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domingo, 19 de junho de 2005
Diáfano
Quando Joyce escreve, "Estou aqui para ler as assinaturas de todas as coisas, ovas e sargaços, a maré que se aproxima, essa bota corroída", está provavelmente a pensar nas suas leituras do teósofo alemão Jakob Boehme. Também este falava de uma miríade de assinaturas no visível de uma realidade invisível. Mas rapidamente regressa a Aristóteles quando fala "nos corpos." "sinais coloridos. Limites do diáfano. Mas acrescenta: nos corpos. Então é porque tinha consciência deles, corpos, antes deles, coloridos. Como? Batendo com a cachimónia contra eles, é claro." Sobre o diáfano ou transparência em Aristóteles, diz-nos David Ross: "a transparência é agora tratada como estando, em maior ou menor grau, em todos os corpos quaisquer que estes sejam, e a cor é descrita como constituindo o limite do transparente nos corpos (isto é, no sentido em que o transparente está aprisionado nos corpos opacos), enquanto a luz constitui a actualidade do transparente na sua condição não limitada, isto é, tal como existe nos meios transparentes, como acontece com o ar e a água."
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sábado, 18 de junho de 2005
Notas sobre o Bloomsday (1)
Primeira reflexão sobre o texto citado de Joyce no dia 16 de Junho (o Bloomsday). "Inelutável modalidade do visível" - a origem desta expressão tão pomposa é-me desconhecida, mas aqui Joyce (através do seu eterno alter ego, Stephen) pensa em Aristóteles. E, em particular, na obra conhecida pela designação latina, De Sensu et Sensibili. Se o ouvido pode participar e modificar o que ouve, a visão, pelo contrário, não. Daí esta "inelutável modalidade do visível". Por outro lado, Aristóteles parece insistir, neste tratado, que o essencial da visão transcende a cor. O que se vê então? Stephen pergunta-se então se não poderíamos conjecturar sobre a "inelutável modalidade do audível" quando fechamos os olhos.
Associações livres: o passeio pela praia de Sandymount (a poucos quilómetros de Dublin, no local em que o rio Liffey desagua). O nosso olhar quase consegue adivinhar a Inglaterra ali tão perto e omnipresente. Praia cinzenta, atmosfera cinzenta, areia escura, ar pesado sem ser sinistro que se estende até à torre do Ulisses. Uma placa antiga, cheia de ferrugem, dizendo que a praia é reservada a homens...:-). Nova associação: a alegria tão visível de uma jovem cega quando um dia lhe li esta passagem.
Associações livres: o passeio pela praia de Sandymount (a poucos quilómetros de Dublin, no local em que o rio Liffey desagua). O nosso olhar quase consegue adivinhar a Inglaterra ali tão perto e omnipresente. Praia cinzenta, atmosfera cinzenta, areia escura, ar pesado sem ser sinistro que se estende até à torre do Ulisses. Uma placa antiga, cheia de ferrugem, dizendo que a praia é reservada a homens...:-). Nova associação: a alegria tão visível de uma jovem cega quando um dia lhe li esta passagem.
segunda-feira, 7 de março de 2005
Coincidências
Hoje é um dia especial para todos aqueles que têm formação aristotélica. Por uma estranha coincidência, no dia 7 de Março faleceram Aristóteles (322 aC) e São Tomás de Aquino (1274). São inegavelmente os dois pensadores mais influentes de toda a cultura europeia e ocidental.
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