sábado, 5 de maio de 2007

Por Belenos!!!






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"Por Belenos", seria certamente a exclamação de Astérix ao contemplar esta jóia arquitectónica situada na zona histórica da Normandia. É o terceiro monumento histórico mais visitado de França - não é difícil adivinhar a Torre e o Palácio que ocupam os dois primeiros lugares... - e nasceu literalmente de um sonho.
Antes de ser a célebre Abadia, era o monte onde se encontrava o túmulo do deus gaulês Belenos, mais conhecido na mitologia irlandesa (também celta como a gaulesa) como Diancecht. É o "deus médico" dos Tuatha Dé Danann, célebre família mitológica da cultura celta. "Tuatha Dé Danann" significa, mais ou menos, os descendentes da Deusa Dana, a deusa primordial dos celtas (também conhecida por Dôn ou Danu, donde derivou o nome do rio Danúbio, assim como a designação de outros rios bem célebres da Europa). Certamente a raiz indo-europeia do termo Dana está ligada aos Danavas da mitologia védica. Em todas estas ramificações, encontra-se a mesma palavra: dom, dádiva. A deusa primordial celta, Dana, o dom primordial, está associada a quatro símbolos: a lança do deus Lug, o caldeirão do deus Dagda (lança e taça, isto faz-me lembrar outra coisa...), a espada de Nuada e a pedra de Fal (grita quando é pisada!). Lug, Dagda, Nuada são o "povo de Dana", os Tuatha Dé Danann, que chegaram durante a festa de Beltaine, dedicada a Belenos/Diancecht (festa que se realizava no primeiro dia de Maio, dia do Sol antes de ser do Trabalhador).
No século VIII, o bispo cristão, Santo Aubert de Avranches teve um sonho onde o anjo Miguel lhe ordenou a construção de um local de orações. E o bispo assim o fez, fazendo assim esquecer o Monte do Túmulo de Belenos, passando o local a ser conhecido como o Mont-Saint-Michel-au-péril-de-la-Mer. Só que o edifício construído incendiou-se durante uma batalha medieval em 1204. O rei francês Filipe II Augusto ordenou então a construção de uma abadia, a abadia do Mont-Saint-Michel. Esta "maravilha", como era popularmente conhecida, foi transformada em prisão (antes e depois da Revolução Francesa). Foi preciso a denúncia de Victor Hugo para que a prisão fosse definitivamente encerrada. E, assim, tornou-se naquilo que é ainda hoje em grande parte: um local turístico. Curiosamente, desde 1966, houve um renascimento religioso do local, com a presença, discreta mas permanente, de monges beneditinos e das Fraternidades Monásticas de Jerusalém. Inegavelmente uma das maravilhas do mundo, sempre ameçada pelo perigo do mar.

2 comentários:

paunovic disse...

Great blog, excellent pictures

hfm disse...

Fiquei presa ao écran! Pela Linha de Cabotagem há várias referências ao local pois, quando em França, chego a fazer 200km para lá passar um dia. No ano passado estive lá outra vez como aqui podes ver a 1ª parte e logo em cima a 2ª

http://linhadecabotagem.blogspot.com/2006/10/notas-de-viagem-22-1-parte.html