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"Por Belenos", seria certamente a exclamação de Astérix ao contemplar esta jóia arquitectónica situada na zona histórica da Normandia. É o terceiro monumento histórico mais visitado de França - não é difícil adivinhar a Torre e o Palácio que ocupam os dois primeiros lugares... - e nasceu literalmente de um sonho.
Antes de ser a célebre Abadia, era o monte onde se encontrava o túmulo do deus gaulês Belenos, mais conhecido na mitologia irlandesa (também celta como a gaulesa) como Diancecht. É o "deus médico" dos Tuatha Dé Danann, célebre família mitológica da cultura celta. "Tuatha Dé Danann" significa, mais ou menos, os descendentes da Deusa Dana, a deusa primordial dos celtas (também conhecida por Dôn ou Danu, donde derivou o nome do rio Danúbio, assim como a designação de outros rios bem célebres da Europa). Certamente a raiz indo-europeia do termo Dana está ligada aos Danavas da mitologia védica. Em todas estas ramificações, encontra-se a mesma palavra: dom, dádiva. A deusa primordial celta, Dana, o dom primordial, está associada a quatro símbolos: a lança do deus Lug, o caldeirão do deus Dagda (lança e taça, isto faz-me lembrar outra coisa...), a espada de Nuada e a pedra de Fal (grita quando é pisada!). Lug, Dagda, Nuada são o "povo de Dana", os Tuatha Dé Danann, que chegaram durante a festa de Beltaine, dedicada a Belenos/Diancecht (festa que se realizava no primeiro dia de Maio, dia do Sol antes de ser do Trabalhador).
No século VIII, o bispo cristão, Santo Aubert de Avranches teve um sonho onde o anjo Miguel lhe ordenou a construção de um local de orações. E o bispo assim o fez, fazendo assim esquecer o Monte do Túmulo de Belenos, passando o local a ser conhecido como o Mont-Saint-Michel-au-péril-de-la-Mer. Só que o edifício construído incendiou-se durante uma batalha medieval em 1204. O rei francês Filipe II Augusto ordenou então a construção de uma abadia, a abadia do Mont-Saint-Michel. Esta "maravilha", como era popularmente conhecida, foi transformada em prisão (antes e depois da Revolução Francesa). Foi preciso a denúncia de Victor Hugo para que a prisão fosse definitivamente encerrada. E, assim, tornou-se naquilo que é ainda hoje em grande parte: um local turístico. Curiosamente, desde 1966, houve um renascimento religioso do local, com a presença, discreta mas permanente, de monges beneditinos e das Fraternidades Monásticas de Jerusalém. Inegavelmente uma das maravilhas do mundo, sempre ameçada pelo perigo do mar.
Great blog, excellent pictures
ResponderEliminarFiquei presa ao écran! Pela Linha de Cabotagem há várias referências ao local pois, quando em França, chego a fazer 200km para lá passar um dia. No ano passado estive lá outra vez como aqui podes ver a 1ª parte e logo em cima a 2ª
ResponderEliminarhttp://linhadecabotagem.blogspot.com/2006/10/notas-de-viagem-22-1-parte.html