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sábado, 16 de abril de 2005

O Sexto Sentido

"Geralmente, acreditamos que os outros seres humanos são conscientes e quase toda a gente acredita que outros mamíferos e as aves são também conscientes. Mas as pessoas nem sempre concordem sobre se os peixes ou os insectos, as minhocas e as alforrecas, são conscientes. As pessoas têm ainda mais dúvidas sobre se animais unicelulares, como as amebas e as paramécias, têm experiências conscientes, ainda que essas criaturas reajam claramente a estímulos de diversos tipos. A maior parte das pessoas acreditam que as plantas não são conscientes e quase ninguém acredita que as pedras ou os lenços de papel ou os automóveis ou os lagos das montanhas ou os cigarros sejam conscientes. Para tomar outro exemplo biológico, a maioria de nós diria, se pensássemos nisso, que as células individuais que compõem os nossos corpos não têm experiência consciente. Mas como é que sabemos estas coisas todas?"
Thomas Nagel

segunda-feira, 14 de março de 2005

Verbalizando a consciência de si

"A linguagem, com as suas palavras e frases, (...) é uma conversão de imagens não linguísticas que representam entidades, eventos, relações e inferências. Se a linguagem funciona em relação ao si e à consciência do mesmo modo que funciona para todas as outras coisas, ou seja, simbolizando em palavras e frases aquilo que começa por existir sob uma forma não verbal, então deverá existir um si (self) não verbal e um conhecimento não verbal para os quais as palavras «eu» e ««mim» ou a frase «eu conheço» constituem as traduções apropriadas, em qualquer linguagem. Julgo que é inteiramente legítimo pegar na frase «eu sei» e deduzir, a partir dela, a presença duma imagem não verbal de conhecimento centrada num si que precede e motiva essa frase verbal.
A ideia de que o si e a consciência deveriam emergir após a linguagem e de que seriam uma construção directa da linguagem não parece ser correcta."

António R.Damásio, O Sentimento de Si, p.134

sábado, 12 de março de 2005

A Consciência e a Linguagem

"Nos tempos em que estudava medicina e neurologia, lembro-me de perguntar a algumas das pessoas mais sábias que me rodeavam como é que produzíamos a mente consciente. Curiosamente, a resposta era sempre a mesma: o segredo está na linguagem. Diziam-me que as criaturas sem linguagem estavam limitadas à sua ignorante existência, ao contrário de nós, felizardos humanos, a quem a linguagem permitia conhecer. A consciência era uma interpretação verbal dos processos mentais em curso. (...) Esta resposta pareceu-me sempre muito simples, simples demais (...) E a resposta não só era simples, mas também improvável, dado aquilo que me era dado ver sempre que visitava o Jardim Zoológico. Nunca acreditei na resposta e agrada-me muito nunca ter acreditado."
António R. Damásio, O Sentimento de Si, p.133; ed.ingl. p.106

P.S. Este post é dedicado aos meus blogs "irmãos", Papoila procria, A Fonte do Horácio e Púrpura Rosa. Algo me diz que Divas & Contrabaixos e outros blogs também o compreendem...;-)