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sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Do Crepúsculo à "Waste Land"


Apenas esta imagem espantosa de Brunilde garantiria a Patrice Chéreau a entrada nos campos elísios da arte contemporânea (cf. a versão do centenário do Anel de Wagner).
Vendo-a, tive uma intuição, provavelmente disparatada ou, quanto muito, já muito tratada... não haverá uma relação entre esta "percepção do fim do mundo" (I saw the world's end ...) e a compreensão da «Waste Land» do Parsifal? Em termo simples, será que Wagner, ao matar o último dos heróis (Siegfried), apreendeu aquilo que, de formas diferentes, Spengler ou George Steiner anunciam (a crise da civilização ocidental)?

Parsifal, a criança-herói, o anti-herói, entrando no reino de Kundry

terça-feira, 26 de julho de 2005

Mais imagens de Bayreuth

O blog Wagner Operas apresenta mais imagens do Tristão e Isolda, na interpretação do suíço Christoph Marthaler. Mais uma vez se vê a sombra do Anel de 76 sobre as novas produções wagnerianas. Mas enquanto a versão de Patrice Chéreau era brilhante em termos estéticos, sabendo combinar genialmente o sublime e o neoclassicismo, as "cópias" são exactamente aquilo que são: cópias.

terça-feira, 6 de julho de 2004

A Sombra de Chéreau

Foi certamente uma triste notícia, para quase todos os wagnerianos, o abandono de Lars von Trier da produção do “Anel do Nibelungo”, programada para a edição de 2006 do festival de Bayreuth. A razão apontada – no mundo em que vivemos – não deixa de ser curiosa. O realizador, depois de vários anos de trabalho, declara que não se sente à altura. Confissão de humildade que contrasta com as declarações de Konwitschny segundo as quais o facto de nunca ter sido convidado para o Festspiel de Bayreuth era “uma perda para a Alemanha”. Depois de vários contratos já assinados, não vai ser nada fácil substituir o realizador dinamarquês. Pergunto-me se Wolfgang Wagner e a sua devota filha, antes de tomarem uma decisão, não vão esperar pela exibição do Parsifal de Christoph Schlingensief no próximo dia 25 em Bayreuth… em tempo de crise, nada melhor do que um escândalo. Já passaram quase trinta anos e a sombra genial de Patrice Chéreau envolve ainda qualquer anel que se preze.