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sexta-feira, 20 de julho de 2007

A Nossa Música



Vi recentemente um dos últimos filmes de Jean-Luc Godard, "Notre Musique" (2004). Um belo filme feito com a clara intenção de nos fazer pensar a estranha propensão humana à guerra e à violência. Está dividido em três partes: o inferno, o purgatório e o paraíso. Grande parte do filme passa-se no purgatório, simbolizado pela cidade Sarajevo (ou Saraievo) após o final da guerra civil nos Balcãs. A parte do paraíso foi a que menos me convenceu (uma rapariga que voluntariamente se deixou morrer por amor à paz passeia-se num oásis natural guardado por marines americanos). Razão cínica ou incapacidade de imaginação? Talvez Godard visasse apenas denunciar estas duas vertentes do pensamento contemporâneo. O purgatório tem momentos estéticos bem interessantes, obtidos pelo cruzamento das palavras (textos de autores como Baudelaire e Lévinas), da música (de Arvo Pärt a Kurtag) e da própria montagem cinematográfica.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Olhares


Apesar desta minha nova iniciativa - os olhares - não estar a criar grande entusiasmo, não quero esquecer as palavras de Lévinas segundo as quais o olhar é a única revelação do divino.

segunda-feira, 27 de março de 2006

Colóquio sobre Lévinas


Nos próximos dias 30 e 31 de Março (quinta e sexta-feira) realiza-se no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, um Colóquio internacional sobre o pensamento de Lévinas. Este colóquio visa celebrar o centenário do nascimento de Emmanuel Lévinas, filósofo judeu, de origem lituana, sem dúvida uma das vozes mais marcantes do pensamento contemporâneo. Lévinas permite-nos pensar não só como Auschwitz foi possível, mas também reflectir sobre o sentido da ética após o colapso de um conjunto de categorias centrais do pensamento ocidental

sábado, 18 de março de 2006

Catherine Chalier em Portugal


Vai estar em Portugal uma das mais prestigiadas filósofas francesas, Catherine Chalier, de confissão judaica. A conferência intitula-se Le tragique et l'espérance e contará igualmente com a presença do Reitor da Universidade de Lisboa, José Barata-Moura. Esta iniciativa inscreve-se no âmbito do Colóquio Lévinas entre nós que se realizará na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (30 e 31 de Março). Para mais pormenores, cf. o site do Colóquio. Sobre a obra de Catherine Chalier, cf. este site.

domingo, 16 de janeiro de 2005

O Rosto

"Penso (...) que o acesso ao rosto é imediatamente ético. Quando se vê um nariz, os olhos, uma testa, um queixo e se podem descrever, é que nos voltamos para outrem como para um objecto. A melhor maneira de encontrar outrem é nem sequer atentar na cor dos olhos! (...) A relação com o rosto pode, sem dúvida, ser dominada pela percepção, mas o que é especificamente rosto é o que não se reduz a ele. Em primeiro lugar, há a própria verticalidade do rosto, a sua exposição íntegra, sem defesa. A pela do rosto é a que permanece mais nua (...) mais despida também: há no rosto uma pobreza essencial; a prova disto é que se procura mascarar tal pobreza assumindo atitudes, disfarçando. O rosto está exposto, ameaçado, como se nos convidasse a um acto de violência. Ao mesmo tempo, o rosto é o que nos proíbe de matar." Emmanuel Levinas, Ética e Infinito