencia
via cabeça no ar ou ar na cabeça by Ofélia Queirós on 10/6/08



"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes
mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios.Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... "

Fernando Pessoa

Névoa


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Fotografia de Matt Power.

sábado, 4 de outubro de 2008

Flocke


Hoje, dia mundial do Animal, decidi comemorar o evento relembrando a querida Flocke, a ursinha do jardim de Nuremberga (Nürnberg), símbolo vivo da luta contra o degelo no Ártico. Com dez meses de vida, a Flocke entrou agora na sua maioridade.

Para mais informações, clique AQUI.

Dia Mundial do Animal

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Como tudo começou...


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Quadro de Kandinsky, intitulado Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) de 1903. Sobre o azul, diz-nos o pintor: "O azul profundo projecta o homem para o infinito, desperta-lhe o desejo de pureza e uma sede sobrenatural. (...) À medida que o azul ganha profundidade, acalma e torna-se apaziguador. Quando desliza para o preto, tinge-se de uma tristeza que excede o humano, semelhante a certos estados graves que não têm nem podem ter fim." (Do Espiritual na Arte). Com este quadro inicia-se o movimento com o mesmo nome, Blaue Reiter.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Um encanto


Salzburg


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Segundo Andamento do Concerto para Piano nº21 (K467) de Mozart;
interpretação de Barenboim e da Orquesta Filarmónica de Berlim.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Get Stupid


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O polémico vídeo de Madonna.

Formas


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Fotografia de tigerpac.

Alla Turca



Mozart, como aliás grande parte da sociedade culta europeia do século XVIII - veja-se Voltaire -, vivia fascinada com o Oriente. Esse fascínio traduziu-se em várias obras musicais nas quais o imaginário turco e oriental estava presente. São famosas as obras de Mozart como O Rapto do Serralho (já aqui referido) e a célebre Sonata para Piano nº11 em Lá (A) Maior (K331). Nesta última encontramos um "Rondo alla Turca" que faz parte do repertório de todo aquele que quer singrar um dia nas artes do piano. Este interesse de Mozart pela Turquia e pelos seus costumes era comum na sociedade vienense da época. Afinal, Viena foi quase tomada pelos turcos na célebre batalha de 1683, tornando-se a derrota turca no símbolo do triunfo europeu da Casa dos Habsburgos. E, assim, um século mais tarde, a Turquia estava "presente" em Viena - diz-nos, pelo menos, a lenda - através dos croissants (em memória da vitória sobre os otomanos), no cappuccino (como recordação do café turco) e nas obras orientais de Mozart. A interpretação do "Rondo alla Turca" que apresento tem uma peculiaridade: não é tocada por humanos! O segredo está num programa informático chamado justamente Sibelius. Mas os resultados são bem interessantes.