Loreley - ou Lorelei/Lore-Ley - é simultaneamente uma ninfa e um rochedo. Esta ninfa senta-se num rochedo junto ao rio Reno, no local onde os Nibelungos guardaram o seu tesouro sob a protecção dos elfos. Ela atrai fatidicamente os marinheiros de encontro à falésia. O termo "Loreley" significa literalmente um "rochedo murmurante", tendo esta zona sido consagrada pela poesia e música alemãs.
Poema
Ich weiß nicht, was soll es bedeuten, Daß ich so traurig bin; Ein Märchen aus alten Zeiten, Das kommt mir nicht aus dem Sinn.
Die Luft ist kühl, und es dunkelt, Un ruhig fließt der Rhein; Der Gipfel des Berges funkelt In Abendsonnenschein.
Die schönste Jungfrau sitzet Dort oben wunderbar, Ihr goldenes Geschmeide blitzet, Sie kämmt ihr goldenes Haar.
Sie kämmt es mit goldenem Kamme Und singt ein Leid dabei; Das hat eine wundersame, Gewaltige Melodei.
Den Schiffer im kleinen Schiffe Ergreift es mit wildem Weh; Er schaut nicht die Felsenriffe, Er schaut nur hinauf in die Höh'.
Ich glaube, die Wellen verschlingen Am Ende Schiffer uns Kahn; Und das hat mit ihrem Singen Die Lorelei getan.
Heinrich Heine
Tradução
Não sei como explicar Estar tão triste; Uma lenda de tempos antigos Não me sai da cabeça.
O ar está frio e já escurece, E calmo flui o Reno; O pico da montanha brilha Ao entardecer.
Uma virgem senta-se Lá em cima, maravilhosa; As suas jóias de ouro cintilam, enquanto ela penteia os seus cabelos dourados.
Ela penteia-os com o seu pente dourado E canta uma canção; Era uma melodia maravilhosa, Plena de força.
O marinheiro num pequeno barco Escuta-a com uma angústia selvagem; Ele não vê os rochedos, Ele olha apenas para cima.
Creio que as ondas engoliram o marinheiro e a sua embarcação; E com esta canção Assim fez o Loreley.
A obra cinematográfica de Sofia Coppola, Lost in Translation (2003) é um dos meus filme preferidos. Sabe combinar com grande delicadeza o trágico e o cómico, o amor e a solidão. O final é propositadamente ambíguo, pois tanto a ruptura como o enlace triunfal fariam perder muito da história. Mas como diz o ditado a "curiosidade matou o gato" e todos nós gostaríamos de saber quais foram as palavras finais que Bob Harris (Bill Murray) diz a Charlotte (Scarlett Johansson). Bem, agora já pode saber...basta clicar no vídeo em cima!
Os "Green Studies" visam tornar o estudo da Natureza num dos tópicos centrais das Humanidades, à semelhança dos estudos do género, dos estudos pós-coloniais, entre outros. Um dos seus principais representantes é o filósofo da literatura inglês, Laurence Coupe. Esta obra (The Green Studies Reader. From Romanticism to Ecocriticism, Londres/Nova Iorque: Routledge), publicada em 2000, tem uma das melhores colectâneas de textos sobre o sentido da Natureza. Encontramos, só a título de exemplo, textos fundamentais de autores como: William Blake, Wordsworth, Coleridge, Thoreau, Ruskin, William Morris, Virginia Woolf, D.H. Lawrence, Adorno, Heidegger, Gary Snyder, Lévi-Strauss e Lyotard.
"Passei hoje toda a manhã na Assembleia da República, para assistir à discussão da petição sobre os Direitos Humanos no Tibete, de que fui o primeiro subscritor e que obteve 11000 assinaturas. Mas não é disso que venho falar. Venho falar da confirmação directa da imagem que já tinha do estado da nação, no que respeita aos seus representantes parlamentares. Hoje era o último dia de trabalhos antes das férias parlamentares, com uma agenda cheia de debates e votações sobre projectos de lei e petições. Às 10 horas, quando abriram os trabalhos, as bancadas teriam no máximo um terço dos deputados. À medida que os vários oradores, do governo e dos partidos, tomavam a palavra, aquilo a que se assistia era o seguinte: dos escassos presentes, ninguém parecia estar a ouvir absolutamente nada; uns levavam o portátil e mandavam mails, outros falavam ao telefone, uns conversavam em pequenos grupos, alguns de costas viradas para o orador, outros liam tranquilamente os jornais: diários, desportivos, etc. Apenas interrompiam estas actividades para aplaudirem maquinalmente o orador do seu partido, voltando depois ao mesmo. Foi só por volta do meio-dia que o hemiciclo se começou a compor e só então chegaram as figuras mais relevantes e as caras mais conhecidas dos vários partidos, com ar descontraído, palmadinhas nas costas e sorrisos cúmplices para os seus correlegionários. Foi por essa altura que a petição relativa ao Tibete começou a ser discutida. Quando a deputada do PS começou a apresentar o relatório sobre a situação no Tibete, elaborado a partir das reuniões que o grupo parlamentar dos Negócios Estrangeiros manteve connosco, o ruído das conversas era tal que ela teve de parar por duas vezes e o próprio Presidente da Assembleia, Jaime Gama, de pedir silêncio aos "senhores deputados". Sem qualquer efeito. O ambiente era igual ou pior ao de uma turma das mais indisciplinadas do ensino primário ou secundário. Em abono da verdade, ressalve-se que só a bancada do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista mantinha relativamente maior silêncio e compostura. Seria apenas hoje, por ser o último dia antes das férias? Não. Uma amiga que lá trabalha esclareceu que é sempre assim. Após a apresentação das várias matérias em debate, nestas circunstâncias de total alheamento e desrespeito mútuo, ia-se seguir a votação. Levantei-me e vim-me embora. Estava elucidado e só pensava que, após dois mandatos de quatro anos nesta vida, saem de lá com belas reformas para sempre. Estou esclarecido sobre o estado da nação, espelhado no seu Parlamento, que deveria ser-lhe exemplo. Só pergunto, a mim e a vocês, se são estes os nossos representantes, se são estes que queremos como representantes. É isto democracia, partidocracia ou mediocrecracia? E o que fazemos?" Paulo Borges (blogue Serpente Emplumada)
Clique neste auto-retrato de Chagall para aumentar as suas dimensões. Não é todos os dias que se pode contemplar um tecto assim. Trata-se do tecto da Ópera de Paris, pintado por Chagall: Clique na imagem para aumentar as suas dimensões. Mas, como refere o título desta obra de Chagall, não há tecto (abrigo) mais sublime do que o dos amantes: Les amants sur le toit Clique na imagem para aumentar as suas dimensões.
O Tristão e Isolda de Wagner, na encenação de Peter Sellars com vídeo de Bill Viola, está de volta a Paris (Ópera da Bastilha). Tristão e Isolda serão interpretados respectivamente pelo tenor Clifton Forbis e pela soprano Waltraud Meier. Os espectáculos iniciam-se a 30 de Outubro.
Clique na imagem para aumentar as suas dimensões. Quadro de Chagall sobre a expulsão de Adão e Eva do Paraíso.
"Quem é que assim nos virou, de tal forma que, em tudo o que façamos, estamos sempre na atitude de alguém que parte? Como esse que parte, no alto da última colina que mais uma vez lhe mostra todo o seu vale, se volta, pára e se demora - assim vivemos nós, sempre a despedir-nos." Rilke, Oitava Elegia, in Elegias de Duíno, trad. Paulo Quintela
Comentário a um post do blog Shelterkoln sobre o sistema de protecção de animais na Alemanha:
"Estive durante meio ano a viver na Alemanha e nem por uma vez vi um animal sozinho e, muito menos, com sinais de estar abandonado. A mentalidade alemã é muito diferente, acima de tudo são cívicos e não olham apenas para o próprio umbigo. Sabem viver em comunidade e respeitam-se mutuamente. Enquanto estive na Alemanha, tive precisamente essa curiosidade de perceber como conseguiam eles estes "milagres". Então explicaram-me que ter um animal lá é como ter um filho. O estado dá uma espécie de "abono" por cada animal para compensar as despesas com veterinário, alimentação e cuidados básicos. Por isso, é muito frequente verem-se sem-abrigos acompanhados de cães que estão bem mais limpos do que um animal com lar cá em Portugal. Além disso, e como recebem um "abono", a família adoptante é obrigada a tratar bem do animal, desde alimentação, higiene, cuidados na saúde, até ao facto de andar sempre de trela na rua e com o respectivo chip colocado. Assim evita-se que os animais se percam. Para controlar se isto é cumprido (embora os alemães não precisam de ser controlados porque eles próprios têm a necessidade e o civismo de cumprir as regras sociais), é muito comum a polícia pedir os documentos identificativos dos animais para ver se tudo está em ordem. Caso não esteja, os donos terão de pagar uma multa e arriscam-se a ficar sem o animal. Caso alguém passeie na rua um animal sem este ter trela também pode ser multado numa avultada quantia. Era bom que esta política funcionasse em Portugal, mas para que isso acontecesse era preciso fazer-se uma lavagem cerebral aos portugueses. Por fim, queria apenas destacar também os excelentes jardins zoológicos existentes na Alemanha. Cada cenário é reconstituído tendo em conta o animal para que este se sinta mais em casa. Não estão em jaulas como nos nossos mas sim em espaços extremamente verdejantes, enormes, e com apenas uma rede protectora em volta. Ah, para terminar, acrescento apenas, para terem uma ideia da importância que tem um animal na Alemanha,não há proibição na entrada de animais em hotéis nem em centros comerciais. São simplesmente tratados como pessoas. Ao sábado, dia de se sair com a família, o cenário mais comum é ver-se o casal acompanhado pelos filhos e pelos animais de estimação (sempre com trela). Todos bem tratados e todos tratados como gente... Dizia-me um alemão o seguinte: "o que mais me chocou quando estive em Espanha e em Portugal foi ver a quantidade de animais mal tratados na rua. Tão chocado fiquei que não resisti em trazer uma cadelinha que hoje é a minha companhia". Será que terão de ser eles a vir buscar estes nossos pequenos companheiros para que eles possam ser definitivamente felizes?"
Enquanto aguardamos a interpretação de Isolda pela cantora sueca Iréne Theorin no próximo festival de Bayreuth deste mês, podemos escutar aqui o final de Tristão e Isolda através da bela voz de Waltraud Meier, sendo a orquestra dirigida por Daniel Baremboim. Ao ouvir o Liebestod, pergunto-me muitas vezes se é possível alguma vez superar a perfeição musical deste tema.
Encontrei no Expresso este interessante vídeo sobre um carro americano - carros, no plural, por sinal - que anda(m) calmamente sem condutor... se não acredita, vejo o vídeo. Mas por favor não digam que estes carros pensam; pensam tanto como a minha torradeira aqui ao meu lado.
Dois estudos sobre nus, um de Gauguin e outro de Paula Modersohn-Becker. Ambos os pintores pertencem à primeira escola dita expressionista, na qual os trabalhos de Van Gogh, Munch e Egon Schiele são habitualmente catalogados. Ainda hoje o significado do termo "expressionismo" - designado por Roger Fry como "pós-impressionismo" - levanta algumas dúvidas. Para alguns, o termo designa o primado da forma sobre o referente, de tal modo que qualquer conotação é apenas uma modificação da forma e nunca um elemento distinto desta última; por sua vez, o expressionismo é muitas vezes caracterizado como um modo de arte de forte intensidade psicológica revelada pela pregnância das cores e das formas. O mais certo é ser as duas coisas ao mesmo tempo.
Auto-retrato da pintora alemã Paula Modersohn-Becker (1876-1907), um dos principais nomes da primeira escola expressionista. O retrato de Rilke que coloquei recentemente é dela. Aliás, o célebre poema Requiem (1908) de Rilke foi escrito em sua memória, pois a pintora faleceu prematuramente com 31 anos.