segunda-feira, 14 de março de 2005

Verbalizando a consciência de si

"A linguagem, com as suas palavras e frases, (...) é uma conversão de imagens não linguísticas que representam entidades, eventos, relações e inferências. Se a linguagem funciona em relação ao si e à consciência do mesmo modo que funciona para todas as outras coisas, ou seja, simbolizando em palavras e frases aquilo que começa por existir sob uma forma não verbal, então deverá existir um si (self) não verbal e um conhecimento não verbal para os quais as palavras «eu» e ««mim» ou a frase «eu conheço» constituem as traduções apropriadas, em qualquer linguagem. Julgo que é inteiramente legítimo pegar na frase «eu sei» e deduzir, a partir dela, a presença duma imagem não verbal de conhecimento centrada num si que precede e motiva essa frase verbal.
A ideia de que o si e a consciência deveriam emergir após a linguagem e de que seriam uma construção directa da linguagem não parece ser correcta."

António R.Damásio, O Sentimento de Si, p.134

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