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quarta-feira, 8 de junho de 2005

Narciso feminino


Um novo quadro de Waterhouse que retrata o mito de Narciso. Nesta obra deste pintor vitoriano, de clara inspiração pré-rafaelita, já não é representada a "tradicional" história de um jovem deslumbrado com a imagem reflectida num lago. Aqui, uma jovem (corê) colhe narcisos antes de ser raptada pelo deus da Morte. Esta versão do mito de Narciso, mais antiga, é-nos relatada nos chamados "Hinos Homéricos" (Hino a Deméter), bem anteriores ao texto de Ovídio. Mais importante do que a questão do "género" (masculino versus feminino), é significativa a presença desta relação tão estanha entre a atracção da beleza e a presença da morte. Posted by Hello

quinta-feira, 18 de novembro de 2004

Nota sobre o quadro de Gauguin

Ainda sobre o tema da morte da jovem, provavelmente uma das referências mais antigas da nossa cultura ocidental encontra-se num dos Hinos Homéricos. Refiro-me ao Hino a Deméter (VII a.C.), no qual se narra o rapto da jovem (Perséfone) por Hades (o deus da Morte) quando colhia flores.

terça-feira, 14 de setembro de 2004

A Rama Dourada

Os mistérios de Elêusis iniciavam-se a 14 de Setembro ("Boedromion" no calendário ático). Sobre eles pouco se sabe, visto que a lei do silêncio era geral. Apenas se conhece o mito. Uma jovem raptada pela morte; uma mãe aflita, procurando-a em todos os caminhos; uma baga de romã que aprisiona a jovem à morte; uma solução de compromisso assente no retorno cíclico da jovem à vida e à morte. Para muitos, estes mistérios são apenas uma alegoria natural sobre os ciclos dos cereais; para outros, o segredo encontrava-se num fungo da cevada que produzia uma substância semelhante ao LSD. A meu ver, o segredo destes mistérios é simples e é devolvido a esse olhar que um dia se perdeu na extensão de um campo repleto de espigas de ouro e de vento.