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segunda-feira, 28 de julho de 2008

Anel


Clique na imagem para aumentar as suas dimensões (vale a pena clicar).

Para celebrar o início do Anel (do Nibelungo - sempre que ouvirem 'Anel dos Nibelungos' corrijam) no Festival de Bayreuth de 2008, publico esta fotografia da NASA da galáxia M64 (Messier 64). Esta galáxia foi descoberta no século XVIII pelo astrónomo francês Messier (ao que parece também foi localizada no mesmo ano por Edward Pigott e Johann Elert Bode) e fica a 17 milhões de anos-luz da Terra. Em relação ao Anel de Wagner, a orquestra está a cargo do maestro Christian Thielemann e a produção artística é da responsabilidade do alemão Tankred Dorst. Hoje, como é natural, é apresentado o maravilhoso Ouro do Reno.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Wagner & Mozart



Hoje inicia-se mais uma edição do Festival de Bayreuth com a apresentação de uma versão já conhecida do Navio Fantasma; no passado Domingo "arrancou" o Festival de Salzburg. Mas amanhã tanto a casa de Wagner como a casa de Mozart têm um dia muito especial: será apresentada uma nova versão do Anel de Wagner e, em Salzburgo, há grande expectativa em relação ao Casamento de Figaro. Diga-se que, neste ano dos 250, o Festival de Salzburg de 2006 é já uma realidade desde 1 de Janeiro.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Do Crepúsculo à "Waste Land"


Apenas esta imagem espantosa de Brunilde garantiria a Patrice Chéreau a entrada nos campos elísios da arte contemporânea (cf. a versão do centenário do Anel de Wagner).
Vendo-a, tive uma intuição, provavelmente disparatada ou, quanto muito, já muito tratada... não haverá uma relação entre esta "percepção do fim do mundo" (I saw the world's end ...) e a compreensão da «Waste Land» do Parsifal? Em termo simples, será que Wagner, ao matar o último dos heróis (Siegfried), apreendeu aquilo que, de formas diferentes, Spengler ou George Steiner anunciam (a crise da civilização ocidental)?

Parsifal, a criança-herói, o anti-herói, entrando no reino de Kundry

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

O Anel do Nibelungo


Finalmente consegui em DVD a versão de Kupfer do Rheingold de Wagner. Nesta versão, a cantora lírica portuguesa, Elisabete Matos, interpreta a bela Freia, desejada pelos Gigantes e amada pelos Deuses.

terça-feira, 26 de julho de 2005

Mais imagens de Bayreuth

O blog Wagner Operas apresenta mais imagens do Tristão e Isolda, na interpretação do suíço Christoph Marthaler. Mais uma vez se vê a sombra do Anel de 76 sobre as novas produções wagnerianas. Mas enquanto a versão de Patrice Chéreau era brilhante em termos estéticos, sabendo combinar genialmente o sublime e o neoclassicismo, as "cópias" são exactamente aquilo que são: cópias.

terça-feira, 12 de julho de 2005

Festival de Bayreuth

O Festival de Bayreuth de 2005 aproxima-se com a apresentação no dia 25 de Julho de uma nova versão do Tristão e Isolda (cf. Spielplan). Vamos ter o polémico Parsifal do ano passado e o Anel vai fazer umas férias...

domingo, 22 de maio de 2005

Ouroboros


Ouroboros (a serpente ou dragão que devora a sua cauda) é um dos símbolos mais antigos e perenes da humanidade. Encontramo-lo tanto no Egipto antigo como na mitologia nórdica. O "Anel" de Wagner não é estranho a esta imagem arquetípica. O Cristianismo adoptou-o para simbolizar «os limites do mundo». É igualmente um dos símbolos preferidos da física contemporânea para representar o universo. Posted by Hello

sábado, 27 de novembro de 2004


Só hoje me dei conta que William Morris não só traduziu as sagas nórdicas (aqui se vê Sigurd, o proto-Siegfried matando o dragão do Anel), mas, também, "traduziu" a sua arte Posted by Hello

domingo, 1 de agosto de 2004

A Inocência Perdida

Gostei sempre imenso do mito de Balder ou Baldr. Trata-se de uma história nórdica que nos fala de um deus cuja inocência o colocava acima de todas as divindades. Um dia sonha que vai morrer. A sua mãe, mãe dos deuses, decide solicitar a todos os seres que não fizessem mal ao filho, poupando a sua vida. E assim acontece. Balder torna-se invencível. O seu principal prazer consistia em sentar-se no chão enquanto os outros deuses se colocavam em torno dele, alvejando-o com todas as armas possíveis: lanças, martelos, pedras. Mas as armas apenas ricocheteavam no seu corpo e nada de mal lhe sucedia. Loki (o Loge de Wagner) ressentido, decide montar-lhe uma armadilha. Sabe que apenas um elemento natural nada tinha prometido porque a mãe de Balder o tinha achado muito frágil e, como tal, inofensivo: a planta do visco, aquela que é usada pelos druídas. Loki transforma uma folha de visco numa seta e pergunta ao irmão cego de Balder, Hodder, se também quer entrar no jogo do círculo dos deuses em volta de Balder. Feliz por poder participar, Hodder lança a Balder aquela pequena seta que se crava no coração do deus que se julgava imortal. Balder morre e a tristeza invade todos os mundos. Apesar de estar preso de Hel, a deusa dos infernos, Balder será dos poucos deuses a sobreviver ao crepúsculo dos deuses. Ora, é interessante verificar que Wagner nunca explorou este mito, apesar de ele ser central na cultura germânica. A meu ver, o mito ecoa no Anel, no modo como Wagner analisa a figura de Brünnhilde. Tal como Balder, Brünnhilde é um ser divino que perde a sua imortalidade; associada ao sono de Brünnhilde está um pequeno espinho; como Balder, Brünnhilde é punida por Loki (o círculo de fogo). Finalmente, como Balder, o seu sacrifício indicia uma nota de esperança para o mundo.

Crepúsculo dos Deuses

Hoje em Bayreuth, pelas 15 horas (hora de Lisboa), é apresentado o Crepúsculo dos Deuses, o quarto e último drama do Anel de Wagner. Sem falar da parte artística e musical, o que nos surpreende é a recriação fabulosa de um dos mitos mais trágicos da cultura europeia. Quem conhece os textos nórdicos e germânicos sobre o mito de Brünnhilde, fica deslumbrado com a forma como Wagner apreendeu o cerne do mito. O Crepúsculo dos Deuses é inegavelmente a última grande tragédia que a cultura ocidental produziu. Nos papéis de Hagen, de Gunther e de Gutrune, estarão respectivamente os seguintes cantores: Peter Klaveness, Olaf Bär e Yvonne Wiedstruck. Em relação às outras personagens, não há novidades, mantendo-se a ideia de pôr dois tenores a interpretar o papel de Siegfried (Christian Franz e Wolfgang Schmidt).

quinta-feira, 29 de julho de 2004

Siegfried

Hoje, pelas 15 (hora de Lisboa), continua a tetralogia de Wagner da dupla Jürgen Flimm (que também está em Salzburg) e Ádám Fischer com a apresentação do Siegfried. O papel complicadíssimo de Siegfried (são muitas horas a cantar, quase sem pausas) vai ser repartido por dois cantores: Christian Franz (jovem Siegfried) e Wolfgang Schmidt. Hoje não me vai ser possível escutar esta interpretação da obra de Wagner. Mas fica aqui um facto curioso... o mito de Siegfried nasceu (ou pelo menos assumiu a forma conhecida) em terras de França. Será que os alemães que estavam na "linha Siegfried", na segunda guerra mundial, sabiam disso? O mito de Siegfried está associado aos burgúndios, povo germânico (não confundir com alemão), que vindo da Escandinávia se instalou no século V na Gália. O seu reino alargou-se e chegou a compreender grande parte da actual Suíça. Os burgúndios foram vencidos por um outro povo germânico, os francos ("França"), na era da dinastia dos Merovíngios. O nome "Burgúndia" ainda ecoa na zona da Borgonha.

quarta-feira, 28 de julho de 2004

A Renúncia ao Amor

Hoje, dia da Valquíria, recordo um dos principais enigmas da obra de Wagner, o Anel. Em três momentos bem diferentes, ouve-se o tema musical da "renúncia ao amor": quando Alberich decide apoderar-se do Ouro do Reno para forjar o anel; no momento em que Siegmund extrai a espada Nothung da árvore da casa de Hunding e, finalmente, quando Wotan adormece Brünnhilde com um beijo e a coloca num círculo de fogo. Se o primeiro evento não coloca problemas - afinal, Alberich está a renunciar ao amor, mas não ao prazer -, o segundo e o terceiro são difíceis de interpretar. Na verdade, o principal enigma refere-se ao segundo episódio relatado, na medida em que Siegmund está, nesse momento, a declarar a sua paixão amorosa a Sieglinde, sua irmã. Lévi-Strauss sugere uma hipótese de exegese, mas não muito convincente: o ouro, a espada e Brünnhilde são o mesmo, três manifestações de Wotan.

Círculo de Fogo


Wotan e o fogo de Loge Posted by Hello

A Valquíria

O Festival de Bayreuth continua hoje às 15 horas (hora de Lisboa), com a apresentação da "Valquíria". Não existem grandes alterações em relação ao "Ouro do Reno" de Ádám Fischer e de Jürgen Flimm. O barítono americano Alan Titus será "Wotan", enquanto "Fricka" - a mulher de Wotan - será representada pela cantora japonesa Mihoko Fujimura. O tenor americano Robert Dean Smith fará de Siegmund, enquanto a contestada Evelyn Herlitzius, a soprano alemã, incarnará a figura central do Ring, Brünnhilde.

terça-feira, 6 de julho de 2004

A Sombra de Chéreau

Foi certamente uma triste notícia, para quase todos os wagnerianos, o abandono de Lars von Trier da produção do “Anel do Nibelungo”, programada para a edição de 2006 do festival de Bayreuth. A razão apontada – no mundo em que vivemos – não deixa de ser curiosa. O realizador, depois de vários anos de trabalho, declara que não se sente à altura. Confissão de humildade que contrasta com as declarações de Konwitschny segundo as quais o facto de nunca ter sido convidado para o Festspiel de Bayreuth era “uma perda para a Alemanha”. Depois de vários contratos já assinados, não vai ser nada fácil substituir o realizador dinamarquês. Pergunto-me se Wolfgang Wagner e a sua devota filha, antes de tomarem uma decisão, não vão esperar pela exibição do Parsifal de Christoph Schlingensief no próximo dia 25 em Bayreuth… em tempo de crise, nada melhor do que um escândalo. Já passaram quase trinta anos e a sombra genial de Patrice Chéreau envolve ainda qualquer anel que se preze.