Enquanto aguardamos pelos acordes do Parsifal em Bayreuth (29 de Julho), com a polémica encenação de Schlingensief, relembro que saiu um cd de música de Wagner com temas escolhidos por este enfant terrible do teatro alemão. Fui logo ouvir o tema seleccionado do Parsifal, "Mein erstes Amt" (Acto III) e a escolha não poderia ser mais sublime! Wagner no seu melhor.
terça-feira, 26 de julho de 2005
Parsifal
Enquanto aguardamos pelos acordes do Parsifal em Bayreuth (29 de Julho), com a polémica encenação de Schlingensief, relembro que saiu um cd de música de Wagner com temas escolhidos por este enfant terrible do teatro alemão. Fui logo ouvir o tema seleccionado do Parsifal, "Mein erstes Amt" (Acto III) e a escolha não poderia ser mais sublime! Wagner no seu melhor.
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Mais imagens de Bayreuth
O blog Wagner Operas apresenta mais imagens do Tristão e Isolda, na interpretação do suíço Christoph Marthaler. Mais uma vez se vê a sombra do Anel de 76 sobre as novas produções wagnerianas. Mas enquanto a versão de Patrice Chéreau era brilhante em termos estéticos, sabendo combinar genialmente o sublime e o neoclassicismo, as "cópias" são exactamente aquilo que são: cópias.
segunda-feira, 25 de julho de 2005
Em Correio Expresso...

O Expresso do Oriente é rápido... aqui está a primeira imagem do Tristão e Isolda 2005, na encenação de Cristoph Marthaler. Como ouvinte atento, esteve lá o nosso Presidente, Jorge Sampaio. Ainda não confirmei a presença de Durão Barroso (ir à estreia de Bayreuth foi um dos seus primeiros actos como Presidente da Comissão Europeia, a convite de Stoiber, o governador do Estado da Baviera).
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Bayreuth, 25 de Julho de 2005
Terminou há poucos minutos o Tristão e Isolda de 2005. Como não temos imagens, o Expresso do Oriente, para celebrar o início do festival de Bayreuth, reproduz uma imagem da versão de Wieland Wagner (1962), o neto, já falecido, do compositor. Amanhã teremos novamente o Parsifal de Schlingensief.
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domingo, 24 de julho de 2005
Ramayana
Mais uma cena do Ramayana, onde se pode ver Rama - de pele escura, sinal da sua "ligação mítica" com Krishna - e o seu irmão Lakshama preparando-se para atacar o malvado Ravana (à esquerda). É interessante notar que Bharata - outro irmão de Rama - é uma personagem central do Ramayana, mas que se encontra ausente do grande poema que o celebra, Mahabharata, o grande (Maha) Bharata. Bharat, por sinal, é o nome comum da Índia para a grande maioria da sua população.
sábado, 23 de julho de 2005
Mil Mãos
Será que só os deuses têm mil mãos? Julgo que esta imagem é de Ravana, o asura ou demónio de Sri Kanka (Ceilão), o malvado que raptou Sita, a amada de Rama. Hare Rama, Divas & Contrabaixos!
quinta-feira, 21 de julho de 2005
Salzburg 2005
O Festival de Salzburg inicia-se, como o de Bayreuth, neste próximo dia 25 de Julho. Como tem sido habitual, para lá da ópera e dos concertos, Salzburgo é igualmente conhecido pelo papel dado à literatura e ao drama teatral. Neste ano, destaca-se a presença de escritores como António Lobo Antunes, o sul-africano John Coetzee, a austríaca Jelinek, entre outros.
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Bayreuth 2005
Já se pode consultar o horário das transmissões de Bayreuth em: http://www.operacast.com/bayreuth05.htm. Com a excepção do Tristão e Isolda - a ópera da abertura do Festival -, vamos ter pouca escolha na net... mas pode ser a suficiente.
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quarta-feira, 20 de julho de 2005
terça-feira, 19 de julho de 2005
Dante sobre Dante
Esta aguarela de Dante Gabriel Rossetti retrata uma das cenas mais famosas da Divina Commedia de Dante. Trata-se naturalmente da história de Paolo e Francesca de Ramini que se beijaram quando liam o romance sobre Lancelot. O marido de Francesca surpreendeu-os e eles foram mortos. Encontram-se agora no Inferno da Commedia e são visitados pelo poeta, acompanhado de Virgílio.
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segunda-feira, 18 de julho de 2005
A Cabeça mais célebre do Mundo
A estátua de Nefertiti, umas das jóias da arqueologia alemã, descoberta no Egipto em 1912, vai reaparecer novamente em Berlim no próximo mês de Agosto. A estátua encontrava-se no castelo/palácio de Charlottenburg e irá fazer agora parte da enorme colecção de arte egípcia que será exibida no Altes Museum. As colecções que existiam em Berlim Ocidental e Oriental vão ser finalmente reunidas. O interesse alemão pela arte egípcia não é nenhuma idiossincrasia, apenas revela que estamos perante uma nação civilizada. O mesmo se diga de Inglaterra... estive a fazer as contas e, durante este mês de Julho, teremos cerca de uma conferência por dia sobre a cultura egípcia no Reino Unido. E em Portugal? É melhor nem perguntar...
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domingo, 17 de julho de 2005
Será que temos lepra?
Na empresa inglesa de DVDs, Play.com, encontra-se o aviso:
"At the moment we do not supply to Portugal or any Country outside of the EU"
"At the moment we do not supply to Portugal or any Country outside of the EU"
sábado, 16 de julho de 2005
Parsifal de Schlingensief
Imagem do coelho mais célebre de Bayreuth que retornará em 2005 num dos mais famosos festivais musicais do mundo (já agora, o de Salzburg também deve estar a começar). Muitas pessoas estranharam a presença deste coelho no Parsifal de Schlingensief. E, no entanto, o coelho é um símbolo trivial de fertilidade e da Páscoa. Como sublinha Lévi-Strauss, no Parsifal joga-se o confronto entre um mundo infértil, embora axiologicamente positivo, e o mundo fértil de Klingsor, mas axiologicamente negativo. E será que alguém consegue esquecer o tema musical da "sexta-feira santa" deste "drama musical sagrado"? Claro que provocou um certo mal-estar o visionamento de um coelho em decomposição. Mas será estranho ao Parsifal a estética decadentista dos finais do século XIX, assim como a visão schopenhauriana do desejo?
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terça-feira, 12 de julho de 2005
Festival de Bayreuth
O Festival de Bayreuth de 2005 aproxima-se com a apresentação no dia 25 de Julho de uma nova versão do Tristão e Isolda (cf. Spielplan). Vamos ter o polémico Parsifal do ano passado e o Anel vai fazer umas férias...
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segunda-feira, 11 de julho de 2005
Melinda e Melinda
Há já algum tempo que não via um filme tão interessante como o Melinda and Melinda. Talvez mais importante do que a ideia que presidiu à construção da narrativa e que se consubstancia no "riso das lágrimas", aquilo que é brilhante neste filme é ele próprio: realização, cenários, interpretações, diálogos, Nova Iorque. "Woody Allen", para o dizer em apenas duas palavras.
domingo, 10 de julho de 2005
sábado, 9 de julho de 2005
Strawberry Hill
Mansão neogótica do escritor Horace Walpole situada no "Monte de Morango" (Strawberry Hill). Walpole é consensualmente apontado como o criador da literatura gótica, rompendo com o neoclassicismo dominante, nomeadamente no seu romance O Castelo de Otranto. Ann Radcliffe será a continuadora deste estilo, conferindo-lhe o ambiente romântico que nos é tão familiar.
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Dia Gótico
O imaginário gótico está presente em múltiplas formas da narrativa contemporânea, sejam elas literárias ou cinematográficas. Por exemplo, apesar do Senhor dos Anéis pertencer ao género mitológico e fantástico, a sua recente interpretação fílmica tingiu o romance de Tolkien com cores claramente sombrias. O gótico está indissoluvelmente ligado ao Romantismo como movimento cultural. Se dúvidas existissem, bastaria pensar nas obras e contos de Byron, de Mary Shelley ou de Daphne du Maurier. Mas a escrita gótica remonta ao século XVIII, destacando-se a obra de Ann Radcliffe. Esta escritora nasceu a 9 de Julho de 1764 e os seus romances relatam-nos as aventuras de jovens perdidas em castelos sombrios. O carácter misógino do conto francês de Charles Perrault,O Castelo do Barba-Azul, na qual a jovem é uma mera "Pandora iluminista", cede o seu lugar ao cruzamento envolvente da candura e das trevas que se surpreende na obra desta escritora londrina.
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sexta-feira, 8 de julho de 2005
Bruna Brunelleschi

"Bruna Brunelleschi" (1878) de Dante Gabriel Rossetti. O modelo do quadro é novamente Jane Burden Morris. O quadro encontra-se no Fitzwilliam em Cambridge
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quinta-feira, 7 de julho de 2005
Horror do acto, horror das palavras
Excerto de uma entrevista do jornal Público a Omar Bakri Mohammed, o auto-intulado líder teórico londrino da Al-Qaeda na Europa. Encontrei esta entrevista, datada de 18 de Abril de 2004, num dos últimos posts do blog Rua da Judiaria.
"P. Como sabemos que um atentado é realmente da Al-Qaeda?
R. É fácil. Em primeiro lugar são sempre operações em grande escala. O texto divino é claro quanto à necessidade de provocar “o máximo dano possível". O operacional tem portanto de certificar-se de que mata o maior número de pessoas que pode matar. Se não o fizer, espera-o o fogo do Inferno. Em segundo lugar, a Al-Qaeda deixa sempre uma impressão digital: uma pista, como um carro com um Corão ou uma cassete, para ser encontrado pela Polícia. Terceiro, os ataques são feitos em dois ou três lugares ao mesmo tempo. Finalmente, a linguagem. Nos comunicados, basta ler uma frase para se reconhecer o seu rigor teórico: não há nenhum sinal de nacionalismo, não se dizem árabes, nem palestinianos, apenas muçulmanos. Falam sempre do martírio, da morte.(…)
P. Mas o que pode justificar matar deliberadamente milhares de civis inocentes?
R. Nós não fazemos a distinção entre civis e não civis, inocentes e não inocentes. Apenas entre muçulmanos e descrentes. E a vida de um descrente não tem qualquer valor. Não tem santidade.
P. Mas havia muçulmanos entre as vítimas.
R. Isso está previsto. Segundo o Islão, os muçulmanos que morrerem num ataque serão aceites imediatamente no paraíso como mártires. Quanto aos outros, o problema é deles. Deus mandou-lhes mensagens, os muçulmanos levaram-lhes mensagens, eles não acreditaram. Deus disse: “Quando os descrentes estão vivos, guia-os, persuade-os, faz o teu melhor. Mas quando morrem, não tenhas pena deles, nem que seja o teu pai ou mãe, porque o fogo do Inferno é o único lugar para eles"."
"P. Como sabemos que um atentado é realmente da Al-Qaeda?
R. É fácil. Em primeiro lugar são sempre operações em grande escala. O texto divino é claro quanto à necessidade de provocar “o máximo dano possível". O operacional tem portanto de certificar-se de que mata o maior número de pessoas que pode matar. Se não o fizer, espera-o o fogo do Inferno. Em segundo lugar, a Al-Qaeda deixa sempre uma impressão digital: uma pista, como um carro com um Corão ou uma cassete, para ser encontrado pela Polícia. Terceiro, os ataques são feitos em dois ou três lugares ao mesmo tempo. Finalmente, a linguagem. Nos comunicados, basta ler uma frase para se reconhecer o seu rigor teórico: não há nenhum sinal de nacionalismo, não se dizem árabes, nem palestinianos, apenas muçulmanos. Falam sempre do martírio, da morte.(…)
P. Mas o que pode justificar matar deliberadamente milhares de civis inocentes?
R. Nós não fazemos a distinção entre civis e não civis, inocentes e não inocentes. Apenas entre muçulmanos e descrentes. E a vida de um descrente não tem qualquer valor. Não tem santidade.
P. Mas havia muçulmanos entre as vítimas.
R. Isso está previsto. Segundo o Islão, os muçulmanos que morrerem num ataque serão aceites imediatamente no paraíso como mártires. Quanto aos outros, o problema é deles. Deus mandou-lhes mensagens, os muçulmanos levaram-lhes mensagens, eles não acreditaram. Deus disse: “Quando os descrentes estão vivos, guia-os, persuade-os, faz o teu melhor. Mas quando morrem, não tenhas pena deles, nem que seja o teu pai ou mãe, porque o fogo do Inferno é o único lugar para eles"."
Maria Madalena
Dante Gabriel Rossetti, Maria Madalena, 1877. Pintura da colecção pré-rafaelita do Delaware Art Museum.
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terça-feira, 5 de julho de 2005
In Vino Veritas
A Editorial Antígona publicou a obra de Kierkegaard, In Vino Veritas. Este livro corresponde à primeira parte dos Estádios no Caminho da Vida, procurando retratar a forma de vida "estética". Para Kierkegaard, são possíveis três posturas diferentes em face da vida: a "estética", dominada pela valorização do que é singular e diferente, o "ético", centrado no geral e nas leis universais, e o "religioso", perspectivado como uma relação privada entre cada um de nós, enquanto indivíduo, e o Outro (o que quer que ele seja). Como seu reverso, o "estético" desemboca no tédio e na melancolia, o "ético" no aborrecimento e na formalidade, enquanto o religioso esconde em si uma angústia sem palavras.
In Vino Veritas, foi traduzido directamente do dinamarquês por José Miranda Justo, que escreve ainda um posfácio sobre a obra.
In Vino Veritas, foi traduzido directamente do dinamarquês por José Miranda Justo, que escreve ainda um posfácio sobre a obra.
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Matérias
"Quanto mais te aproximas da verdadeira matéria, meu rapaz, da pedra, do ar, do fogo e dos bosques, tanto mais espritual é o mundo. E todos esses tipos que pensam que são gajos práticos e materialistas com os pés bem assentes na terra não sabem patavina sobre a matéria, têm a cabeça cheia de ideias e noções confusas." (frase atribuída por Jack Kerouac a Gary Snyder nos Vagabundos do Dharma).
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domingo, 3 de julho de 2005
Medos
Recentemente o blog Alicerces transcreveu uma interessante entrevista de António Damásio à revista francesa L'Express. Traduzo uma passagem:
"António Damásio: A mosca - que apenas possui um sistema nervoso minúsculo - experimenta, ela também, emoções: se a irritarmos, ela põe-se a voar em todas as direcções para evitar ser esmagada. Veja o caso da Aplysia, um pequeno caracol do mar. Se o tocarmos, ele retrai-se, o seu coração começa a bater com maior rapidez, a sua pressão sanguínea aumenta, observando-se a emissão de hormonas em todo o corpo, e o animal emite tinta negra para se esconder face do predador.
Dominique Simmonet: Não me diga que ele tem medo?!
António Damásio: Claro que sim! Assiste-se a um miniconcerto desta emoção que se designa, com efeito, por "medo" e que também nos afecta tal como a este caracol. Mas há uma outra questão: será que a Aplysia sente para si o medo? Neste ponto, duvido. Este animal não representa esta emoção para si próprio, não a pensa, diferentemente de espécies animais complexas que têm, além disso, uma gama de emoções sociais: a simpatia, o embaraço, a vergonha, a culpabilidade, o orgulho, a inveja, a gratidão, a admiração, a indignação, o desprezo... Os pássaros, os cães, os macacos experienciam para si próprios a emoção, o que quer dizer que eles têm a possibilidade de estabelecer uma relação entre a reacção automática do seu organismo e o objecto, o evento ou a pessoa que esteve na sua origem. (...) Penso que os pássaros e os mamíferos têm sentimentos. Ficaria muito surprendido se eles não os tivessem. Os comportamentos destes animais são muito próximos dos humanos."
"António Damásio: A mosca - que apenas possui um sistema nervoso minúsculo - experimenta, ela também, emoções: se a irritarmos, ela põe-se a voar em todas as direcções para evitar ser esmagada. Veja o caso da Aplysia, um pequeno caracol do mar. Se o tocarmos, ele retrai-se, o seu coração começa a bater com maior rapidez, a sua pressão sanguínea aumenta, observando-se a emissão de hormonas em todo o corpo, e o animal emite tinta negra para se esconder face do predador.
Dominique Simmonet: Não me diga que ele tem medo?!
António Damásio: Claro que sim! Assiste-se a um miniconcerto desta emoção que se designa, com efeito, por "medo" e que também nos afecta tal como a este caracol. Mas há uma outra questão: será que a Aplysia sente para si o medo? Neste ponto, duvido. Este animal não representa esta emoção para si próprio, não a pensa, diferentemente de espécies animais complexas que têm, além disso, uma gama de emoções sociais: a simpatia, o embaraço, a vergonha, a culpabilidade, o orgulho, a inveja, a gratidão, a admiração, a indignação, o desprezo... Os pássaros, os cães, os macacos experienciam para si próprios a emoção, o que quer dizer que eles têm a possibilidade de estabelecer uma relação entre a reacção automática do seu organismo e o objecto, o evento ou a pessoa que esteve na sua origem. (...) Penso que os pássaros e os mamíferos têm sentimentos. Ficaria muito surprendido se eles não os tivessem. Os comportamentos destes animais são muito próximos dos humanos."
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sábado, 2 de julho de 2005
Zombies
Tudo indica que a Pittsburgh's Safar Centre for Resuscitation Research conseguiu realizar uma proeza científica notável. Ressuscitar cães após estes terem sido dados como mortos durante três horas. As implicações desta nova tecnologia médica serão inegavelmente importantes no tratamento de situações muito graves. Mas ainda estamos bem longe da realização do desejo humano, a meu ver insensato, de viver para sempre... Que o diga a Sibila de Petrónio!
Aniversário
O Expresso do Oriente celebra hoje o seu primeiro aniversário. No dia 2 de Julho de 2004, iniciei o blog com a seguinte entrada/"post":
Partida
"A nossa memória e o nosso coração não são suficientemente grandes para que possam ser fiéis" Proust, Do Lado dos Guermantes
Será que este blog descarrilou logo à partida?
Partida
"A nossa memória e o nosso coração não são suficientemente grandes para que possam ser fiéis" Proust, Do Lado dos Guermantes
Será que este blog descarrilou logo à partida?
sexta-feira, 1 de julho de 2005
Mrs.William Morris
Quando se cruzam runas, sagas germânicas, pintura do século XIX, o resultado só pode ser William Morris. Aqui recordado através de sua mulher (Jane Burden), neste desenho de Dante Gabriel Rossetti. Jane Burden era considerada pelos pré-rafaelitas o epítome da beleza feminina.
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quinta-feira, 30 de junho de 2005
Sinais Poveiros

Quando se fala(va) de civilização pensava-se imediatamente na escrita. Por uma razão muito simples e trivial: a escrita permite transmitir a outrem - que nos é desconhecido - eventual informação que lhe poderá ser útil. Hoje em dia o conceito de civilização é mais amplo, mas quando deparamos com formas de escrita, ditas primitivas, como os oghams dos celtas ou as runas dos povos germânicos ficamos fascinados. Essa "escrita" surge como mágica pois parecer conter uma sabedoria primitiva que nos escapa. Ora qual é a minha surpresa (= ignorância) quando descubro que, na Póvoa de Varzim, os pescadores utilizam sinais cuja origem remonta aos Vikings. Sigurd e Gudrun esperem um momento.... as runas de Varzim chamam por mim! :-)
terça-feira, 28 de junho de 2005
Alteridade
"Apenas pela arte podemos sair de nós mesmos, saber aquilo que vê um outro desse universo que não é o mesmo que o nosso e cujas paisagens nos seriam tão estranhas como aquelas que existem na Lua. Graças à arte, em vez de contemplar um só mundo, o nosso, vemo-lo multiplicar-se e dispomos de tantos mundos quantos os artistas originais"
Marcel Proust, Le Temps retrouvé
Marcel Proust, Le Temps retrouvé
segunda-feira, 27 de junho de 2005
Cair no "lado a lado"
Joyce utiliza duas enigmáticas palavras na passagem que citei do Ulisses: "Stephen fechou os olhos para ouvir as suas botas triturar crepitantes detritos e conchas. Caminhas de qualquer modo sobre isso. Eu, passo a passo. Um muito breve espaço de tempo através de muitos breves tempos de espaço. Cinco, seis: o Nacheinander. Exactamente: e essa é a inelutável modalidade do audível. Abre os olhos. Não. Meu Deus! Se eu cair sobre um penhasco que está suspenso pela sua base, caio inelutavelmente pelo Nebeineinander!" Nacheinander (um após o outro) e Nebeneinander (lado a lado). Os termos são de Lessing, extraídos da sua célebre obra, Laokoon. "Um após o outro" refere-se às artes do tempo, a saber, a poesia; "lado a lado" visa as artes do espaço, as artes plásticas. Joyce pega nesses dois conceitos e brinca com a nossa relação com o tempo (audição) e com o espaço (visão).
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sábado, 25 de junho de 2005
Gary Snyder
"Um verdadeiro haiku tem de ser tão simples como papas de aveia e todavia fazer-te alcançar a coisa em si, como se calhar o maior haiku deles todos é provavelmente aquele que diz: "O pardal saltita pelo parapeito com patas molhadas". De Shiki. Vês as pegadas molhadas como uma visão no teu espírito e contudo nessas parcas palavras também vês toda a chuva que esteve a cair nesse dia e quase que consegues cheirar as agulhas húmidas dos pinheiros." (frase atribuída ao poeta americano Gary Snyder no romance de Jack Kerouac, Os Vagabundos do Dharma). Cf. ainda o sutra de Gary Snyder, um dos pais da "ecologia profunda".
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segunda-feira, 20 de junho de 2005
Conchas
"As coisas vivas em contacto com o ar adquirem necessariamente uma cutícula, e não podemos acusar as cutículas pelo facto de não serem corações; contudo há certos filósofos que parecem acusar as imagens de não serem coisas, e as palavras de não serem sentimentos. As palavras e as imagens são como conchas, partes não menos integrantes da natureza do que as substâncias que as protegem, mas mais dirigidas ao olhar e mais expostas à observação."
George Santayana
George Santayana
domingo, 19 de junho de 2005

Burne-Jones, "A Princesa atada a uma árvore" (1866). O diáfano na pintura ou "a religião da beleza" na expressão de Umberto Eco. Pintura sobre as lendas de São Jorge e o Dragão.
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Diáfano
Quando Joyce escreve, "Estou aqui para ler as assinaturas de todas as coisas, ovas e sargaços, a maré que se aproxima, essa bota corroída", está provavelmente a pensar nas suas leituras do teósofo alemão Jakob Boehme. Também este falava de uma miríade de assinaturas no visível de uma realidade invisível. Mas rapidamente regressa a Aristóteles quando fala "nos corpos." "sinais coloridos. Limites do diáfano. Mas acrescenta: nos corpos. Então é porque tinha consciência deles, corpos, antes deles, coloridos. Como? Batendo com a cachimónia contra eles, é claro." Sobre o diáfano ou transparência em Aristóteles, diz-nos David Ross: "a transparência é agora tratada como estando, em maior ou menor grau, em todos os corpos quaisquer que estes sejam, e a cor é descrita como constituindo o limite do transparente nos corpos (isto é, no sentido em que o transparente está aprisionado nos corpos opacos), enquanto a luz constitui a actualidade do transparente na sua condição não limitada, isto é, tal como existe nos meios transparentes, como acontece com o ar e a água."
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sábado, 18 de junho de 2005
Notas sobre o Bloomsday (1)
Primeira reflexão sobre o texto citado de Joyce no dia 16 de Junho (o Bloomsday). "Inelutável modalidade do visível" - a origem desta expressão tão pomposa é-me desconhecida, mas aqui Joyce (através do seu eterno alter ego, Stephen) pensa em Aristóteles. E, em particular, na obra conhecida pela designação latina, De Sensu et Sensibili. Se o ouvido pode participar e modificar o que ouve, a visão, pelo contrário, não. Daí esta "inelutável modalidade do visível". Por outro lado, Aristóteles parece insistir, neste tratado, que o essencial da visão transcende a cor. O que se vê então? Stephen pergunta-se então se não poderíamos conjecturar sobre a "inelutável modalidade do audível" quando fechamos os olhos.
Associações livres: o passeio pela praia de Sandymount (a poucos quilómetros de Dublin, no local em que o rio Liffey desagua). O nosso olhar quase consegue adivinhar a Inglaterra ali tão perto e omnipresente. Praia cinzenta, atmosfera cinzenta, areia escura, ar pesado sem ser sinistro que se estende até à torre do Ulisses. Uma placa antiga, cheia de ferrugem, dizendo que a praia é reservada a homens...:-). Nova associação: a alegria tão visível de uma jovem cega quando um dia lhe li esta passagem.
Associações livres: o passeio pela praia de Sandymount (a poucos quilómetros de Dublin, no local em que o rio Liffey desagua). O nosso olhar quase consegue adivinhar a Inglaterra ali tão perto e omnipresente. Praia cinzenta, atmosfera cinzenta, areia escura, ar pesado sem ser sinistro que se estende até à torre do Ulisses. Uma placa antiga, cheia de ferrugem, dizendo que a praia é reservada a homens...:-). Nova associação: a alegria tão visível de uma jovem cega quando um dia lhe li esta passagem.
Raffaello Santi
quinta-feira, 16 de junho de 2005
Bloomsday
"Inelutável modalidade do visível: pelo menos, se não mais, pensado através dos meus olhos. Estou aqui para ler as assinaturas de todas as coisas, ovas e sargaços, a maré que se aproxima, essa bota corroída. Verderanho, azul de prata, ferrugem: sinais coloridos. Limites do diáfano. Mas acrescenta: nos corpos. Então é porque tinha consciência deles, corpos, antes deles, coloridos. Como? Batendo com a cachimónia contra eles, é claro. (...) Stephen fechou os olhos para ouvir as suas botas triturar crepitantes detritos e conchas. Caminhas de qualquer modo por sobre isso. Eu, passo a passo. Um muito breve espaço de tempo através de muitos breves tempos de espaço. Cinco, seis: o Nacheinander. Exactamente: e essa é a inelutável modalidade do audível. Abre os olhos. Não. Meu Deus! Se eu cair sobre um penhasco que está suspenso pela sua base, caio inelutavelmente pelo Nebeineinander! (...)Vê agora. Esteve ali todo o tempo sem ti: e existirá sempre, mundo sem fim. (...) Que palavra é essa que todos os homens conhecem? Eu aqui estou sozinho, quieto. E triste também. Toca, toca-me.
Deitou-se para trás, estendido ao comprido sobre as rochas cortantes, metendo as notas rabiscadas e o lápis num bolso, o chapéu caído sobre os olhos. Esse é o movimento de Kevin Egan, o que eu fiz, cabeceando pela sesta, sono sabático. Et vidit Deus et erant valde bona. Olá! Bonjour. Benvindo como as flores em Maio. Sob a aba do chapéu ele observou o sol do sul através de pestanas trémulas como o pavão. Estou apanhado nesta cena escaldante. A hora de Pan, o meio-dia dos faunos. Entre plantas serpentes, pesadas de goma, frutos ressudando leite, as folhas jazem, abertas nas águas douradas. A dor está longe.
E não mais de apartes a cogitar."
Joyce, Ulisses
Deitou-se para trás, estendido ao comprido sobre as rochas cortantes, metendo as notas rabiscadas e o lápis num bolso, o chapéu caído sobre os olhos. Esse é o movimento de Kevin Egan, o que eu fiz, cabeceando pela sesta, sono sabático. Et vidit Deus et erant valde bona. Olá! Bonjour. Benvindo como as flores em Maio. Sob a aba do chapéu ele observou o sol do sul através de pestanas trémulas como o pavão. Estou apanhado nesta cena escaldante. A hora de Pan, o meio-dia dos faunos. Entre plantas serpentes, pesadas de goma, frutos ressudando leite, as folhas jazem, abertas nas águas douradas. A dor está longe.
E não mais de apartes a cogitar."
Joyce, Ulisses
quarta-feira, 15 de junho de 2005
Narciso botão de rosa

Narciso medieval. Esta iluminura do século XIV aparece numa das versões do "Romance da Rosa". Este "romance" é um poema alegórico que data do século XIII (o poeta Guillaume de Lorris foi o seu criador), no qual se retrata a paixão de um jovem por um botão de rosa. O mito de Narciso, na versão de Ovídio, é narrado longamente e o jovem está convicto de ter descoberto a mesma fonte em que Narciso se contemplou. Será, aliás, através dela que a sua paixão por botões de rosa eclode. É um dos clássicos da literatura do "amor cortês", onde se torna visível, talvez pela primeira vez, a relação entre o narcisimo e a paixão.
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segunda-feira, 13 de junho de 2005
A mais antiga civilização europeia
Se não fosse o blog Divas & Contrabaixos, a notícia ter-me-ia passado completamente ao lado. Foi descoberta a mais antiga civilização europeia numa zona que abrange a Alemanha Oriental (em particular, a zona de Dresden), a Áustria e a Eslováquia. A descoberta é tão recente que esta civilização ainda não tem nome. Adorava ver fotografias, saber se existia algum tipo de escrita nos 150 templos religiosos revelados, se havia algum contacto com os Sumérios,..., mil e uma questões que terão brevemente resposta.

Álvaro Cunhal (1913-2005) será sempre recordado como uma das figuras centrais da história de Portugal e do movimento comunista internacional. Como pintor, ele foi um dos artistas mais significativos do neo-realismo português
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