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quinta-feira, 28 de julho de 2005
segunda-feira, 26 de julho de 2004
Baudelaire e o Tannhäuser
"Je me souviens que, dès les premières mesures, je subis une de ces impressions heureuses que presque tous les hommes imaginatifs ont connues, par le rêve, dans le sommeil. Je me sentis délivré des liens de la pesanteur, et je retrouvai par le souvenir l'extraordinaire volupté qui circule dans les lieux hauts (notons en passant que je ne connaissais pas le programme cité tout à l'heure). Ensuite je me peignis involontairement l'état délicieux d'un homme en proie à une grande rêverie dans une solitude absolue, mais une solitude avec un immense horizon et une large lumière diffuse ; l'immensité sans autre décor qu'elle-même. Bientôt j'éprouvai la sensation d'une clarté plus vive, d'une intensité de lumière croissant avec une telle rapidité, que les nuances fournies par le dictionnaire ne suffiraient pas à exprimer ce surcroît toujours renaissant d'ardeur et de blancheur. Alors je conçus pleinement l'idée d'une âme se mouvant dans un milieu lumineux, d'une extase faite de volupté et de connaissance, et planant au-dessus et bien loin du monde naturel."
Wagner em Paris
É lendário o tumulto que rodeou a estreia da obra de Stravinsky,"A Sagração da Primavera" em Paris, no ano de 1913. Menos conhecida, mas não menos significativa, foi a recepção parisiense ao "Tannhäuser" de Wagner em 1861. Paris era nessa época a capital da ópera, a um ponto tal que, esta última, era considerada um assunto de Estado. Qualquer compositor que quisesse triunfar no mundo musical teria que se apresentar em Paris. Após múltiplas tentativas, Wagner consegue exibir finalmente o "Tannhäuser" ao público parisiense. Segundo reza a lenda, imperava sobre a ópera de Paris um clube conhecido como o Jockey Club, cujos membros pertenciam à aristocracia e à burguesia rica da capital francesa. Ao que parece, costumavam jantar até tarde e só apareciam no segundo Acto. E porquê no segundo acto? Pela simples razão que na ópera parisiense era regra de ouro haver uma cena de ballet no segundo acto que era apreciado, não tanto como dança, mas, sim, como uma passagem de modelos. Wagner querendo inovar - e não conhecendo o exótico costume... - colocou a cena de dança no primeiro acto. Pode-se imaginar a estupefacção e o desagrado dos membros do Jockey Club quando se aperceberam que tinham perdido o "ballet"... Para piorar as coisas, Wagner não só era alemão como tinha sido recomendado pela princesa Metternich. Os assobios, os apupos, as manifestações anti-austríacas e alemãs irromperam por todo o lado; como alguns wagnerianos procuraram defender o seu mestre, houve cenas de pugilato que obrigaram os cantores a sentarem-se no palco durante mais de 15 minutos...Hoje, o "Tannhäuser" é uma das obras mais populares da música ocidental em França e em todo o mundo.
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Tannhäuser
O Festival de Bayreuth continua hoje com a apresentação do Tannhäuser (15h, hora de Lisboa). A produção artística estará a cargo de Philippe Arlaud e o maestro será Christiann Thielemann. No papel de Tannhäuser estará o tenor Stephen Gould, enquanto as interpretações de Vénus e de Elisabeth serão protagonizadas por Judith Nemeth e Ricarda Merbeth. Contrariamente ao Parsifal de ontem, não se trata de uma estreia. Espero poder ouvir o Tannhäuser novamente pela internet.
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