sábado, 9 de fevereiro de 2008
Yes, we can
A escritora inglesa Doris Lessing, prémio Nobel da Literatura, apresentou o argumento peregrino segundo o qual seria insensato eleger Barack Obama porque ele seria certamente assassinado se fosse eleito presidente... Este argumento até faria rir se não fosse trágico. Acredito que Hillary Clinton até pode estar muito melhor preparada para ser Presidente dos Estados Unidos do que Barack Obama. Mas será uma candidata credível junto do eleitorado americano conseguindo o tal pleno sempre necessário para as vitórias eleitorais?
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
História da Índia

A História da Índia de Michael Wood é uma série magnífica com o selo de qualidade da BBC. Para lá da informação rigorosa sobre os 10.000 anos do subcontinente indiano, o historiador inglês Michael Wood consegue-nos mostrar as razões culturais pela quais a Índia sempre fascinou o Ocidente. Apenas gravei três dos seis episódios da série que passou aos Domingos na RTP2, mas felizmente existe uma Amazon que me vai permitir colmatar estas falhas. É uma pena a televisão pública não repetir os excelentes documentários didácticos que passam na 2. Custa-me a acreditar que ficam para sempre perdidos nos seus arquivos. Poderiam, pelo menos, vendê-los como faz a BBC.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Identidade Pessoal - Buda

Baixo-relevo em pedra datado do século 2- 3 d.C. (dinastia Kushan). Tudo indica que existia a proibição de representar Siddhata Gotama nos primeiros séculos de difusão do budismo, provavelmente com o receio que o Buda fosse transformado num deus. Neste baixo-relevo é retratado o estranho nascimento de Gotama.
"O Si (atta) é o mestre de si próprio. Quem mais poderia ser o mestre?"
Buda, Dhammapada, (XII) &160
P.S. O termo "atta" (ou "atman" em sânscrito) pode e deve ser traduzido por Si (termo português correspondente ao Self, Soi, Selbst).
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Identidade Pessoal - Agostinho
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"Que enorme força está na memória! Meu Deus, é algo que ignoro que inspira horror, tal a sua profundidade e infinita multiplicidade; e isso é o meu espírito, e isso sou eu. Quem sou, meu Deus? Qual é a minha natureza?"
"Magna uis est memoriae, nescio quid horrendum, deus meus, profunda et infinita multiplicitas; et hoc animus est, et hoc ego ipsum sum. Quid ergo sum, deus meus? Quae natura sum?"
Santo Agostinho, Confissões, Livro X, XVII, 26
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
6 graus

Seis graus de aumento da temperatura parece pouco... por exemplo, não me importaria nada que a temperatura subisse agora mais uns graus. Quem é que não está já farto do frio do Inverno? Mas o que aconteceria se a temperatura global do planeta subisse esse valor? Experimente ver esta série de vídeos que nos mostra os efeitos ambientais do aumento de temperatura. Grau a grau... Clique aqui em PLAY.
P.S. desculpas prévias por um anúncio de reciclagem.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Lágrimas geladas
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Kronos Quartet

Kronos Quartet é um quarteto de cordas americano fundado em 1973. Este conjunto tem produzido e interpretado o que de mais importante se tem criado na esfera musical contemporânea. Está, assim, ligado a nomes cruciais da estética musical actual, como são o caso de Arvo Pärt, Gorecki, Steve Reich, Terry Riley ou Philip Glass. Inesquecível a sua interpretação de Carlos Paredes no CD Caravan. Infelizmente não tenho nenhum vídeo desta última interpretação, mas deixo-vos aqui com uma composição de Philip Glass:
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Um estranho sonho

Ontem tive um sonho estranho. Foi um sonho filosófico, mas como todos os sonhos muito imagético. Via sequências de números passando vertiginosamente à minha frente. Foi um sonho a preto e branco, em que os números surgiam a branco sobre um fundo preto. No final daquela sequência de números - e ainda antes de acordar - surgiu-me claro como água o que passo a dizer:
Tudo o que existe tem uma causa. Nada existe que não seja efeito de outra coisa. Será, assim, possível falar-se racionalmente de uma causa primeira? Imaginemos que numerávamos sequencialmente um conjunto de efeitos e suas respectivas causas. Por exemplo, o evento 8 teria como causa o evento 7, este último como causa o evento 6, e assim por diante. Será que poderíamos chamar 1 à primeira causa? Não seria lógico perguntarmo-nos sobre o que tinha causado 1? Por que razão parar num 1? É, aliás, essa a crítica de Bertrand Russell ao argumento cosmológico da existência de Deus formulado por Aquino. Numa primeira análise, o argumento diz o seguinte: tudo tem uma causa, logo há uma causa primeira, uma causa incausada. Para B.R. este argumento era absurdo porque refutava na conclusão (há uma causa incausada) o que afirmava nas premissas (tudo tem uma causa).
Mas será que São Tomás tinha em mente a primeira causa como sendo o 1 de uma sequência de causas e efeitos? O meu sonho diz que não. A primeira causa refere-se àquela que põe em movimento a própria sequência de causas e efeitos. Voltando a utilizar a analogia dos números, a causa primeira é a expressão do que provoca a passagem radical, abrupta, do 0 a 1. Do 0 nada pode suceder. O 1 tem a mesma natureza do que outros números, apenas diferenciando-se por não se poder regredir mais. Se quisermos um outro tipo de analogia - agora física - o 1 é como a singularidade do "big bang". A causa primeira é o que permite que em vez do 0 exista uma sequência de 1,2,3,...
O meu sonho disse-me que só existem existem duas teorias racionais sobre o mundo: a de São Tomas ao defender que existe uma causa primeira, a que ele chama Ser ou Deus. A segunda é a de Espinosa (Spinoza) que defende que a Natureza ou Deus é causa de si. Racionalmente não vejo outras hipóteses. Não tem, por exemplo, nenhum sentido afirmar-se que do nada, através do nada, surgiu algo a que se chama mundo físico.
Como decidir entre São Tomás e Espinosa? As duas teorias filosóficas são tão coerentes e racionais uma como outra. Em função do que se conhece dos factos, a do São Tomás até é a mais credível pois tudo indica que o universo não é eterno. Mas Espinosa talvez argumentasse que, se assim é, provavelmente a natureza é composta por um número infinito de mundos do qual só conhecemos um.
E assim sonhei. Como todos os sonhos, absurdo, dirão muitos!!
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Wu Man

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Um dos nomes fulgurantes da música contemporânea, conhecida pelas suas interpretações deslumbrantes de pipa, o alaúde chinês.
Vale a pena visitar o seu site, onde pode mesmo interpretar este instrumento com uma sonoridade única e maravilhosa. Experimente também ouvir vários temas musicais. Uma boa introdução à sonoridade da pipa é o tema, "Dancing". Não perca o "Hangzhou Blues", uma das melhores composições dela.
Wu Man vive nos Estados Unidos e recentemente deu um concerto na Casa Branca com outro ilustre chinês, Yo-Yo Ma (melhor dizendo, nasceu em Paris, mas a família é chinesa).
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domingo, 27 de janeiro de 2008
Hotel Pro Forma

Neste último fim-de-semana, no CCB. Espectáculo absolutamente deslumbrante. Encenação obtida através da relação entre a imagem, a luz, as cores e o canto sinfónico. Música de Bo Holten, John Cage e Christoph Willibald Gluck (Orfeu e Eurídice). Produção de Kirsten Dehlholm, cenografia de Maja Ravn e libreto de Ib Michael.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
24 Velas para o dia 24
Hoje faz anos o Macintosh lançado a 24 de Janeiro desse mítico ano de "1984" pela Apple. Veja aqui a célebre apresentação do primeiro Macintosh.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Operação: Orfeu
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Elegância

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Fotografia de canadia-eh. Simplicidade, beleza e forma significante. Clive Bell dixit.
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Shakuhachi em Portugal

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25 de Janeiro, às 21h
Do programa: "A shakuhachi (尺八) é uma flauta (...). Em japonês chama-se O Shaku Ha Sun. O seu nome provém duma medida japonesa muito antiga (...) Esta extraordinária flauta provém da China e entra no Japão no começo do período Tang, no sec. VII. (...)
Honkyoku (本曲) é o género de shakuhachi em que se baseia a interpretação de antigas peças de música de origem Zen. (...) Esta flauta japonesa é um instrumento de grande expressividade, subtileza e dinamismo, convidando o intérprete e o ouvinte a uma atmosfera de contemplação. (...)
Acerca do Intérprete
Antonio Olías – Professor, intérprete, compositor e improvisador de shakuhachi. A sua curiosidade, inquietude, motivação levaram-no a explorar diferentes linguagens e disciplinas musicais. Viajou a Austrália em duas ocasiões, (2001 – 2004) onde ingressou no Victorian College of the Arts para cursar estudos de shakuhachi com Anne Norman “Dokyoku Ryu e Kinko Ryu Chikumeisha” e na Japan World Music School com Andrew MacGregor. Continuou os estudos de shakuhachi em SOAS University of London “School of Oriental and African Studies” sob la direcção de Michael Coxall "Kinko Ryu Chikumeisha".Antonio foi bolseiro da Gen Foundation de Londres no ano 2004 e bolseiro pela AIE "Asociación de Artistas Intérpretes e Ejecutantes" nos anos 2006 e 2007, para aprofundar o estudo do shakuhachi em Tokyo, com os mestres Tanaka Komei "Kinko Ryu Chikumeisha", Teruhisa Fukuda “estilo contemporâneo”, Shôzan Tanabe “Tozan-Ryu” y Katô Hidekazu “Dokyoku Ryu”."
Iniciativa com o apoio da Fundação da Casa de Bragança
ENTRADA LIVRE
Para mais informação, clique AQUI.
domingo, 20 de janeiro de 2008
Livro Negro

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Neste nosso dia "holandês", não gostaria de deixar de fazer referência a um recente filme com o título Zwartboek, Livro Negro. Produzido em 2006, mas só exibido em Portugal em 2007, este é o filme mais caro alguma vez feita na Holanda. Esta obra cinematográfica foi realizada por Paul Verhoeven, nome bem conhecido pelos seus filmes, Basic Instinct (1992) e Total Recall (filme de ficção científica baseado num conto de Philip Dick). O Livro Negro não tem a densidade dramática da Lista de Schindler, mas é um dos filmes mais interessantes sobre a resistência à ocupação nazi da Europa (neste caso, à ocupação dos Países Baixos). A qualidade do filme deve muito à interpretação da actriz holandesa Carice von Houten assim como à reconstituição da época. Diga-se que Carice, para lá de não ter um minuto de descanso no filme, interpreta ela mesma as 'suas' canções, como fala fluentemente quatro das línguas do filme: naturalmente o holandês, mas também o hebreu, o alemão e o inglês. O filme obteve o prémio do melhor filme internacional do Festival de Veneza de 2006.
Tom Schulten

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Tom Schulten (n.1938) é um dos pintores mais famosos da Holanda. Pinta os seus temas com grandes blocos coloridos com preferência pelos azuis e pelos vermelhos. É considerado o fundador da escola "consensismo" (não me perguntem o que é...). Apesar das relações históricas entre Portugal e Holanda terem sido muito intensas - afinal o "nosso" grande filósofo Espinosa/Spinoza nasceu lá... - o desconhecimento é mútuo. Uma sobrinha minha esteve lá recentemente e quando ela se identificou como portuguesa a resposta foi, no mínimo, exótica: "Ah, vem da América do Sul"!!! O neerlandês apesar de soar aos nossos ouvidos com uma língua muito áspera, rolada e gutural, é, a meu ver, muito bela e já faz parte dos meus planos aprendê-la.
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