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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Daigo


Photo shot by webshots of a Shingon Temple in Japan (Kyoto).

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Kyoto

sábado, 24 de abril de 2010

O Mito de Izanagi e Izanami


Clique na imagem para a ver em boas dimensões.
Kobayashi Eikatu (c.1885)

"No início não existe nada senão um ovo disforme. Gradualmente, as partes mais brilhantes e mais claras elevam-se para formar o céu e as mais densas e opacas caem para formar a terra. Três deuses criam-se «por si próprios» e escondem-se no céu.
A terra ainda não é sólida e pedaços andam à deriva. Então surge um objecto, flutuando entre o céu e a terra, que parece ser o disparo de uma flecha. Desta, nascem dois novos deuses que também se escondem. Sete outras gerações nascem da mesma maneira e o último par é Izanagi e Izanami.
Esses dois deuses ficam de pé sobre «a ponte flutuante do céu» interrogando-se se existiria alguma coisa lá em baixo. Então, agarram num dardo de pedras preciosas e mergulham a ponta no mar para ver se existe alguma coisa. Quando puxam, na ponta tinha-se formado uma gota que, ao cair, dá origem à ilha Onokoro. Izanagi e Izanami já tinham um lugar para viver e, por isso, descem até à ilha. Espetam o dardo no solo para formar um pilar.
Decidem gerar crianças para formar mais ilhas e, para isso imaginam um ritual de casamento. Dão a volta ao pilar, em direcções opostas. Quando se encontram, Izanami diz: «Que lindo! Encontrei um bonito jovem.» Então têm relações sexuais. Eles chegam a acordo em como fazê-lo porque descobrem que o corpo de Izanami é mal formado na zona em que Izanagi é demasiado formado; então, decidem que a melhor ideia será juntar estas duas partes do corpo. Isso resulta e Izanami dá à luz.
Mas, em vez de criarem uma ilha, como eles desejavam, Izanami dá à luz uma criança deformada. Colocam-na numa canoa e deixam-na ir à deriva. (Existe um antigo ritual japonês que envolve a criação de uma figura de barro quando uma criança nasce, que é deixada à deriva numa canoa como bode expiatório.) Izanagi e Izanami vão consultar os deuses para saber o que tinham feito de errado. Os deuses, então, explicam que a culpa fora de Izanami, porque ela fora a primeira a falar quando se tinham encontrado à volta do pilar. Como explicam os deuses, a mulher não deve ser a primeira a falar. Se quisessem ter filhos saudáveis deveriam tentar outra vez, mas teria de ser Izanagi o primeiro a falar.
Os dois deuses regressam à terra e tentam novamente. Desta vez tudo corre bem e Izanami dá à luz a ilha do Japão. Então, ela e Izanagi decidem criar deuses para povoarem as ilhas. Criam numerosos deuses - o vento, as árvores, os rios e as montanhas - e a criação das ilhas fica completa. (...) A última criança que Izanami dá à luz é o deus do fogo. O seu nascimento queima os seus órgãos genitais com tanta gravidade que ela acaba por morrer. Mas, depois de morta, ela continua a criar deuses através da urina, dos excrementos e dos vómitos. Izanagi fica tão furioso que corta a cabeça ao deus do fogo; mas as gotas do seu sangue dão origem a ainda mais divindades.
Izanagi está tão desesperado com a morte de Izanami que decide viajar até Yoni, o mundo subterrâneo, para tentar trazê-la de volta à vida. Quando chega aos portões do mundo subterrâneo, depois de uma longa viagem, Izanami vem ao seu encontro. Ele mal a pode ver porque o local é muito escuro e cheio de sombras, mas diz-lhe o quanto a ama e como deseja que ela regresse com ele. Contudo, ela repreende-o por ter levado tanto tempo a chegar e diz-lhe que não está autorizada a regressar com ele porque tinha comido o alimento de Yoni.
Mas ele convence-a a discutir o assunto com os deuses do Inferno. Então, ela obriga-o a prometer que não tentará segui-la até ao mundo subterrâneo nem olhará para ela. Ele concorda mas não resiste ao pensamento de que aquela poderá ser a última vez que verá a sua amada esposa. Parte um dente do seu pente e faz uma tocha. Entra no mundo subterrâneo e vê o corpo de Izanami deitado, apodrecido e cheio de larvas. Horrorizado, corre de regresso à terra.
Izanami levanta-se e grita-lhe que ele a tinha humilhado. Envia as feiticeiras do Inferno atrás dele, com oito deuses do trovão. Izanagi alcança o fim da passagem e apanha três pêssegos de uma árvore; faz recuar os seus perseguidores atirando-lhes os pêssegos. Então, bloqueia a entrada do mundo subterrâneo com uma enorme pedra no preciso momento em que Izanami chega ao outro lado.
Falam um com o outro através da grande rocha.
Izanami diz a Izanagi que ele deve aceitar a sua morte. Ele aceita e concorda em não tentar visitá-la novamente. Então, formalmente, dão o seu casamento por terminado.
Depois disto, Izanagi sente-se tão exausto que decide lavar-se e refrescar-se num ribeiro. Vários deuses e deusas nascem das suas roupas quando ele se despe, do seu cajado quando o ele o pousa no chão e do seu corpo enquanto ele se banha. Finalmente, do seu olho esquerdo nasce a deusa Amaterasu, do olho direito o deus da Lua, Tsukiyomi, e do seu nariz o deus da tempestade Susanoo.
Izanagi decide dividir o mundo em três. Indigita Amatesaru para governar o céu, Tsuki Yomi para governar a noite e Susanoo para governar os mares. Amaterasu e Tsuki-Yomi concordam mas Susanoo queixa se dizendo que preferia ir para terra da sua falecida mãe. Izanagi, furioso, elimina Susanoo. Então, retira se do mundo e vai viver para o alto céu. [...]
Quando Izanagi afasta Susanoo, este anuncia que quer ir para o céu e despede-se da irmã Amaterasu antes de partir. Ela suspeita das intenções dele e, antes de ir ao seu encontro arma-se com um arco e flechas.
Susanoo diz-lhe que ela não tem nada que recear e sugere que ele lhe dê uma prova da sua boa-fé. Ele propõe que ambos criem crianças e que ele produzirá crianças masculinas para provar a sua sinceridade. Amaterasu concorda e pede a espada ao irmão. Ele dá-lha, ela parte-a em três pedaços e mastiga cada pedaço, e o seu sopro dá origem a três deusas.
Então, Susanoo pede a Amaterasu cinco contas do seu colar . Ele mastiga-as e o seu sopro transforma-se em cinco deuses. Amaterasu reclama que aqueles deuses eram seus filhos porque tinham sido criados a partir das contas do seu colar. Mas Susanoo não está de acordo e afirma ter obtido uma grande vitória. Então, celebra, começando a partir os muros dos campos de arroz, bloqueando os canais de irrigação e defecando no templo onde o festival dos primeiros frutos, ou o festival das colheitas, devia ter lugar em breve.
Uma das obrigações de Amaterasu é tecer as roupas dos deuses. Um dia, está sentada no quarto de fiar com outras mulheres quando Susanoo lança um cavalo esventrado através do telhado. É tão assustador que uma das mulheres se pica com uma agulha e morre. Amaterasu fica tão assustada que se esconde numa gruta, bloqueando a entrada com uma enorme rocha. Sem a deusa do Sol, o mundo mergulha na escuridão.
Surge o caos, os campos de arroz jazem sem culturas, os deuses perversos comportam-se pior do que nunca. Reúne-se uma assembleia de oitocentos deuses miríades para discutir a maneira de persuadirem Amaterasu a sair da gruta e elaboram um plano.
Começam por colocar um espelho mágico no lado de fora da gruta. Em seguida, juntam galos para cantarem no lado de fora da gruta. Depois convencem a deusa do amanhecer, Amo no-Uzume, a dançar sobre um barril, batendo com os pés. Quando se entusiasma, ela começa a tirar as roupas e os deuses começam a rir ruidosamente.
Tal como os deuses pretendiam, Amaterasu sai da gruta para perguntar o que estava a acontecer. Eles respondem que estão a celebrar porque tinham encontrado uma deusa melhor do que ela. Quando sai da gruta, ela vê o seu reflexo no espelho mágico. Então, os deuses aproveitam para bloquear a entrada da gruta atrás dela, conseguindo ter o Sol de volta.
Os oitocentos deuses miríades castigam Susanoo, cortando-lhe a barba e o bigode, arrancando lhe as unhas dos pés e das mãos e expulsando-o do céu."

Roni Jay, Mitologia, tr.port., Lisboa: Europa América, 2000, 140-144

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Hase-dera






Fotografias do templo budista Hase-dera no Japão. Este templo pertence à escola Shingon, o chamado budismo esotérico japonês. Shingon significa literalmente "palavras verdadeiras", com um sentido muito próximo do termo em sânscrito, mantra.

sábado, 27 de março de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Ran





Ran, um filme de Akira Kurosawa (1985)!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Oriente?


Clique na fotografia para a ver em boas condições.

Bem, na Ásia não está. Está, sim, no quinquagésimo (50) estado dos Estados Unidos da América: Hawaii.
Trata-se do Templo Byodo, construído em 1960, para celebrar a chegada dos primeiros trabalhadores japoneses na ilha. É uma réplica de um templo japonês situado em Uji, perto de Quioto (Kyoto).

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Portugueses no Japão


Click in the photo to see it in its splendo(u)r.
The arrival of the Portuguese in Japan (1543).
A chegada dos portugueses ao Japão no século XVI (1543).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O Templo do Pavilhão Dourado


Clique nas fotografias para as ver em boas condições.
O Templo do Pavilhão de Ouro (Kinkaku-ji) foi construído em 1397 na cidade imperial de Quioto (Kyoto). Pertence ao complexo religioso da escola Rinzai do Budismo Zen e é um dos símbolos da civilização nipónica. Esta escola do Zen está claramente associada à aristocracia japonesa (shogunato), contrastando assim com a tradição bem mais popular do Sōtō Zen. Um dos traços fundamentais do Rinzai é conhecido no Ocidente através das histórias paradoxais (koans) que visam despertar nos discípulos o despertar (a iluminação). O Templo é dedicado à bodhisattva da compaixão Kannon (ou Kanzijai), versão japonesa de Guanyin ("a que ouve os gritos do mundo") na China ou de Tārā na Índia. Este Pavilhão Dourado foi várias vezes destruído e reconstruído ao longo da história japonesa, mas, em 1950, foi incendiado intencionalmente pelo monge Hayashi Yoken. A história deste drama é-nos narrado no romance de Yukio Mishima, O Templo do Pavilhão Dourado (1956). O Pavilhão foi novamente reconstruído em 1955. O seu templo "gémeo", o Pavilhão de Prata (Ginkaku-ji), fica situado também em Quioto e é o tema da última fotografia que aqui apresentamos.
















terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O que é isto?



Provavelmente...
Mas veja melhor!



Já tem alguma ideia?
Acertou! É um computador.



A terceira deve ser o "computador" propriamente dito (pode ficar na horizontal) e a quarta... quem sabe? Talvez seja mesmo uma caneta...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O Bando dos 4


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Quadro do pintor japonês Hashimoto de 1883, conhecido como "Os quatro sábios do mundo: Kant com Buda, Sócrates e Confúcio". A ordem mais correcta, a meu ver, seria: Kant, Confúcio, Buda e Sócrates....

sábado, 29 de novembro de 2008

Tenryuuji


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Templo do Budismo Zen (escola Rinzai) Tenryuuji em Kyoto (Quioto).
Fotografia de Marser.

sábado, 8 de novembro de 2008

Japanese Story



Se tiver dificuldades em ver ou ouvir, clique AQUI

Quando comecei a ver este filme australiano sobre a relação entre Sandy, uma geóloga, e Hiromitsu, um empresário, a minha primeira impressão não foi nada de especial. Quanto muito lá teríamos mais um filme sobre os mal-entendidos derivados do conflito entre culturas radicalmente diferente. Mas, para minha grata surpresa, esta "história japonesa" na Austrália torna-se uma das narrativas mais subtis e interessantes que já vi. A partir de certo momento, já não são precisas palavras entre os actores. Tudo se joga nas expressões faciais e no cruzamento dos olhares. Um filme comovente realizado por Sue Brooks em 2003!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

made in japan

made in japan
via Da Pluralidade dos Mundos by Pedro on 9/10/08



"Para quê outros mundos se temos o Japão?"

sábado, 21 de junho de 2008

O Romance de Genji



Iniciou-se, finalmente, a tradução portuguesa de um dos clássicos da literatura mundial: O Romance de Genji (Genji Monogatari) da escritora japonesa do século XI, conhecida como Murasaki Shikibu ou Dama Murasaki. Esta história japonesa é considerada por muitos como o primeiro romance da história da literatura ou, pelo menos, como sendo o primeiro romance psicológico. Cito algumas das opiniões sobre esta narrativa, referidas na edição portuguesa: "um dos grandes clássicos" (W.B. Yeats); "nunca se escreveu nada de melhor, em nenhuma literatura" (Yourcenar); "depois de se ler Murasaki, nunca mais se sentirá de igual maneira o amor ou a paixão. Ela é o génio do desejo e nós os seus aprendizes" (Harold Bloom); "somente comparável aos grandes clássicos ocidentais como Cervantes ou Balzac" (Octavio Paz). A narrativa dos amores do príncipe Genji nunca tem fim nesta história, ficando a questão de saber se esta ausência de um fim narrativo foi ou não intencional. A edição portuguesa que, neste momento, apenas ainda contempla a chamada "Primeira Época" (33 capítulos) é da responsabilidade da Editora Êxodus/7 Dias e 6 Noites, sendo a tradução de Lígia Malheiro. A capa é um encanto e foi criada por Osamu Tatematsu.

terça-feira, 20 de maio de 2008

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Shakuhachi em Portugal


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25 de Janeiro, às 21h

Do programa: "A shakuhachi (尺八) é uma flauta (...). Em japonês chama-se O Shaku Ha Sun. O seu nome provém duma medida japonesa muito antiga (...) Esta extraordinária flauta provém da China e entra no Japão no começo do período Tang, no sec. VII. (...)

Honkyoku (本曲) é o género de shakuhachi em que se baseia a interpretação de antigas peças de música de origem Zen. (...) Esta flauta japonesa é um instrumento de grande expressividade, subtileza e dinamismo, convidando o intérprete e o ouvinte a uma atmosfera de contemplação. (...)

Acerca do Intérprete

Antonio Olías – Professor, intérprete, compositor e improvisador de shakuhachi. A sua curiosidade, inquietude, motivação levaram-no a explorar diferentes linguagens e disciplinas musicais. Viajou a Austrália em duas ocasiões, (2001 – 2004) onde ingressou no Victorian College of the Arts para cursar estudos de shakuhachi com Anne Norman “Dokyoku Ryu e Kinko Ryu Chikumeisha” e na Japan World Music School com Andrew MacGregor. Continuou os estudos de shakuhachi em SOAS University of London “School of Oriental and African Studies” sob la direcção de Michael Coxall "Kinko Ryu Chikumeisha".Antonio foi bolseiro da Gen Foundation de Londres no ano 2004 e bolseiro pela AIE "Asociación de Artistas Intérpretes e Ejecutantes" nos anos 2006 e 2007, para aprofundar o estudo do shakuhachi em Tokyo, com os mestres Tanaka Komei "Kinko Ryu Chikumeisha", Teruhisa Fukuda “estilo contemporâneo”, Shôzan Tanabe “Tozan-Ryu” y Katô Hidekazu “Dokyoku Ryu”."

Iniciativa com o apoio da Fundação da Casa de Bragança

ENTRADA LIVRE

Para mais informação, clique AQUI.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Takemitsu



Toru Takemitsu (1930-1996), compositor japonês, é um dos nomes mais respeitados da actual música clássica contemporânea. Influenciado por Messiaen, e também por Debussy, a música de Takemitsu tem aquela delicadeza que nos habituámos a associar à cultura japonesa. Como a grande maioria dos compositores actuais, tem uma vasta obra musical no campo cinematográfico, contando-se mais de cem filmes (entre eles, recordo o Ran de Kurosawa e o Império da Paixão de Nagisa Oshima). É também conhecido o seu gosto pelas canções dos Beatles, pelos romances policiais (é autor de um deles) e pela flauta japonesa shakuhachi. Podem ouvir aqui um tema da Takemitsu interpretado por Patrick Chemla (violino) e Philippe Biros (piano).