sábado, 7 de fevereiro de 2009

Hino ao Sol



Hino ao Sol (Aton) do faraó Akhenaton (século XIV a.C.):

"Quando eclodes magnífico no horizonte do céu,
Ó Aton vivo, primeiro a viver!
Brilhando no horizonte do Oriente
Toda a terra se enche da tua beleza.
Tu és belo, tu és grande, tu és pleno de brilho,
Longe, acima de toda a terra;
Os teus raios cingem as terras
até ao limite de tudo o que criaste.
Como és o Sol, chegas até aos extremos,
une-los para o teu filho amado.
Embora estejas longe, os teus raios tocam a terra.
Embora acaricies os rostos de cada um,
ninguém conhece o teu caminho.
Quando desapareces no horizonte do Ocidente,
a terra fica como morta, nas trevas.
Os homens dormem nos seus quartos com as cabeças tapadas.
O olho não podendo ver mais o outro olho,
Todos os seus bens são roubados.
Todas as feras saem da sua caverna.
Todas as coisas rastejantes mordem.
Trevas! Obscuridade!A terra está silenciosa
porque o seu criador repousa no horizonte.
Na aurora, quando te ergues no horizonte,
quando resplandeces como Aton no novo dia,
afastas a escuridão e ofereces os teus raios.
As Duas Terras [Egipto] estão em festa todos os dias,
acordadas e de pé, porque as fizeste levantar.
Lavam os seus corpos,
vestem as suas roupas
Os seus braços erguidos saúdam o teu nascimento.
Toda a gente faz os seus trabalhos.
Todos os animais estão satisfeitos com as suas pastagens.
Árvores e plantas florescem.
Os pássaros voam dos seus ninhos.
As suas asas abertas adoram o teu aparecimento [Ka].
Todos os pequenos animais saltitam.
Tudo o que voa e tudo o que anda sobre patas, vive quando brilhas para eles.
Os barcos vão para montante e jusante,
Os caminhos abrem-se quando apareces.
Os peixes no rio movem-se para a tua face,
Os teus raios chegam ao fundo do mar.
Criador da semente na mulher,
Tu que produzes o sémen no homem,
Que dás vida ao filho no seio materno,
Que o acalentas para que não chore,
Que o amamentas ainda no seio,
Que dás respiração para fazer viver tudo o que crias!
Quando ele sai das entranhas para começar a respirar,
no dia em que nasceu, tu abriste-lhe a sua boca completamente.
Provês as suas necessidades.
Quando o pintainho no ovo pia dentro da sua casca,
dás-lhe o sopro lá dentro para ele se manter.
Quando lhe dás força dentro do ovo,
para partir a casca, ele sai do ovo e pia quando é chegado o tempo.
Ele caminha pelas suas patas quando sai de lá.
Inumeráveis são os teus actos!
Mas escondidas da face do homem.
Ó Deus único, pois não há outro!
(...)
Desde que fundaste a terra e a ergueste para o teu filho, que saiu do teu corpo,
o rei do Alto e do Baixo Egipto, Neferkheperuré Ouaenré,
o filho do Sol que vive rectamente (maât),
o senhor da coroa, Akhenaton de longa existência,
e para a Grande Esposa do Rei, a senhora do Egipto, Neferneferouaton Nefertiti,
Que ela esteja viva e jovem para sempre."

Hymnes de la religion d'Aton (Hymnes du XIVe siècle avant J.-C.), trad. directa do egípcio de Pierre Grandet, texto bilingue, Paris, Seuil, 1995, 99-119

1 comentário:

Maria disse...

Magnífico!