Mostrar mensagens com a etiqueta Rainha Mab. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rainha Mab. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 4 de agosto de 2004


Turner, Queen Mab's Cave Posted by Hello

Mab

Mab é, por excelência, a rainha das fadas. As raízes mitológicas deste tema central do imaginário europeu encontram-se nas lendas dos Celtas, seja em Mabb (País de Gales) ou em Maeve (Irlanda). Maeve (Medb/Maebhe) é a rainha que detém a soberania da Terra. Ninguém poderia ser rei se não casasse com Maeve. Ela vai ser responsável pela morte do herói do Ulster, Cuchulain. Em termos religiosos, Mab coincide, a meu ver, com a deusa Morrigan. Os corvos da deusa descem sobre os ombros de Cuchulain, selando o seu destino. Certamente haverá uma relação entre Mab e Brünnhilde...

Ben Jonson e a Fada Mab

"This is Mab the Mistriss Fairy,
That doth nightly rob the Dairy,
And can hurt, or help the cherning,
(As she please) without discerning"
Ben Jonson, A Particular Entertainment at Althrope

Nymphidia e a Fada Mab

"And thou, Nymphidia, gentle fay,
Which meeting me upon the way
These secrets didst to me bewray,
Which I now am in telling;
My pretty light fantastic maid,
I here invoke thee to my aid,
That I may speak what thou hast said,
In numbers smoothly swelling.
This palace standeth in the air,
By necromancy placed there,
That it no tempests needs to fear,
Which way soe'er it blow it.
And somewhat southward toward the noon,
Whence lies a way up to the moon,
And thence the Fairy can as soon
Pass to the earth below it.
The walls of spiders' legs are made,
Well mortised and finely laid;
He was the master of his trade
It curiously builded"
Michael Drayton, Nymphidia (excerto)

Shelley e a Rainha Mab

"... No longer now
He slays the lamb that looks him in the face,
And horribly devours his mangled flesh;
Which, still avenging nature's broken law,
Kindled all putrid humours in his frame,
All evil passions, and all vain belief,
Hatred, despair, and loathing in his mind,
The germs of misery, death, disease, and crime.
No longer now the winged habitants,
That in the woods their sweet lives sing away,
Flee from the form of man; but gather round,
And prune their sunny feathers on the hands
Which little children stretch in friendly sport
Towards these dreadless partners of their play.
All things are void of terror"
Shelley, Queen Mab, vv.211-225

A Rainha Mab e o Sonho de Romeu

"Mercúcio - Vejo, então, que a rainha Mab esteve contigo. É a parteira das fadas que o tamanho não chega a ter de uma pedra de ágata no dedo indicador de um almotacé. Viaja sempre puxada por uma parelha de pequeninos átomos que pousam de través no nariz dos que dormitam. As longas pernas das aranhas servem-lhe de raios para as rodas; a capota de asa é feita de gafanhotos; os tirantes, das teias mais subtis; o colarzinho, de húmidos raios do luar prateado. O cabo do chicote é um pé de grilo; o próprio açoite, simples filamento. De cocheiro lhe serve um pequeno mosquito de casaco cinzento que não chega nem à metade do pequeno bicho que nos dedos costuma arredondar-se nas criadas preguiçosas. O carrinho de casca de avelã vazia, feito foi pelo esquilo ou pelo mestre verme que desde tempo imemorial o posto mantém de fabricante de carruagens para todas as fadas. Assim montada, noite após noite, ela galopa pelo cérebro dos amantes que, então, sonham com coisas amorosas; pelos joelhos dos cortesãos que com salamaleques a sonhar passam logo; pelos dedos dos advogados que a sonhar começam com honorários; pelos belos lábios das jovens que com beijos logo sonham, lábios que Mab, às vezes, irritada, deixa cheios de pústulas, por vê-los com o hálito estragado por doces. Por cima do nariz de um palaciano por vezes ela corre, farejando logo ele, em sonhos, um processo gordo. Com o rabinho enrolado de um pequeno leitão de dízimo, ela faz cócegas no nariz do vigário adormecido que logo sonha com mais um presente. Na nuca de um soldado ela galopa, sonhando este com cortes de pescoço, ciladas, brechas, lâminas de Espanha e copos bebidos à saúde, de cinco braças de alto. De repente, porém, explode pelo ouvido dele que estremece e desperta e, aterrorizado, reza uma ou duas vezes e, de novo, põe-se a dormir. É a mesma Rainha Mab que a crina dos cavalos enredada deixa de noite e a cabeleira grácil dos elfos muda em sórdida melena que, destrançada, augura maus eventos. Essa é a bruxa que, estando as raparigas de costas, faz pressão no peito delas, ensinando-as, assim, como mulheres,
a aguentar todo o peso dos maridos. É ela, ainda...
Romeu - Paz, Mercúcio! Paz!"
Shakespeare, Romeo and Juliet, I, iv