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quinta-feira, 10 de maio de 2007

What is it like to be a cat?


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Bem dizia António Damásio que as emoções são a alma tornada visível.

domingo, 3 de julho de 2005

Medos

Recentemente o blog Alicerces transcreveu uma interessante entrevista de António Damásio à revista francesa L'Express. Traduzo uma passagem:

"António Damásio: A mosca - que apenas possui um sistema nervoso minúsculo - experimenta, ela também, emoções: se a irritarmos, ela põe-se a voar em todas as direcções para evitar ser esmagada. Veja o caso da Aplysia, um pequeno caracol do mar. Se o tocarmos, ele retrai-se, o seu coração começa a bater com maior rapidez, a sua pressão sanguínea aumenta, observando-se a emissão de hormonas em todo o corpo, e o animal emite tinta negra para se esconder face do predador.

Dominique Simmonet: Não me diga que ele tem medo?!

António Damásio: Claro que sim! Assiste-se a um miniconcerto desta emoção que se designa, com efeito, por "medo" e que também nos afecta tal como a este caracol. Mas há uma outra questão: será que a Aplysia sente para si o medo? Neste ponto, duvido. Este animal não representa esta emoção para si próprio, não a pensa, diferentemente de espécies animais complexas que têm, além disso, uma gama de emoções sociais: a simpatia, o embaraço, a vergonha, a culpabilidade, o orgulho, a inveja, a gratidão, a admiração, a indignação, o desprezo... Os pássaros, os cães, os macacos experienciam para si próprios a emoção, o que quer dizer que eles têm a possibilidade de estabelecer uma relação entre a reacção automática do seu organismo e o objecto, o evento ou a pessoa que esteve na sua origem. (...) Penso que os pássaros e os mamíferos têm sentimentos. Ficaria muito surprendido se eles não os tivessem. Os comportamentos destes animais são muito próximos dos humanos."

segunda-feira, 14 de março de 2005

Verbalizando a consciência de si

"A linguagem, com as suas palavras e frases, (...) é uma conversão de imagens não linguísticas que representam entidades, eventos, relações e inferências. Se a linguagem funciona em relação ao si e à consciência do mesmo modo que funciona para todas as outras coisas, ou seja, simbolizando em palavras e frases aquilo que começa por existir sob uma forma não verbal, então deverá existir um si (self) não verbal e um conhecimento não verbal para os quais as palavras «eu» e ««mim» ou a frase «eu conheço» constituem as traduções apropriadas, em qualquer linguagem. Julgo que é inteiramente legítimo pegar na frase «eu sei» e deduzir, a partir dela, a presença duma imagem não verbal de conhecimento centrada num si que precede e motiva essa frase verbal.
A ideia de que o si e a consciência deveriam emergir após a linguagem e de que seriam uma construção directa da linguagem não parece ser correcta."

António R.Damásio, O Sentimento de Si, p.134

sábado, 12 de março de 2005

A Consciência e a Linguagem

"Nos tempos em que estudava medicina e neurologia, lembro-me de perguntar a algumas das pessoas mais sábias que me rodeavam como é que produzíamos a mente consciente. Curiosamente, a resposta era sempre a mesma: o segredo está na linguagem. Diziam-me que as criaturas sem linguagem estavam limitadas à sua ignorante existência, ao contrário de nós, felizardos humanos, a quem a linguagem permitia conhecer. A consciência era uma interpretação verbal dos processos mentais em curso. (...) Esta resposta pareceu-me sempre muito simples, simples demais (...) E a resposta não só era simples, mas também improvável, dado aquilo que me era dado ver sempre que visitava o Jardim Zoológico. Nunca acreditei na resposta e agrada-me muito nunca ter acreditado."
António R. Damásio, O Sentimento de Si, p.133; ed.ingl. p.106

P.S. Este post é dedicado aos meus blogs "irmãos", Papoila procria, A Fonte do Horácio e Púrpura Rosa. Algo me diz que Divas & Contrabaixos e outros blogs também o compreendem...;-)