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quarta-feira, 14 de junho de 2006

A Rosa Branca


A 18 de Fevereiro de 1943, na cidade de Munique, a estudante universitária de biologia e de filosofia, Sophie Scholl, é presa, assim como o seu irmão, pela Gestapo. O seu crime: a liberdade de expressão. A condenação: a pena de morte por guilhotina. O seu movimento é conhecido como a "Rosa Branca" e a força da alma de Sophie provém da nossa única bússola: a consciência. Marc Rothemund realizou um interessante filme sobre o evento. Conferir aqui.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

David Irving


David Irving é um dos principais representantes da historiografia "revisionista" sobre a segunda guerra mundial. Foi agora condenado pela justiça austríaca a três anos de cadeia por negar a Shoah, isto é, o Holocausto nazi. Diga-se que Irving, nos seus livros, tem sobretudo tentado inocentar Hitler da "solução final", procurando encontrar um bode expiatório para o que aconteceu. Desde Himmler até Goebbels, candidatos não lhe têm faltado. É evidente que, para este historiador inglês, Hitler, apesar de anti-semita radical, desconhecia o que se passava nos campos de concentração e de extermínio. A tese é, no mínimo, exótica, sobretudo depois das declarações de Eichmann, o responsável político e técnico da perseguição aos judeus. Parece-me, no entanto, que a decisão de condenar Irving fere o princípio de liberdade de expressão e é, em termos políticos, estúpida.

sábado, 10 de setembro de 2005

A Queda


Vi ontem finalmente o filme "A Queda" (der Untergang) sobre os últimos dias de Hitler no seu bunker. Excelente filme! A tese de que este filme reabilita a imagem do ditador alemão parece-me, no mínimo, um pouco enigmática... Hitler é-nos retratado como alguém que perdeu a noção da realidade, um puro lunático sem qualquer compaixão pelo sofrimento dos outros. Curiosamente, fez-me lembrar a Rainha de Copas da Alice, sempre pronta para executar todos aqueles que desobedecessem às suas ordens. É evidente que Hitler tinha um ou outro lado mais humano - que se manifesta, por exemplo, na sua relação com a Blondie ou na delicadeza com que tratava as suas secretárias -, mas tal facto não oblitera a impressão de uma personalidade histérica capaz da maior desapiedade.

sábado, 28 de maio de 2005

Turing


Alan Turing foi um dos maiores matemáticos ingleses de sempre. Quem não conhece o célebre teste de Turing sobre a consciência? Alan Turing teve um papel decisivo na segunda guerra, ao liderar o grupo que decifrou a máquina de codificação alemã, "Enigma". No final da guerra, este lógico desenhou vários computadores e é considerado por muitos como o pai da "teoria da informação" e dos actuais computadores. Alan Turing era homossexual e foi, por issso, acusado de perversidade, sendo condenado a um tratamento hormonal. Directa ou indirectamente (hipótese plausível: suicídio) morreu por causa desta "cura". No dia 28 de Maio de 1936, Turing publicou um dos seus ensaios mais célebres "On Computable Numbers, with an Application to the Entscheidungsproblem (problema de decisão)", discutindo um dos sonhos mais caros a Leibniz, a saber, um algoritmo que determinasse os valores de verdade dos enunciados aritméticos. Posted by Hello

domingo, 8 de maio de 2005


Hoje celebra-se por toda a Europa o final da segunda guerra. Esta fotografia de Yevgeny Khaldei - que mostra a bandeira da URSS no topo do Reichstag - tornou-se lendária (apesar de ser uma fotografia forjada, pois certamente foi tirada depois do "Untergang/Queda"). Ao que parece, as celebrações do final da segunda guerra deveriam ocorrer a 9 de Maio, mas os media ocidentais na época anteciparam-se... pouco importa que tenha sido a 8 ou a 9; o que importa é que esse pesadelo terminou! Hoje poucos já se lembram do facto...o que pode ser um bom ou um mau sinal! Não sei... Posted by Hello

sábado, 2 de abril de 2005


Esta gravura nazi revela bem a forma como o regime retratava a situação da Alemanha, da Áustria e da Prússia Oriental após o Tratado de Versailles. Até Portugal orienta as suas tropas em direcção ao pacífico Reich... assim se faz(ia) propaganda! Posted by Hello

domingo, 9 de janeiro de 2005

A insustentável leveza da nossa memória

O excelente blog Divas & Contrabaixos lembra que, em Portugal, contrariamente à grande maioria dos outros países, não temos o hábito de recordar simbolicamente o fim das duas guerras mundiais. Provavelmente esquecemo-nos que participámos nas duas...sim, nas duas! Na primeira guerra, dos 100.000 portugueses enviados para combater ao lado dos Aliados, 21% morreu ou ficou ferida (já para não falar dos milhares de prisioneiros); na segunda, a nossa intervenção, embora camuflada, foi marcada pela ambiguidade. Ao mesmo tempo que auxiliávamos os ingleses desde 1943, o governo de Salazar não hesitou em declarar luto nacional (?), durante três dias, quando Hitler morreu. Que eu saiba, nos Açores não houve conflitos directos nem vítimas e o projecto de ocupação de Portugal pelas tropas nazis ficou, felizmente para nós, no papel... mas será que tem importância saber se as vítimas foram "nossas" ou dos "outros"?

quinta-feira, 22 de julho de 2004

Ingenuidade

Ontem, por ingenuidade, no meu post sobre a "Zona", esqueci-me de um facto óbvio: os duzentos mil habitantes alemães da Prússia Oriental que decidiram, após o final da segunda guerra, continuar a viver em Königsberg, foram pura e simplesmente assassinados ou expulsos por Estaline. Chama-se a isso genocídio. O facto dos nazis alemães terem sido responsáveis por crimes horrendos na segunda guerra mundial, não justifica nada. A não ser que sejamos adeptos da moral da retribuição. Observemos um exemplo desta "moral": quando em 1692, a Jamaica foi destruída por um terramoto, a Europa quase aplaudiu. Afinal, a Jamaica das Caraíbas era uma terra de piratas, Sodoma dos tempos modernos, que apenas teve "o que merecia". Quando cinquenta depois, em 1755, Lisboa foi destruída por um terramoto, os alicerces religiosos do pensamento ocidental quase ruíram.

quarta-feira, 21 de julho de 2004


Kalininegrado Posted by Hello