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domingo, 2 de dezembro de 2007

Liberdade


O blogue A Linha de Cabotagem agraciou-me com um prémio que muito me honra. Embora goste de escrever livremente, o que mais me motiva é pensar esse enigma tão estranho associado ao sentimento de nos sentirmos livres. Porque mais que olhemos em volta não há nada que nos prepare para essa experiência. De duas uma: ou o materialismo é falso ou o nosso sentimento de liberdade é ilusão. Quero crer que este sentimento é bem verdadeiro... ou como nos diz este pensador da liberdade:
"Se alguém tentar expressar em palavras a diferença entre a experiência de percepcionar e a experiência de agir é que, na percepção, se tem esta sensação: 'Isto está a acontecer-me' e, na acção, a sensação, é a seguinte: 'faço isto acontecer'. Mas a sensação de que 'faço isto acontecer' traz consigo a sensação de que 'poderia fazer alguma coisa mais'. No comportamento normal, cada coisa que fazemos suscita a convicção válida ou inválida de que poderíamos fazer alguma coisa mais, aqui e agora, isto é, permanecendo idênticas todas as outras condições. Eis, permito-me afirmar, a fonte da inabalável convicção na nossa vontade livre."
John Searle
Obrigado Helena! E o prémio vai agora para cinco blogues - por ordem alfabética - que respiram liberdade e que cultivam a arte da escrita:
Cão com Pulgas, Ilha que nunca existiu, Jóia de Família, Kitschnet e Púrpura Rosa.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

O Poder da Natureza


Clique na imagem.
Era minha intenção fazer uma reportagem em directo da "natureza" para o "expresso do oriente". Mas, como seria de esperar (natural), o projecto falhou... A trovoada, a chuva, as péssimas ligações do local onde estava, arruinaram o meu propósito. E, assim, apenas me foi possível oferecer-vos uma "pausa inesperada".
Vou deixar-vos, para já, uma fotografia do local onde estive três dias. Dá para ressuscitar um morto (para quem lá esteve)!
Há algo de muito estranho nas nossas relações com os elementos naturais, mesmo que adulterados pela mão humana (como é o caso do local). Podemos ver filmes ou imagens espantosas, mas nada substitui o contacto directo. A minha intuição diz-me que mesmo se tivéssemos imagens de alta resolução ou câmaras de vídeo de tal modo sofisticadas que nos trouxessem todos os elementos sensoriais (desde a visão ao tacto) o efeito sobre a nossa alma não seria o mesmo. Precisamos efectivamente de estar lá, da experiência directa. Mas porquê? Os nossos órgãos sensoriais não são os mediadores entre o mundo interior e o exterior?
Mesmo que fôssemos "cérebros numa cuba" num laboratório, recebendo as estimulações nervosas associadas ao mundo externo (como no filme Matrix), mesmo que esse cérebro fosse colocado num robot móvel (criando a ideia de interacção), intuitivamente saberíamos que haveria algo de errado nessa experiência. Mas porquê? Será que a minha intuição é falsa e que o mundo em que vivemos é uma matrix que desconhecemos?