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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Tolerância


Clique nesta imagem de Gotama, o Buda (estilo Gandhara) para a ver em boas condições.

Não tenho neste momento nem tempo nem cabeça para ver a qualidade da tradução deste excerto de um discurso de Buda, editado por Anne Bancroft. Mas não quero deixar de o citar pois é um exemplo de tolerância de ideias:

"Sakka asked the Buddha: "Do different religious teachers head for the same goal or practice the same disciplines or aspire to the same thing?"
"No, Sakka, they do not. And why? This world is made up of myriad different states of being, and people adhere to one or another of these states and become tenaciously possessive of them, saying, 'This alone is true, everything else is false.' It is like a territory that they believe is theirs. So all religious teachers do not teach the same goal or the same discipline, nor do they aspire to the same thing.
"But if you find truth in any religion or philosophy, then accept that truth without prejudice."
Digha Nikaya

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Tolerância

Numa época em que alguns grupos minoritários islâmicos manifestam uma intolerância *intolerável*, mais do que propor jogos de futebol euro-árabes (com os iranianos, paquistaneses e indonésios a assistir...:-) importa sublinhar a natureza essencialmente tolerante do Islão. E, para esse efeito, nada melhor do que citar um dos seus grandes mestres, o poeta Movlana (1207-1273), mais conhecido no Ocidente por Rumi:

“Eu não sou nem cristão nem judeu, nem parse nem muçulmano.
Eu não sou nem do Oriente nem do Ocidente, nem da terra nem do mar.
Eu não sou nem da natureza nem dos céus envolventes;
Eu não sou nem da terra nem da água, nem do ar nem do fogo;
Eu não sou nem do empíreo nem da poeira, nem da existência nem da entidade.
Eu não sou da Índia nem da China, nem dos Búlgaros nem de Saqsin
Eu não sou nem do reino do Iraque, nem da terra de Khurasan .
Eu não sou nem deste mundo nem do outro, nem do Paraíso nem do Inferno.
Eu não sou nem de Adão nem de Eva, nem do Éden nem de Rizwan.
O meu lugar é a ausência de lugar, o meu rasto é a ausência de rasto.
Eu não sou nem corpo nem alma, porque pertenço à alma do Bem-Amado.
Eu libertei me da dualidade, eu vi que os dois mundos são um só;
Eu busco o Uno, conheço o Uno, vejo o Uno, chamo o Uno.
Ele é o primeiro, Ele é o último, Ele é o exterior, Ele é o interior.
Eu não conheço ninguém a não ser Ele.
Eu estou intoxicado pela taça do amor; os dois mundos
passaram fora da minha vista.
Nada mais tenho a fazer, se não festejar e alegrar me.
Se passei na minha vida um só instante sem ti,
Toda a vida me arrependo desse tempo e dessa hora.
Se mereço passar neste mundo um só instante contigo,
Eu calcarei com os pés esses dois mundos, dançarei triunfalmente para sempre.”
Livro de poemas de Shams de Tabriz

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Se vires um Buda, mata-o

Esta é uma célebre sentença budista que explica a razão pela qual, em grande medida, o budismo é uma das religiões mais tolerantes do mundo em que vivemos. Se não conseguirmos "destruir" a imagem do que veneramos, corremos o sério risco de criarmos ídolos, profetas de pés de barro. Tudo isto a propósito da recente polémica sobre os cartoons publicados na Dinamarca. Triste a reacção do nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros que decidiu, em comunicado oficial, repudiar os polémicos desenhos. Sem dúvida que o governo português deve respeitar todas as crenças religiosas, mas não deve fazer juízos de valor sobre a reacção das pessoas a qualquer religião. A única excepção é a condenação da violência e o incitamento à mesma (mas o comunicado parece fazer voz com aqueles que agiram violentamente). Corajosa, sim, a reacção do primeiro-ministro da Dinamarca: o governo dinamarquês nunca pedirá desculpas a ninguém por aquilo que aconteceu. Gostaria de acrescentar que tenho uma visão muito positiva de Muhammad (Maomé) e que a religião islâmica é, no essencial, uma religião pacifica. A palavra "islam" pode ser traduzida livremente por "estar em paz". Mas nenhuma crença religiosa ou ateia pode violar o direito mais fundamental de todos os seres humanos: o direito à liberdade.