"Der moderne Buchdruck" ("A moderna impressão de livros") - escultura berlinense de 2006, situada na zona de Unter der Linden, que celebra Joahnnes Gutenberg o criador da imprensa e do primeiro Bestseller, a Bíblia. Como é evidente, a selecção dos autores traduz sempre o gosto literário vigente e, deste modo, simboliza as preocupações de uma época (e, neste caso, de um país). De cima para baixo: Günther Grass, Hannah Arendt, Heinrich Heine, Lutero, Kant, Anna Seghers, Hegel, Irmãos Grimm, Marx, Heinrich Böll, Schiller, Lessing, Hermann Hesse, Theodor Fontane, Thomas Mann, Brecht e Goethe. Como diz George Steiner, o maravilhoso de um bom livro é que perdurará para lá de todos os objectos, por mais resistentes que nos pareçam, ou, como diz Mallarmé, o sentido deste mundo tem um nome e chama-se "livro" (qualquer que seja a sua forma).
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Livros
"Der moderne Buchdruck" ("A moderna impressão de livros") - escultura berlinense de 2006, situada na zona de Unter der Linden, que celebra Joahnnes Gutenberg o criador da imprensa e do primeiro Bestseller, a Bíblia. Como é evidente, a selecção dos autores traduz sempre o gosto literário vigente e, deste modo, simboliza as preocupações de uma época (e, neste caso, de um país). De cima para baixo: Günther Grass, Hannah Arendt, Heinrich Heine, Lutero, Kant, Anna Seghers, Hegel, Irmãos Grimm, Marx, Heinrich Böll, Schiller, Lessing, Hermann Hesse, Theodor Fontane, Thomas Mann, Brecht e Goethe. Como diz George Steiner, o maravilhoso de um bom livro é que perdurará para lá de todos os objectos, por mais resistentes que nos pareçam, ou, como diz Mallarmé, o sentido deste mundo tem um nome e chama-se "livro" (qualquer que seja a sua forma).
quarta-feira, 3 de novembro de 2004
O olhar e o grito de raiva
« Mon oeil, trouant les joncs, dardait chaque encolure
Immortelle, qui noie en l'onde sa brûlure
Avec un cri de rage au ciel de la forêt;
Et le splendide bain de cheveux disparaît
Dans les clartés et les frissons, ô pierreries!
(…)
De roses tarissant tout parfum au soleil,
Où notre ébat au jour consumé soit pareil. »
«O meu olhar, penetrando os juncos, dardejava cada abertura
Imortal que afoga seus ardores na onda
Com um grito de raiva ao céu da floresta;
E o esplêndido banho de cabelos desaparecia
Nas claridades e tremores, ó pedras preciosas!
(…)
De rosas esgotando todo o perfume ao sol,
Onde o nosso prazer consumado seja igual»
Mallarmé, L’après-midi d’un faune (excerto)
Immortelle, qui noie en l'onde sa brûlure
Avec un cri de rage au ciel de la forêt;
Et le splendide bain de cheveux disparaît
Dans les clartés et les frissons, ô pierreries!
(…)
De roses tarissant tout parfum au soleil,
Où notre ébat au jour consumé soit pareil. »
«O meu olhar, penetrando os juncos, dardejava cada abertura
Imortal que afoga seus ardores na onda
Com um grito de raiva ao céu da floresta;
E o esplêndido banho de cabelos desaparecia
Nas claridades e tremores, ó pedras preciosas!
(…)
De rosas esgotando todo o perfume ao sol,
Onde o nosso prazer consumado seja igual»
Mallarmé, L’après-midi d’un faune (excerto)
quarta-feira, 14 de julho de 2004
Exhilaration - Northrop Frye
O que é que faz este "ocidental" no Expresso do Oriente? O "decode" deste "code" é muito simples: Frye, mais do que qualquer outro autor, mostrou-nos a vertente mitológica da literatura ocidental, em particular aquela que se lê no "Orient-Express". Este canadiano é um autor sistemático, hiper-sistemático... E, no entanto, o que sobressai da sua obra é a "exhilaration". Segundo Frye, a verdadeira interpretação literária é anagógica. Anagogia significa conceptualmente "arrebatamento", "êxtase". Na Grécia Antiga, as anagogias eram momentos únicos da alma quando esta presenciava as viagens das divindades entre os templos. Para Frye, uma interpretação anagógica é aquela que consegue consagrar todo o mundo, todas as experiências do real no interior da sua própria unidade literária. Na frase conhecida de Mallarmé, que Frye adora citar, “tudo no mundo existe para chegar a um livro.” A grande literatura, mesmo que aborda temas trágicos e “demoníacos”, é, por si mesma, “esfusiante”, "alegria pura".
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Teoria da Literatura
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