sexta-feira, 20 de julho de 2007

A Nossa Música



Vi recentemente um dos últimos filmes de Jean-Luc Godard, "Notre Musique" (2004). Um belo filme feito com a clara intenção de nos fazer pensar a estranha propensão humana à guerra e à violência. Está dividido em três partes: o inferno, o purgatório e o paraíso. Grande parte do filme passa-se no purgatório, simbolizado pela cidade Sarajevo (ou Saraievo) após o final da guerra civil nos Balcãs. A parte do paraíso foi a que menos me convenceu (uma rapariga que voluntariamente se deixou morrer por amor à paz passeia-se num oásis natural guardado por marines americanos). Razão cínica ou incapacidade de imaginação? Talvez Godard visasse apenas denunciar estas duas vertentes do pensamento contemporâneo. O purgatório tem momentos estéticos bem interessantes, obtidos pelo cruzamento das palavras (textos de autores como Baudelaire e Lévinas), da música (de Arvo Pärt a Kurtag) e da própria montagem cinematográfica.

1 comentário:

pimpinela disse...

curiosíssimo, ainda hoje [há poucos minutos!] pensei no purgatório! o que é, o que significa, onde fica, se já não o habitamos neste instante. se não será pior do que o inferno e em como deve ser o maior dos três reinos. o justo meio é neste caso o mais injusto porque ainda não se fez justiça nenhuma. a falta de juízo é bem penosa... o exesso dele também. sempre me fez confusão que depois de rotulada a alma, o seu destino fosse a graça ou a desgraça eternas e tudo o que isso implica.
estas divisões e principalmente essa wasteland/terra média têm vindo a ser objecto de reflexão e de muita produção artística. muito intrigante de facto... ah e claro que verei o filme! .) e lerei mais sobre o/s assunto/s.
perdoe-se aqui o longo discurso e sirva ele ainda para agradecer a delícia dos posts e o alargamento dos horizontes .)