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sexta-feira, 20 de julho de 2007

A Nossa Música



Vi recentemente um dos últimos filmes de Jean-Luc Godard, "Notre Musique" (2004). Um belo filme feito com a clara intenção de nos fazer pensar a estranha propensão humana à guerra e à violência. Está dividido em três partes: o inferno, o purgatório e o paraíso. Grande parte do filme passa-se no purgatório, simbolizado pela cidade Sarajevo (ou Saraievo) após o final da guerra civil nos Balcãs. A parte do paraíso foi a que menos me convenceu (uma rapariga que voluntariamente se deixou morrer por amor à paz passeia-se num oásis natural guardado por marines americanos). Razão cínica ou incapacidade de imaginação? Talvez Godard visasse apenas denunciar estas duas vertentes do pensamento contemporâneo. O purgatório tem momentos estéticos bem interessantes, obtidos pelo cruzamento das palavras (textos de autores como Baudelaire e Lévinas), da música (de Arvo Pärt a Kurtag) e da própria montagem cinematográfica.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Responsabilidade

Pela primeira vez, não estou de acordo com a Fonte do Horácio. O argumento da responsabilidade não deve ser usado para coarctar a liberdade de expressão, desde que esta última não fira princípios legalmente estabelecidos em regimes democráticos. É essa a razão pela qual existem leis que protegem os cidadãos de actos irresponsáveis na imprensa (incitamento à violência, lesão do bom nome das pessoas, etc.). Não penso que os "cartoons dinamarqueses" tenham ferido nenhuma dessas leis. Mas se alguém se sente ofendido com eles, o que deve fazer é processar o jornal. E os tribunais devem determinar se houve ou não acto doloso e criminal. Será que vamos dizer que Rushdie, Scorsese, Serrano, Godard ou Saramago, entre tantos outros, foram irresponsáveis e que, como tal, devem ser condenados moralmente? Será que vamos dizer que estão ao mesmo nível daqueles que agiram violentamente por se sentirem ofendidos com as suas obras? Triste a democracia que os equiparasse!