
Vi recentemente um dos últimos filmes de Jean-Luc Godard, "Notre Musique" (2004). Um belo filme feito com a clara intenção de nos fazer pensar a estranha propensão humana à guerra e à violência. Está dividido em três partes: o inferno, o purgatório e o paraíso. Grande parte do filme passa-se no purgatório, simbolizado pela cidade Sarajevo (ou Saraievo) após o final da guerra civil nos Balcãs. A parte do paraíso foi a que menos me convenceu (uma rapariga que voluntariamente se deixou morrer por amor à paz passeia-se num oásis natural guardado por marines americanos). Razão cínica ou incapacidade de imaginação? Talvez Godard visasse apenas denunciar estas duas vertentes do pensamento contemporâneo. O purgatório tem momentos estéticos bem interessantes, obtidos pelo cruzamento das palavras (textos de autores como Baudelaire e Lévinas), da música (de Arvo Pärt a Kurtag) e da própria montagem cinematográfica.


