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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Maiakovsky




Vladimir Maiakovsky (ou Maiakovski), poeta russo futurista, um dos grandes nomes da arte modernista dos anos 20. Acusado de formalista por Estaline, é perseguido e suicida-se em 1930.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Tennyson



"Behold, we know not anything;
I can but trust that good shall fall
At last–far off–at last, to all,
And every winter change to spring

So runs my dream, but what am I?
An infant crying in the night
An infant crying for the light
And with no language but a cry."
Tennyson, In Memoriam A.H.H.(1849), Canto LIV.

Excerto do poema preferido da era vitoriana e naturalmente da própria Rainha Vitória.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Floresta


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Fotografia de Aka Dito na zona de Toronto

Nel mezzo del cammin di nostra vita,
mi ritrovai per una selva oscura,
ché la diritta via era smarrita.

Dante, Commedia

tradução de Vasco Graça Moura

"No meio do caminho em nossa vida,
eu me encontrei por uma selva escura
porque a direita via era perdida."

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Son nom est personne...


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O júri do Expresso do Oriente votou e decidiu atribuir o primeiro prémio de poesia a Fernando Pessoa com 30% de votos; o segundo lugar foi para o poeta americano, naturalizado inglês, T.S. Eliot, com 25% de votos; em terceiro lugar encontramos ex aequo o poeta alemão Rainer Maria Rilke e o dramaturgo/poeta inglês William Shakespeare. Ambos obtiveram 23% dos votos dos nossos leitores.
Amanhã iniciaremos uma nova votação, dedicada aos melhores filmes de ficção científica. Ainda pensei fazer uma lista dos melhores filmes de sempre, mas foi fácil concluir que a lista de possibilidade seria quase infinita. E, assim, iremos votando por géneros, para depois escolhermos o melhor filme a partir dos primeiros lugares de cada um dos conjuntos cinematográficos.

domingo, 20 de julho de 2008

Loreley


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Loreley - ou Lorelei/Lore-Ley - é simultaneamente uma ninfa e um rochedo. Esta ninfa senta-se num rochedo junto ao rio Reno, no local onde os Nibelungos guardaram o seu tesouro sob a protecção dos elfos. Ela atrai fatidicamente os marinheiros de encontro à falésia. O termo "Loreley" significa literalmente um "rochedo murmurante", tendo esta zona sido consagrada pela poesia e música alemãs.




Poema

Ich weiß nicht, was soll es bedeuten,
Daß ich so traurig bin;
Ein Märchen aus alten Zeiten,
Das kommt mir nicht aus dem Sinn.

Die Luft ist kühl, und es dunkelt,
Un ruhig fließt der Rhein;
Der Gipfel des Berges funkelt
In Abendsonnenschein.

Die schönste Jungfrau sitzet
Dort oben wunderbar,
Ihr goldenes Geschmeide blitzet,
Sie kämmt ihr goldenes Haar.

Sie kämmt es mit goldenem Kamme
Und singt ein Leid dabei;
Das hat eine wundersame,
Gewaltige Melodei.

Den Schiffer im kleinen Schiffe
Ergreift es mit wildem Weh;
Er schaut nicht die Felsenriffe,
Er schaut nur hinauf in die Höh'.

Ich glaube, die Wellen verschlingen
Am Ende Schiffer uns Kahn;
Und das hat mit ihrem Singen
Die Lorelei getan.

Heinrich Heine

Tradução

Não sei como explicar
Estar tão triste;
Uma lenda de tempos antigos
Não me sai da cabeça.

O ar está frio e já escurece,
E calmo flui o Reno;
O pico da montanha brilha
Ao entardecer.

Uma virgem senta-se
Lá em cima, maravilhosa;
As suas jóias de ouro cintilam,
enquanto ela penteia os seus cabelos dourados.

Ela penteia-os com o seu pente dourado
E canta uma canção;
Era uma melodia maravilhosa,
Plena de força.

O marinheiro num pequeno barco
Escuta-a com uma angústia selvagem;
Ele não vê os rochedos,
Ele olha apenas para cima.

Creio que as ondas engoliram
o marinheiro e a sua embarcação;
E com esta canção
Assim fez o Loreley.

Henrich Heine

terça-feira, 15 de julho de 2008

Checkout


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Quadro de Chagall sobre a expulsão de Adão e Eva do Paraíso.

"Quem é que assim nos virou, de tal forma
que, em tudo o que façamos, estamos sempre na atitude
de alguém que parte? Como esse que parte,
no alto da última colina que mais uma vez
lhe mostra todo o seu vale, se volta, pára e se demora -
assim vivemos nós, sempre a despedir-nos."
Rilke, Oitava Elegia, in Elegias de Duíno, trad. Paulo Quintela

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Elegia


"Quem, se eu gritasse, me ouviria dentre as ordens
dos anjos? e mesmo que um me apertasse
de repente contra o coração: eu morreria da sua
existência mais forte. Pois o belo não é senão
o começo do terrível que nós podemos ainda suportar
(...)
E assim eu me reprimo e engulo o chamamento
dum soluçar escuro. Ai! de quem poderíamos
nós então valer-nos? Nem de anjos, nem de homens,
e os bichos perspicazes repararam já
que nós não estamos muito confiados em casa
neste mundo explicado. Resta-nos talvez
qualquer árvore na encosta, que de novo a vejamos
diariamente; resta-nos a estrada de ontem
e a fidelidade amimada de um costume,
que gostou de estar connosco, e por isso ficou e se não foi.
(...)
Sim as primaveras precisavam de ti. Muitas estrelas
esperavam de ti que as sentisses."
Rilke, As Elegias de Duíno, trad. de Paulo Quintela

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Fugiu?


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Estive a visitar o site de um dos meus museus preferidos: o Museu Nacional de Arte Antiga. Ora, por mais que procurasse, não encontrei um dos meus quadros favoritos: o Ecce Homo de um pintor português anónimo do século XV. Mas aqui fica uma reprodução dele!

P.S. Smo, julgo que não é possível alterar um questionário depois de alguém ter votado. Mas já é possível ver tendências na votação.... ;-) Repara que a pergunta é bem diferente da anterior.
Aproveito esta oportunidade para corrigir um nome: Arnaut Daniel (e não Arnaut, Daniel), considerado por Dante como "il miglior fabbro"

quarta-feira, 11 de junho de 2008

And the winner is...


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... "Crime e Castigo" de Dostoievsky, considerado pelos leitores do Expresso do Oriente como o melhor romance de todos os tempos. Obteve 36% de votos, mas foi uma vitória tangencial. O "Dom Quixote" de Cervantes ficou em segundo lugar com 33%. Em terceiro lugar, o romance "Cem Anos de Solidão" de Gabriel García Marquéz com 25% de votos. É interessante o facto do "Werther" de Goethe e a "Anna Karenina" de Tolstoi não terem obtido um único voto... O suicídio, como tema literário, tem altos e baixos, por razões que ignoro.
E agora convido-vos a participar num novo inquérito: poesia. Nem imaginam como foi difícil fazer uma selecção minimamente apresentável. Por várias razões: não é nada fácil definir o que é uma obra de poesia; em segundo lugar, são poucos os grandes escritores que não escreveram óptima poesia (o facto de alguns não terem escrito não os torna menores...); contrariamente ao romance, a poesia tem uma história muito longa.
Decidi assim fazer uma dupla selecção: em primeiro lugar, os grandes textos poéticos tradicionais que, na maioria dos casos, são epopeias anónimas e obras religiosas (o Kalevala, recentemente traduzido para português, vem no fim porque me esqueci dele):, em segundo lugar, os nomes de grandes poetas (sem seleccionar uma determinado poema ou obra). E agora votem! Não acredito que nesta lista não encontrem o vosso poeta favorito! Como habitualmente, podem sempre votar em várias hipóteses. Se não encontrarem o poeta de eleição têm sempre a hipótese: "Other" (está no final da lista)!!!

sexta-feira, 30 de junho de 2006

Duccio e a Arte de Siena


"Duccio came not by usura"
Ezra Pound, Cantos XLV
"Duccio não proveio da usura"

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Memling e a Arte Flamenga


"[With usura]Emerald findeth no Memling"
Ezra Pound, Canto XLV, Cantos
"[Com a usura] a Esmeralda não encontra nenhum Memling"

terça-feira, 27 de junho de 2006

Bellini e a arte de Veneza


"Zuan Bellin's not by usura" (Ezra Pound, Cantos, XLV)
"Zuan Bellini não proveio da usura"

sábado, 3 de junho de 2006

Canções com lágrimas de alegria - Jerusalém



Música de Charles Hubert Hastings Parry de 1916
Poema de William Blake
Gravura de William Blake

"JERUSALEM

And did those feet in ancient time
Walk upon England's mountains green?
And was the holy Lamb of God
On England's pleasant pastures seen?
And did the Countenance Divine
Shine forth upon our clouded hills?
And was Jerusalem builded here
Among these dark Satanic Mills?
Bring me my Bow of burning gold:
Bring me my Arrows of desire:
Bring me my Spear! O clouds unfold!
Bring me my Chariot of fire.
I will not cease from Mental Fight,
Nor shall my Sword sleep in my hand
Till we have built Jerusalem
In England's green and pleasant land."

Milton (1804-1808)
William Blake

domingo, 21 de maio de 2006

Bertran de Born


"Pennons and standards y cavals armatz" ("Flâmulas e estandartes y cavals armatz")
Ezra Pound, Canto VII
Verso inspirado no trovador francês, Bertran de Born (1140-1215). Apesar das suas qualidades poéticas, os seus poemas eram sobretudo exortações à guerra. Este espírito belicoso e intriguista encorajou directamente os filhos de Eleonor contra o seu próprio pai, Henrique (Henry II que, na altura, controlava metade ocidental da França, desde a Normandia à Aquitânia). Dante, no Inferno (XXVIII, v.118), mostra-o com a cabeça cortada usando-a como se esta última fosse uma candeia que o iluminasse no oitavo dos nove círculos do Inferno.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Sonhos


Cena do filme de John Boorman, Um Amor em África (Country of my Skull)

Dreams

Hold fast to dreams
For if dreams die
Life is like a broken-winged bird
That cannot fly.

Hold fast to dreams
For when dreams go
Life is a barren field
Frozen with snow.

Langston Hughes

sábado, 11 de março de 2006

E então fomos para o navio... e assim:

CANTO I.
"And then went down to the ship,
Set keel to breakers, forth on the godly sea, and
We set up mast and sail on that swart ship,
Bore sheep aboard her, and our bodies also
Heavy with weeping, and winds from sternward
Bore us onward with bellying canvas,
Crice's this craft, the trim-coifed goddess.
Then sat we amidships, wind jamming the tiller,
Thus with stretched sail, we went over sea till day's end.
Sun to his slumber, shadows o'er all the ocean,
Came we then to the bounds of deepest water,
To the Kimmerian lands, and peopled cities
Covered with close-webbed mist, unpierced ever
With glitter of sun-rays
Nor with stars stretched, nor looking back from heaven
Swartest night stretched over wreteched men there.
The ocean flowing backward, came we then to the place
Aforesaid by Circe.
Here did they rites, Perimedes and Eurylochus,
And drawing sword from my hip
I dug the ell-square pitkin;
Poured we libations unto each the dead,
First mead and then sweet wine, water mixed with white flour
Then prayed I many a prayer to the sickly death's-heads;
As set in Ithaca, sterile bulls of the best
For sacrifice, heaping the pyre with goods,
A sheep to Tiresias only, black and a bell-sheep.
Dark blood flowed in the fosse,
Souls out of Erebus, cadaverous dead, of brides
Of youths and of the old who had borne much;
Souls stained with recent tears, girls tender,
Men many, mauled with bronze lance heads,
Battle spoil, bearing yet dreory arms,
These many crowded about me; with shouting,
Pallor upon me, cried to my men for more beasts;
Slaughtered the herds, sheep slain of bronze;
Poured ointment, cried to the gods,
To Pluto the strong, and praised Proserpine;
Unsheathed the narrow sword,
I sat to keep off the impetuous impotent dead,
Till I should hear Tiresias.
But first Elpenor came, our friend Elpenor,
Unburied, cast on the wide earth,
Limbs that we left in the house of Circe,
Unwept, unwrapped in the sepulchre, since toils urged other.
Pitiful spirit. And I cried in hurried speech:
"Elpenor, how art thou come to this dark coast?
"Cam'st thou afoot, outstripping seamen?"
And he in heavy speech:
"Ill fate and abundant wine. I slept in Crice's ingle.
"Going down the long ladder unguarded,
"I fell against the buttress,
"Shattered the nape-nerve, the soul sought Avernus.
"But thou, O King, I bid remember me, unwept, unburied,
"Heap up mine arms, be tomb by sea-bord, and inscribed:
"A man of no fortune, and with a name to come.
"And set my oar up, that I swung mid fellows."

And Anticlea came, whom I beat off, and then Tiresias Theban,
Holding his golden wand, knew me, and spoke first:
"A second time? why? man of ill star,
"Facing the sunless dead and this joyless region?
"Stand from the fosse, leave me my bloody bever
"For soothsay."
And I stepped back,
And he strong with the blood, said then: "Odysseus
"Shalt return through spiteful Neptune, over dark seas,
"Lose all companions." Then Anticlea came.
Lie quiet Divus. I mean, that is Andreas Divus,
In officina Wecheli, 1538, out of Homer.
And he sailed, by Sirens and thence outwards and away
And unto Crice.
Venerandam,
In the Cretan's phrase, with the golden crown, Aphrodite,
Cypri munimenta sortita est, mirthful, oricalchi, with golden
Girdle and breat bands, thou with dark eyelids
Bearing the golden bough of Argicidia. So that:"
Ezra Pound

sábado, 4 de março de 2006

Afrodite So That:


Escultura do húngaro Beck Ö, datada de 1914. Misto de Art Nouveau e classicismo, esta escultura permite-nos invocar o hino homérico a Afrodite e as linhas finais do primeiro Canto de Pound:

"Muse, tell me the things done by golden Aphrodite,
the one from Cyprus, who arouses sweet desire for gods
and who subdues the races of mortal humans,
and birds as well, who fly in the sky, as well as all beasts
—all those that grow on both dry land and the sea.
They all know the things done by the one with the beautiful garlands, the one from Kythera" (Hino Homérico a Afrodite, 1-6, trad. inglesa de Gregory Nagy)

"Aphrodite,...with golden
Girdles and breast bands, thou dark eyelids
Bearing the golden bough of Argicida. So that:"
(Ezra Pound, Cantos, I)

"Afrodte.... com dourados
Cintos e faixas nos seios, tu, com pálpebras negras
Trazendo a rama de ouro do Argicida. E assim:"
(Ezra Pound, Cantos, I)

Nota: Hermes, o deus do mundo dos mortos, é habitualmente apresentado nos textos clássicos, como "o que mata Argus", o Argicida

sexta-feira, 3 de março de 2006

Amor em Ezra Pound



"What thou lovest well remains,
the rest is dross
What thou lov'st well shall not be reft from thee
What thou lov'st well is thy true heritage
Whose world, or mine or theirs
or is it of none?
First came the seen, then thus the palpable
Elysium, though it were in the halls of hell,
What though lovest well is thy true heritage
What though lov'st well shall not be reft from thee"
(Ezra Pound, Cantos, LXXXI)

"Aquilo que amas bem permanece,
o resto é desperdício
O que amas bem não será arrebatado de ti
O que amas bem é a tua verdadeira herança
De quem é o mundo, meu ou deles
ou de nenhum?
Primeiro veio o visível, depois o palpável
Elísio, mesmo que seja nos salões do inferno,
O que amas bem é a tua verdadeira herança
O que amas bem não será arrebatado de ti"
(Ezra Pound, Cantos, LXXXI)

quinta-feira, 2 de março de 2006

Usura


Escute o célebre canto dos "Cantos", o canto XLV, "Usura", lido pelo próprio Ezra Pound. Aqui.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Jaipur por Sarojini Sahu


Palácio dos Ventos em Jaipur. E um poema da escritora indiana, Sarojini Sahu:

"You strike the earth
And it answers
With a metallic ring
You strike it again,
It pours for its sorrows
And asks for a drop of water.

Jaipur awaits
With the thirst
of a blotting paper.
It asks the eyes
Spreading away in pink cars:
Please, may I have
A drop of rain water?

It seems that water sings,
Talks in whispers,
overflows in affection.
How does water
Feel to the touch?

"Jaipur"