Clique neste auto-retrato de Chagall para aumentar as suas dimensões. Não é todos os dias que se pode contemplar um tecto assim. Trata-se do tecto da Ópera de Paris, pintado por Chagall: Clique na imagem para aumentar as suas dimensões. Mas, como refere o título desta obra de Chagall, não há tecto (abrigo) mais sublime do que o dos amantes: Les amants sur le toit Clique na imagem para aumentar as suas dimensões.
O Tristão e Isolda de Wagner, na encenação de Peter Sellars com vídeo de Bill Viola, está de volta a Paris (Ópera da Bastilha). Tristão e Isolda serão interpretados respectivamente pelo tenor Clifton Forbis e pela soprano Waltraud Meier. Os espectáculos iniciam-se a 30 de Outubro.
Clique na imagem para aumentar as suas dimensões. Quadro de Chagall sobre a expulsão de Adão e Eva do Paraíso.
"Quem é que assim nos virou, de tal forma que, em tudo o que façamos, estamos sempre na atitude de alguém que parte? Como esse que parte, no alto da última colina que mais uma vez lhe mostra todo o seu vale, se volta, pára e se demora - assim vivemos nós, sempre a despedir-nos." Rilke, Oitava Elegia, in Elegias de Duíno, trad. Paulo Quintela
Comentário a um post do blog Shelterkoln sobre o sistema de protecção de animais na Alemanha:
"Estive durante meio ano a viver na Alemanha e nem por uma vez vi um animal sozinho e, muito menos, com sinais de estar abandonado. A mentalidade alemã é muito diferente, acima de tudo são cívicos e não olham apenas para o próprio umbigo. Sabem viver em comunidade e respeitam-se mutuamente. Enquanto estive na Alemanha, tive precisamente essa curiosidade de perceber como conseguiam eles estes "milagres". Então explicaram-me que ter um animal lá é como ter um filho. O estado dá uma espécie de "abono" por cada animal para compensar as despesas com veterinário, alimentação e cuidados básicos. Por isso, é muito frequente verem-se sem-abrigos acompanhados de cães que estão bem mais limpos do que um animal com lar cá em Portugal. Além disso, e como recebem um "abono", a família adoptante é obrigada a tratar bem do animal, desde alimentação, higiene, cuidados na saúde, até ao facto de andar sempre de trela na rua e com o respectivo chip colocado. Assim evita-se que os animais se percam. Para controlar se isto é cumprido (embora os alemães não precisam de ser controlados porque eles próprios têm a necessidade e o civismo de cumprir as regras sociais), é muito comum a polícia pedir os documentos identificativos dos animais para ver se tudo está em ordem. Caso não esteja, os donos terão de pagar uma multa e arriscam-se a ficar sem o animal. Caso alguém passeie na rua um animal sem este ter trela também pode ser multado numa avultada quantia. Era bom que esta política funcionasse em Portugal, mas para que isso acontecesse era preciso fazer-se uma lavagem cerebral aos portugueses. Por fim, queria apenas destacar também os excelentes jardins zoológicos existentes na Alemanha. Cada cenário é reconstituído tendo em conta o animal para que este se sinta mais em casa. Não estão em jaulas como nos nossos mas sim em espaços extremamente verdejantes, enormes, e com apenas uma rede protectora em volta. Ah, para terminar, acrescento apenas, para terem uma ideia da importância que tem um animal na Alemanha,não há proibição na entrada de animais em hotéis nem em centros comerciais. São simplesmente tratados como pessoas. Ao sábado, dia de se sair com a família, o cenário mais comum é ver-se o casal acompanhado pelos filhos e pelos animais de estimação (sempre com trela). Todos bem tratados e todos tratados como gente... Dizia-me um alemão o seguinte: "o que mais me chocou quando estive em Espanha e em Portugal foi ver a quantidade de animais mal tratados na rua. Tão chocado fiquei que não resisti em trazer uma cadelinha que hoje é a minha companhia". Será que terão de ser eles a vir buscar estes nossos pequenos companheiros para que eles possam ser definitivamente felizes?"
Enquanto aguardamos a interpretação de Isolda pela cantora sueca Iréne Theorin no próximo festival de Bayreuth deste mês, podemos escutar aqui o final de Tristão e Isolda através da bela voz de Waltraud Meier, sendo a orquestra dirigida por Daniel Baremboim. Ao ouvir o Liebestod, pergunto-me muitas vezes se é possível alguma vez superar a perfeição musical deste tema.
Encontrei no Expresso este interessante vídeo sobre um carro americano - carros, no plural, por sinal - que anda(m) calmamente sem condutor... se não acredita, vejo o vídeo. Mas por favor não digam que estes carros pensam; pensam tanto como a minha torradeira aqui ao meu lado.
Dois estudos sobre nus, um de Gauguin e outro de Paula Modersohn-Becker. Ambos os pintores pertencem à primeira escola dita expressionista, na qual os trabalhos de Van Gogh, Munch e Egon Schiele são habitualmente catalogados. Ainda hoje o significado do termo "expressionismo" - designado por Roger Fry como "pós-impressionismo" - levanta algumas dúvidas. Para alguns, o termo designa o primado da forma sobre o referente, de tal modo que qualquer conotação é apenas uma modificação da forma e nunca um elemento distinto desta última; por sua vez, o expressionismo é muitas vezes caracterizado como um modo de arte de forte intensidade psicológica revelada pela pregnância das cores e das formas. O mais certo é ser as duas coisas ao mesmo tempo.
Auto-retrato da pintora alemã Paula Modersohn-Becker (1876-1907), um dos principais nomes da primeira escola expressionista. O retrato de Rilke que coloquei recentemente é dela. Aliás, o célebre poema Requiem (1908) de Rilke foi escrito em sua memória, pois a pintora faleceu prematuramente com 31 anos.
"Quem, se eu gritasse, me ouviria dentre as ordens dos anjos? e mesmo que um me apertasse de repente contra o coração: eu morreria da sua existência mais forte. Pois o belo não é senão o começo do terrível que nós podemos ainda suportar (...) E assim eu me reprimo e engulo o chamamento dum soluçar escuro. Ai! de quem poderíamos nós então valer-nos? Nem de anjos, nem de homens, e os bichos perspicazes repararam já que nós não estamos muito confiados em casa neste mundo explicado. Resta-nos talvez qualquer árvore na encosta, que de novo a vejamos diariamente; resta-nos a estrada de ontem e a fidelidade amimada de um costume, que gostou de estar connosco, e por isso ficou e se não foi. (...) Sim as primaveras precisavam de ti. Muitas estrelas esperavam de ti que as sentisses." Rilke, As Elegias de Duíno, trad. de Paulo Quintela
Este filme conta-nos a história de um Billy Elliot israelita chamado Chen, com a diferença que este último apenas se interessa pela dança por causa do amor que sente por uma jovem dançarina de origem russa. É um filme bem interessante que trata de temas bem diversos: a dança, naturalmente; a actual sociedade israelita e, em particular, a tensão com a comunidade russa judia; o amor antes da puberdade. O filme de Eitan Anner tem como título original Sipur Hatzi-Russi que significa, se não estou em erro, História Meio-Russa. Podem ver o trailer aqui:
Uma nova "moritat" ou "canção crime", Hoist the Colours (à inglesa) ou Hoist the Colors (à americana), composta pelo famoso músico alemão Hans Zimmer para o filme de Gore Verbinski, Os Piratas das Caraíbas: no fim do Mundo.
Quer ouvir uma canção que nunca mais lhe sai da cabeça? Então experimente escutar o tema Die Moritat von Mackie Messer, composta por Kurt Weil, com poema de Bertold Brecht. Esta canção insere-se na Ópera dos Três Vinténs (Die Dreigoschenoper, 1928) que, por sua vez, se baseia no Beggar's Opera de John Gray. "Moritat" significa literalmente "delito" (tat)"mortal" (mori) e é um género de baladas associado ao crime; por sua vez, Messer significa "faca" (daí que a canção ser conhecida nos países anglo-saxónicos por Mackie the Knife e nos de língua portuguesa por Mac Navalha). Para saber mais sobre esta canção, clique AQUI. Este tema musical é de tal modo célebre que já foi interpretado por nomes como Louis Armstrong, os Doors, Sting, Sinatra, Ella Fitzgerald, Nick Cave, os Slut, entre tantos outros; por seu lado, Chico Buarque compôs a Ópera do Malandro tendo como base esta obra de Weil e Brecht. Para terminar, deixo-vos aqui igualmente a interpretação dos Slut:
Excelente, excelente filme (nunca pensei está a fazer este elogio a Ben Affleck, mas apenas o conhecia como actor e não como realizador)! Gone Baby Gone (2007) - na versão portuguesa, "Vista pela Última Vez" - é uma história soberba que foi escrita por Dennis Lehane (o mesmo autor do livro Mystic River no qual Clint Eastwood se baseou para realizar um dos seus grandes filmes). O que é fabuloso no filme de Ben Affleck - filme interpretado, aliás, no papel principal pelo seu irmão Casey Affleck -, para lá da óptima realização, é a questão central que todos nós ficamos no fim do filme. Para não desvendar o final da história, apenas direi que está em jogo o velho conflito ético entre os princípios de "autonomia" e de "beneficiência". Pessoalmente compreendo perfeitamente a decisão de Patrick Kenzie (Casey Affleck), embora não me seja difícil entender os argumentos da sua namorada Angie Gennaro (Michelle Monaghan). O que mostra que em muitas questões éticas não basta ter bons argumentos. Mas se não temos argumentos o que é que afinal "temos" quando decidimos? Um grande filme sobre o que poderíamos designar, à falta de melhor termo, como a "ética da convicção".
"Hoje, há noventa e três anos, Viriginia Woolf tinha deixado de escrever o diário que começara nesse ano e encontrava-se deprimida, violenta, agressiva. No meio da sua depressão deixou de dormir e perguntava aos seus amigos como é que faziam à noite. Um deles, talvez o seu cunhado Clive Bell, disse-lhe que todas as noites lia meia dúzia de páginas de Tucídides, descrevendo batalhas ou escaramuças da guerra do Peleponeso. Depois fechava a luz e imaginava-as com todos os precisos detalhes, o cheiro da urze, o barulho das espadas, a pedra onde se sentou um guerreiro de Esparta olhando para o pôr-do-sol enquanto morria, as azeitonas comidas à sombra depois de uma batalha, o pó levantado pelos caminhos, o silêncio. Muitas destas coisas não vinham em Tucídides, inventava-as e permanecia centrado naquilo em que queria pensar e não naquilo em que pensava e não o deixava dormir. Quando não conseguia, voltava a Tucídides".
Dia histórico em função da decisão do Parlamento espanhol em conferir direitos humanos aos grandes símios. Participe no inquérito que o jornal Guardian está a realizar sobre este assunto. Vote AQUI.
Um dos auto-retratos mais estranhos na história da pintura. Caravaggio representa-se a si mesmo nesta cabeça degolada de Golias sob o olhar triunfador de David. É um facto que Caravaggio, o célebre pintor barroco, tinha a sua cabeça a prémio na cidade de Roma...
O blog Diz que não gosta de música clássica? tem vindo a publicar calmamente o ciclo de canções de Schubert, Winterreise (Viagem de Inverno). Uma das canções mais belas do Winterreise é "A Tília" (Der Lindenbaum). Trata-se de um dos poucos casos em que um tema musical clássico se tornou numa canção popular (Volkslied). O autor do blog em questão (Fernando Vasconcelos) não só apresenta uma tradução portuguesa do poema de Wilhelm Müller utilizado por Schubert, como faz referência a uma interpretação muito heterodoxa desta canção. Trata-se da versão da grande cantora grega Nana Mouskouri. É uma interpretação muito bela e original que, como alguém disse algures, apetece estar sempre a ouvir. Pode parecer um lugar-comum, mas ouve-se a "Alemanha" nesta canção. Mas ouve-se também a morte... Thomas Mann, na Montanha Mágica, mostra-nos, quase no final do romance, como a Tília sugere a Hans Cartorp a morte, para lá da sua beleza. Quando li essa passagem pensei apenas que o escritor mais uma vez sublinhava a relação central entre a cultura e a morte, um dos temas centrais do seu pensamento. Agora ao confrontar-me com os versos do poema - que reproduzo na tradução referida - percebo como A Tília é, no essencial, um Canto das Sereias que, como um sortilégio, nos parece convocar para a paz da morte nos momentos de maior aflição.
A Tília
Junto ao poço do portão ergue-se uma tília; quantos sonhos doces embalei à sua sombra. Em seu tronco gravei muitas palavras de amor; na dor e na alegria para ela sempre corri.
Hoje passei por ela no meio da noite profunda e mesmo na escuridão tive que fechar os olhos. E seus galhos sussurravam como se me chamassem: "Venha para cá, amigo, aqui encontrará a paz".
Os ventos frios sopravam na minha face, o chapéu voou-me da cabeça, mas não me voltei para trás. Agora estou a muitas horas de distância daquele lugar mas continuo a ouvir o sussurro: "Aqui você encontrará a paz !"
Der Lindenbaum
Am Brunnen vor dem Tore, Da steht ein Lindenbaum, Ich träumt' in seinem Schatten So manchen süßen Traum. Ich schnitt in seine Rinde So manches liebe Wort, Es zog in Freud' und Leide Zu ihm mich immer fort
Ich mußt' auch heute wandern Vorbei in tiefer Nacht Da hab' ich noch im Dunkel Die Augen zugemacht. Und seine Zweige rauschten, Als riefen sie mir zu: Komm her zu mir, Geselle Hier find'st du deine Ruh'!
Die kalten Winde bliesen Mir grad' ins Angesicht, Der Hut flog mir vom Kopfe, Ich wendete mich nicht. Nun bin ich manche Stunde Entfernt von diesem Ort, Und immer hör' ich's rauschen: Du fändest Ruhe dort!
Iniciou-se, finalmente, a tradução portuguesa de um dos clássicos da literatura mundial: O Romance de Genji (Genji Monogatari) da escritora japonesa do século XI, conhecida como Murasaki Shikibu ou Dama Murasaki. Esta história japonesa é considerada por muitos como o primeiro romance da história da literatura ou, pelo menos, como sendo o primeiro romance psicológico. Cito algumas das opiniões sobre esta narrativa, referidas na edição portuguesa: "um dos grandes clássicos" (W.B. Yeats); "nunca se escreveu nada de melhor, em nenhuma literatura" (Yourcenar); "depois de se ler Murasaki, nunca mais se sentirá de igual maneira o amor ou a paixão. Ela é o génio do desejo e nós os seus aprendizes" (Harold Bloom); "somente comparável aos grandes clássicos ocidentais como Cervantes ou Balzac" (Octavio Paz). A narrativa dos amores do príncipe Genji nunca tem fim nesta história, ficando a questão de saber se esta ausência de um fim narrativo foi ou não intencional. A edição portuguesa que, neste momento, apenas ainda contempla a chamada "Primeira Época" (33 capítulos) é da responsabilidade da Editora Êxodus/7 Dias e 6 Noites, sendo a tradução de Lígia Malheiro. A capa é um encanto e foi criada por Osamu Tatematsu.
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Esculturas do artista alemão Stephan Balkenhol (n.1957). A primeira fica situada em Hamburgo e as duas últimas estão no Neues Museum de Nürnberg (Nuremberga).
"Trabalha-se tão exageradamente no emprego que, depois, até se está demasiado cansado para gozar bem as suas férias. Mas, por muito que se trabalhe, ainda não se obtém o direito de ser tratado por todos com carinho; pelo contrário, está-se só, inteiramente ignorado e mero objecto de curiosidade. E enquanto disseres a gente (man) em vez de eu (ich), isso não é nada e pode-se recitar essa história, mas assim, que confessares a ti que és tu próprio, então, és autenticamente trespassado e ficas aterrorizado… Mas se eu próprio distingo entre a gente (man) e eu (ich), como posso, depois queixar-me dos outros? Talvez eles não sejam injustos, mas estou cansado de mais para me dar conta de tudo. … Não posso fazer como sempre fazia em criança ante tarefas perigosas? Não preciso sequer de ir eu próprio ao campo, isso não é necessário. Mando o meu corpo vestido. Se ele vacilar a caminho da porta do meu quarto, o seu vacilar não revela medo, mas a sua nulidade. Também não é aflição se ele tropeçar na escada, se for para o campo a soluçar e se lá comer a chorar a sua ceia. Pois eu, eu estou, entretanto, deitado na minha cama, bem tapado com uma manta amarelo-acastanhada, exposta ao ar que sopra através do quarto pouco aberto. Tenho, quando estou deitado na cama, a forma duma grande carocha, duma vaca-loira ou de um besouro, creio eu. ... De uma carocha de grande tamanho, sim. E depois fazia como se se tratasse de uma hibernação e encostava as minhas perninhas ao meu corpo abaulado. E sussurro um pequeno número de palavras, que são instruções para o meu triste corpo, o qual se encontra mesmo junto de mim e está curvado. Em breve, acabarei – ele inclina-se, vai-se embora suavemente e executará tudo da melhor maneira, enquanto eu descanso."
Se tiver dificuldades em ver ou ouvir, clique AQUI.
Uma das sitcoms americanas mais divertidas de todos os tempos. O seu último episódio foi visto por mais de 50 milhões de espectadores, só nos Estados Unidos. É também incontável o número de prémios Emmys que recebeu ao longo da sua carreira de 10 anos (1994-2004).
Estive a visitar o site de um dos meus museus preferidos: o Museu Nacional de Arte Antiga. Ora, por mais que procurasse, não encontrei um dos meus quadros favoritos: o Ecce Homo de um pintor português anónimo do século XV. Mas aqui fica uma reprodução dele!
P.S. Smo, julgo que não é possível alterar um questionário depois de alguém ter votado. Mas já é possível ver tendências na votação.... ;-) Repara que a pergunta é bem diferente da anterior. Aproveito esta oportunidade para corrigir um nome: Arnaut Daniel (e não Arnaut, Daniel), considerado por Dante como "il miglior fabbro"
... "Crime e Castigo" de Dostoievsky, considerado pelos leitores do Expresso do Oriente como o melhor romance de todos os tempos. Obteve 36% de votos, mas foi uma vitória tangencial. O "Dom Quixote" de Cervantes ficou em segundo lugar com 33%. Em terceiro lugar, o romance "Cem Anos de Solidão" de Gabriel García Marquéz com 25% de votos. É interessante o facto do "Werther" de Goethe e a "Anna Karenina" de Tolstoi não terem obtido um único voto... O suicídio, como tema literário, tem altos e baixos, por razões que ignoro. E agora convido-vos a participar num novo inquérito: poesia. Nem imaginam como foi difícil fazer uma selecção minimamente apresentável. Por várias razões: não é nada fácil definir o que é uma obra de poesia; em segundo lugar, são poucos os grandes escritores que não escreveram óptima poesia (o facto de alguns não terem escrito não os torna menores...); contrariamente ao romance, a poesia tem uma história muito longa. Decidi assim fazer uma dupla selecção: em primeiro lugar, os grandes textos poéticos tradicionais que, na maioria dos casos, são epopeias anónimas e obras religiosas (o Kalevala, recentemente traduzido para português, vem no fim porque me esqueci dele):, em segundo lugar, os nomes de grandes poetas (sem seleccionar uma determinado poema ou obra). E agora votem! Não acredito que nesta lista não encontrem o vosso poeta favorito! Como habitualmente, podem sempre votar em várias hipóteses. Se não encontrarem o poeta de eleição têm sempre a hipótese: "Other" (está no final da lista)!!!
Elizabeth Siddal (1829-1862), a jovem modelo do pintor Dante Gabriel Rossetti que faleceu com 33 anos ao tomar uma dose excessiva de láudano. Um dos encantos da pintura da escola pré-rafaelita é a conjugação perfeita da espiritualidade medieval com o mundo secular oitocentista. Realiza, assim, um dos grandes ideais do romantismo, ao mesmo tempo que anuncia os chamados "tempos modernos". O êxito desta escola, para lá dos seus méritos intrínsecos, deve muito a Ruskin.
Se ainda se recordam de uma fotografia similar de Heidelberg, a bicicleta é um objecto muito popular na Alemanha. Isto faz-me lembrar que está na altura de comprar uma. O problema - para quem não tem garagem - é onde pô-la... A "solução Seinfeld" (pendurá-la na parede) nunca me pareceu particularmente elegante. Claro que há sempre bicicletas "tipo Clive Sinclair" (o do ZX Spectrum e do Z88), mas algo me diz - apesar de ser desdobrável e pesar apenas 5 quilos - que não me estou a ver a andar numa!
Como o Google, também hoje celebro o nascimento do pintor espanhol Diego Valásquez. Nasceu a 6 de Junho de 1599 em Sevilha. Julgo, no entanto, que poucas pessoas sabem que a sua família era de origem portuguesa. O melhor comentário do quadro que apresento continua a ser - na minha opinião, naturalmente - o texto introdutório de Michel Foucault da obra As Palavras e as Coisas. Confesso que a leitura deste texto teve um papel crucial na minha decisão em tirar um curso de Filosofia.
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Não pensem que perdi o Flocke quando fui visitar Nuremberga (Nürnberg). Nem eu nem os milhares visitantes que ocorrem para ver essa pequena pérola viva da cidade das Nornas (Nuremberga significa a "montanha das Nornas" - estas, segundo a mitologia germânica, fiavam o nosso destino junto de um dos poços que alimentam as raízes da árvore da vida; para os mais distraídos, as Nornas surgem no início do Crepúsculo dos Deuses de Wagner).