Como é habitual, fiquei muito feliz quando recebi em casa o último número da revista Classica Répertoire. Para lá da promessa habitual de receber toda a programação do canal Mezzo numa pequena revista suplementar, este número trazia um dossiê enorme sobre a vida e a carreira espantosa, mas trágica, de Maria Callas.
Mas rapidamente notei num pormenor... O "amigo do alheio" com uma faca delicada abriu o sobrescrito semi-transparente e retirou "calmamente" (deduzo...) o DVD, o CD e - imagine-se - a programação do canal Mezzo que vinham incluídos. Onde é que já se viu isto?
“Uma vida que fosse inevitavelmente significativa derrotar-se-ia a si mesma desde o começo. Entre o adulto que sabe que a criança não encontrará sentido (reason) no mundo e a criança que se recusa a deixar de o procurar reside a diferença entre resignação e humildade.” Susan Neiman, Evil in Modern Thought
"Este é o relato de como tudo estava suspenso, calmo e em silêncio; tudo imóvel, parado e toda a extensão do céu estava vazia. Este é o primeiro relato, a primeira narrativa. Não havia homens, animais, aves, peixes, caranguejos, árvores, pedras, grutas, ravinas, ervas nem florestas. A superfície da terra ainda não tinha aparecido. Havia apenas o mar calmo e a grande extensão do céu. Nada estava unido, nada fazia ruído, nada se movia ou tremia ou podia fazer barulho no céu. Nada estava de pé. Apenas as águas calmas, o mar plácido, sozinho e tranquilo. Nada existia. Havia apenas imobilidade e silêncio na escuridão, na noite. Apenas o Criador, juntamente com os Antepassados, estava na água rodeada de luz. Estavam escondidos sob plumas verdes e azuis, sendo, por isso, chamados de Gucumatz. Eram, por natureza, grandes sábios e grandes pensadores. O céu existia desta maneira e também o Coração do Céu, que é o nome de Deus, sendo assim que é chamado. Depois, surgiu o Verbo."
Em face do post anterior sobre Katharina Wagner e os "Mestres Cantores" decidi levar-vos a Bayreuth... Gostaria de visitar o auditório, mas só tem bilhetes para daqui a dez anos? Sempre teve curiosidade de ir lá, mas não está para estar sentado durante umas quatro horas em cadeiras um pouco desconfortáveis (não vá a sua atenção dispersar-se da obra)? Então siga as indicações do Expresso do Oriente e faça uma visita virtual, começando logo no palco... 1º vá ao site oficial clicando AQUI 2º Espere uns segundos 3º Do lado esquerdo, encontra a palavra Information. Clique nela 4º Em "Aktuelle Informationen" surge uma imagem à esquerda do seguinte texto: ""Betrachten Sie die Bühne in einer 360°-Rundumansicht" (numa tradução livre; "Observe o palco numa visão de 360 graus") 5º Clique na imagem e já está em palco... aproxime-se, afaste-se, olhe em todas as direcções! (as teclas Shift e Ctrl dão algum jeito). 6º Sinta-se uma valquíria e cante... (assim tem acompanhamento musical)
Katharina Wagner, a bisneta do compositor, vai ter a sua prova de fogo no próximo dia 25 de Julho, o dia da inauguração da nova edição do Festival de Bayreuth. Com efeito, o Festival vai abrir com uma nova produção dos "Mestres Cantores" (Die Meistersinger von Nürnberg) da responsabilidade de Katharina. Quem vai estar bem atenta a esta nova encenação é Nike Wagner - igualmente bisneta de Wagner e filha de Wieland Wagner. Nike Wagner é muito crítica da actual gestão de Bayreuth e nunca escondeu o desejo de revitalizar o Festival. O seu pai foi um dos génios da família Wagner, criador das mais belas encenações das obras wagnerianas. Veja-se, a título de exemplo, a pureza e a beleza das imagens seguintes: No caso de se sentir perdido no meio de tantos Wagners, nada melhor do que consultar a árvore genealógica desta família que marcou para o bem e para o mal muito da história da Alemanha. Clique na imagem para aumentar as suas dimensões.
Um dos filmes mais deprimentes que já vi, mas em que a ideia de esperança - identificada com fertilidade - nunca é abandonada. Filme do realizador mexicano Alfonso Cuarón, baseado num romance de P.D. James. Estamos em 2027 e há 18 anos que a espécie humana não conhece novos nascimentos. Em face da mais que provável extinção da espécie humana, tudo entra em colapso (a dada passo até se refere o colapso de Lisboa). O que é perturbador no filme é a proximidade do mundo que nos envolve com aquele que é registado no filme. Mundo da "Waste Land" (poema de Eliot citado pelo personagem interpretado por Michael Caine, "Jasper") em que um sinal de fertilidade, mesmo que vulnerável, é símbolo de uma infinita esperança.
Se tiver dificuldade em ver ou ouvir, clique AQUI Ária da Tosca de Puccini, E lucevan le stelle, interpretada por Pavarotti.
E lucevan le stelle, Mario Cavaradossi's aria from Tosca
E lucevan le stelle The stars were gleaming, ed olezzava la terra, The ground was fragrant... stridea l'uscio dell'orto, The creak of the garden gate, e un passo sfiorava la rena... light footsteps in the sand, Entrava ella, fragrante, the smell of her hair. She came Mi cadea fra le braccia... and fell into my arms.
Oh dolci baci, o languide carezze, Oh tender kisses, sweet caresses, Mentr'io fremente While, trembling, I beheld La belle forme discioglea dai veli! Her beautiful form freed of its gown.
Svani per sempre il sogno mio d'amore.. Gone forever is my dream of love. L'ora e' fuggita... Time has fled, and I die in despair! E muoio disperato! I die in despair, E non ho amato mai tanto la vita! But never have I loved life so much
Se tiver dificuldades em ver ou ouvir, clique AQUI. Uma das mais célebres árias de sempre. Texto em italiano, com uma tradução inglesa bem livre:
Un bel dì, vedremo levarsi un fil di fumo dall'estremo confin del mare. E poi la nave appare. Poi la nave bianca entra nel porto, romba il suo saluto. Vedi? È venuto! Io non gli scendo incontro. Io no. Mi metto là sul ciglio del colle e aspetto, e aspetto gran tempo e non mi pesa, la lunga attesa. E uscito dalla folla cittadina un uomo, un picciol punto s'avvia per la collina. Chi sarà? chi sarà? E come sarà giunto che dirà? che dirà? Chiamerà Butterfly dalla lontana. Io snza dar risposta me ne starò nascosta un po' per celia... e un po' per non morire al primo incontro, ed egli alquanto in pena chiamerà, chiamerà: iccina mogliettina olezzo di verbena, i nomi che mi dava al suo venire (a Suzuki) Tutto questo avverrà, te lo prometto. Tienti la tua paura, io consicura fede l'aspetto.
In the day I dream of, We first will see a tiny thread of smoke On the far horizon, And then his ship of splendor! As the flags are waving, Proudly it enters the harbor To the sound of cannon fire. Homeward comes my hero! I’ll not go down to greet him, no, no! I’ll wait here on the hill overlooking. Too excited, I’ll wait, Never mind how many hours, For he remembered. Emerging from the distant crowded city, No bigger than a needle, I see a man slowly climbing. Is it he? Is it he? And as he draws still closer, I can hear! I can hear As he cries, “Butterfly, My love, where are you?” Silent, I dare not answer, But stay a while in hiding, Though partly teasing, in part afraid To die of joy to see him. Uneasily he looks around and calls, “Butterfly! My Oriental blossom! My delicate verbena!” And other pretty names that I found so charming. It will happen exactly as I told you. So put aside your fears, For my own faith remains Unshaken!
Clique na imagem para aumentar as suas dimensões. Fotografia de James P. Nelson (2007) para a National Geographic. Gruta na zona de Guangxi Zhuangzu na China.
Clique na imagem para aumentar as suas dimensões. O último filme de Mel Gibson, Apocalypto é um bom filme, com excelentes momentos de realização cinematográfica. Mel Gibson ainda não se libertou de um imaginário de uma violência extrema - bem visível no filme sobre a Paixão de Cristo -, mas talvez através desta cartarse pessoal fílmica consiga, algum dia, libertar-se desta complacência estética no sangue e na dor. Ora os Maias, apesar dos seus rituais de uma violência indescritível (nalguns casos bem piores do que aqueles que surgem no filme), construíram uma grande civilização que atingiu o seu auge no século IX na zona compreendida entre o Sul do México e a Gautemala. Apesar da qualidade do filme, as vertentes científicas e artísticas da civilização Maia são desprezadas, assim como o seu prodigioso sistema mitológico. Mas há - reconheça-se - um belo momento no filme em que é narrado um mito, aqui reproduzido na sua versão inglesa:
"And a Man sat alone, drenched deep in sadness. And all the animals drew near to him and said, "We do not like to see you so sad. Ask us for whatever you wish and you shall have it." The Man said, "I want to have good sight." The vulture replied, "You shall have mine." The Man said, "I want to be strong." The jaguar said, "You shall be strong like me." Then the Man said, "I long to know the secrets of the earth." The serpent replied, "I will show them to you." And so it went with all the animals. And when the Man had all the gifts that they could give, he left. Then the owl said to the other animals, "Now the Man knows much, he'll be able to do many things. Suddenly I am afraid." The deer said, "The Man has all that he needs. Now his sadness will stop." But the owl replied, "No. I saw a hole in the Man, deep like a hunger he will never fill. It is what makes him sad and what makes him want. He will go on taking and taking, until one day the World will say, 'I am no more and I have nothing left to give.'"
É um mito extraordinário; vou tentar confirmar a sua origem Maia ou ameríndia. Brevemente voltarei aos Maias e aos seus mitos maravilhosos.
Quando fiz uma referência ao excelente filme "O Fiel Jardineiro", o Yoda (que anda tão silencioso como o seu blog Noisexperimental) fez uma comparação com o filme "Tsotsi". É uma obra inesquecível sobre a realidade da África do Sul nos nossos dias. O enredo é simples: um jovem gangster (tsotsi), depois de ferir gravemente uma mulher, rouba o carro desta onde se encontra um bebé. A sua primeira tentação foi livrar-se dele... mas não é capaz. Começa a cuidar dele e o amor que sente por aquela criança vulnerável e indefesa, altera radicalmente a sua personalidade. No final, decide - mesmo correndo um risco de morte - devolver o bebé à sua mãe. Sem ser kitsch - aliás não será o melhor postal de visita à Africa do Sul - é uma história cheia de amor e de coragem. A não perder...
Apesar de não ser um filme genial, trata-se de uma obra cinematográfica interessante. Um filme, já em DVD, para todos aqueles que gostam do cinema como narrativa. Bons actores, entre eles Edward Norton que tem um dos trabalhos mais difíceis da sua vida. E a razão é simples: ele tem que representar a figura de um ilusionista necessariamente distante e frio, detentor de poderes raros, quase sobrenaturais, ao mesmo tempo que sabemos que ele está profundamente apaixonado. Frieza e paixão não jogam bem no imaginário cinematográfico. Como já é habitual, nestes filmes encantadores sobre a Viena antiga, os símbolos "eternos" de Sissi, da tragédia de Mayerling, da morte enigmática da amante do Príncipe Rudolph, entre tantos outros, regressam em força. E estranhamante o filme baseia-se em factos reais que são entrelaçados com estes eternos arquétipos do ocaso do antigo Império autro-húngaro.
O excelente blog Kitschnet desafiou-me a indicar os cinco últimos livros que li recentemente e cujo destino foi a estante (e nalguns casos a memória; indico nas etiquetas aqueles que considerei excelentes). E aqui vai a lista: 1. Felipe Fernández-Armesto, Ideas that changed the world 2. Mark Epstein, Open to Desire. The Truth about what the Buddha taught 3. Steve Sleight, Aprenda Vela com um DVD de treino ao vivo 4. Tony Allan et al., Voices of the Ancestors. African Myth 5. Richard Leakey, The Origin of Humankind
Fiquei a saber pela TSF que o actual Presidente da Câmara de Sintra propõe a ideia de Portela+2 como solução para o novo aeroporto de Lisboa. Tenho uma solução diferente: Portela+1+2+3+4+...(n+1). Assim todo o território continental se transformaria num aeroporto internacional e todos os problemas estavam resolvidos. Passaríamos a viver no novo aeroporto (como no filme The Terminal Man), deixávamos de ter problemas de trânsito para apanhar o avião, acabavam as horas de espera e a Portela realizava aquilo que era na minha infância: um local para ver a descolagem e a aterragem dos aviões. Bastaria olhar pela janela da nossa nova habitação...
In C ou Em Dó, a peça revolucionária de Terry Riley criada em 1964 na Califórnia. É mil vezes mais fácil apreciar esta música tocando-a do que ouvindo-a. A melhor atitude é sentir a vertente hipnótica desta música que nos anos 60 mudou a música.
Se não conseguir ver ou ouvir, clique AQUI. Ainda a propósito do post anterior, encontrei este vídeo do YouTube no anúncio da Apple ao iPhone. Agora que estou a pensar fazer uma dieta corajosa, nada melhor do que seguir os bons exemplos...
Só hoje é que tive tempo de ir ver o actual concurso sobre as maravilhas do mundo. Estou muito hesitante sobre esta questão... para já, pergunto-me se é uma boa ideia. Em torno da noção das sete maravilhas do mundo encontra-se o respeito pela Antiguidade e pelo passado histórico da humanidade. Em segundo lugar, não sei em que hei-de votar... aceitam-se sugestões. Mas foi uma grata surpresa encontrar lá como hipótese a arquitectura de Tombuctu (ou Timbuktu) do reino medieval de Mali.
Embora o meu apreço pelas ideias de Rorty se deva mais ao seu amor aos pássaros e à literatura do que às suas teses filosóficas, é inegável - e não apenas porque morreu...- que este filósofo norte-americano foi um dos grandes pensadores contemporâneos. Graças ao "newsgroup" português Hermes, soube que a revista Slate tinha publicado um dossiê sobre Rorty, no qual a importância deste filósofo é sublinhada por nomes tão diferentes como Brian Eno, Habermas ou Nussbaum. Gostei especialmente de uma afirmação de Dennett: "Quine saw philosophy as continuous with science, and Rorty saw philosophy as continuous with art. I think they were both right." Pode ler o dossiê AQUI.
Se tiver dificuldades em ver ou ouvir, clique AQUI. Interpretação de Miles Davies do Concerto de Aranjuez (Joaquín Rodrigo). Jazz em terras de Espanha. "That melody is so strong that the softer you play it, the stronger it gets, and the stronger you play it, the weaker it gets" (Miles Davies)
Me and You and Everyone We Know de Miranda July, nada melhor do que ter acesso ao script. Clique AQUI. Já agora, clique também na imagem para aumentar as suas dimensões e leia a seguinte passagem (quase no começo do filme):
"And in the dark of the night, and it does get dark... when I call a name— When I call a name. It'll be your name. What's your name? Never mind. Let's go. Say it. Let's go. Everywhere. Everywhere. Even though— Even though— We're scared. We're scared. 'Cause it's life— It's life. And it's happening. It's really, really happening... right now. All right. Now let's kiss to make it real, okay? Okay."
Clique AQUI. Já alguma vez se sentiu perdido com a história do Médio Oriente? Quer esclarecer as suas dúvidas médio-orientais? Então clique AQUI, depois em play e em 90 segundos obterá respostas. Post só possível graças ao blog A Irmandade do Macaco!
"The Conquest of the Air" (1938/39), pintura de Roland Penrose (1900-1984). Este quadro do pintor surrealista inglês Roland Penrose é, segundo o historiador britânico, de origem espanhola, Felipe Fernández-Armesto, uma das obras seminais da cultura contemporânea. Todos nós nos lembramos das conhecidas palavras de Hegel ("Prefácio" às Lições de Filosofia do Direito), segundo as quais a coruja de Minerva só levanta voo ao crepúsculo. É uma declaração, em si mesma, trágica porque significa que a sabedoria, isto é, a filosofia, surge sempre na vida das pessoas demasiado tarde. Com efeito, Minerva era a deusa romana da sabedoria. Mas a obra de Roland Penrose ainda é mais inquietante. A sabedoria é transformada numa pulsão predatória, aprisionada no cérebro de cada um de nós. Podem ver com maior pormenor a coruja de Penrose se clicarem na imagem seguinte para aumentar as suas dimensões.
Falei recentemente sobre o reino de Lalibela na Etiópia e das suas maravilhosas igrejas cristãs. Hoje gostaria de referir um outro grande reino em África: o Império de Mali. Este reino está inegavelmente associado à figura excepcional desse rei negro chamado Mansa Mussa (ou Musa/Moussa; já agora, Musa é o nome islâmico para Moisés). Era um fervoroso devoto islâmico que construiu um Império magnífico, dotado de belas mesquitas e de uma Universidade (Sankore, situada em Tombuctu). Esta cidade, Tombuctu (também designada por Timbuktu) é um dos grandes patrimónios mundiais que corre, no entanto, o risco de desaparecer; como é sabido, o deserto do Saara está a crescer vertiginosamente, podendo, a qualquer momento, engolir esse ponto de referência da história da humanidade. Em 1324, quando a Europa atravessava uma das maiores crises históricas, Mansa Mussa, como bom muçulmano, realizou a sua peregrinação (hajj) a Meca. A sua caravana levava consigo 20 toneladas de ouro para distribuir entre os pobres! No Cairo, árabes e comerciantes europeus ficaram estupefactos com a riqueza exibida. Como consequência, o ouro desvalorizou-se brutalmente nos mercados e a inflação tornou-se galopante. A generosidade de Mansa Mussa provocava uma das primeiras "crises financeiras" registadas. Mas a África negra, na era medieval, ainda tem mais surpresas para nos dar...
Grande controvérsia no seio da paleontologia sobre os dinossauros. Será que a hipótese dos dinossauros serem os antepassados das aves está errada? Pelo menos é o que diz este estudo bem controverso, citado pela National Geographic. Espero que não se confirme, pois já me tinha habituado a olhar com ternura para um pardal e pensar: no passado já foste um Tyrannosauros rex, mais conhecido por T.Rex...
Clique nas imagens para aumentar as suas dimensões. Segundo notícia recente - clique AQUI, - um cientista alemão e um português discordam sobre o futuro climático da Ibéria (e, em particular, de Portugal). Assim, parece que estamos condenados entre dois destinos: ventos e chuvas copiosas em forma de furacões ou, então, o deserto...
Julia Margaret Cameron (1815-1879) é considerada um dos grandes nomes da história da fotografia. Esta fotógrafa britânica, natural de Calcutá, só se iniciou na sua arte com 48 anos, quando a sua filha lhe ofereceu uma máquina fotográfica. Retratou como ninguém a época Vitoriana, como é o caso desta fotografia de Julia Jackson, também conhecida por Julia Duckworth ou Julia Stephen. Com efeito, Julia Jackson casou com Leslie Stephen, tendo sido a mãe de Virginia Stephen (ou, se preferirem, de Virginia Woolf, a escritora). Julia M. Cameron era muita vezes criticada pela falta de rigor técnico - acsuavam-na de não saber focar... - mas o consenso era unânime sobre o seu génio estético e psicológico.
Clique na imagem (fotografia de Colbert) para aumentar as suas dimensões. Não fique indiferente! Combata o tráfico do marfim que circula na eBay. Para esse efeito, clique AQUI.
A meu ver, o excelente filme de Alejandro González Iñárritu, Babel (2006), não é tanto sobre a nova torre de Babel das culturas contemporâneas, evento sucedâneo à Babel linguística que nos persegue miticamente desde o evento bíblico, mas, antes, sobre a solidão e a incomunicabilidade das pessoas. O filme retoma a noção clássica da falta trágica, o acto negligente que provoca em cadeia uma série de efeitos nefastos não só sobre si, mas também sobre os outros. Mas, para mim, o mais importante é antes esse sentimento de hopeless, de desespero, no qual as principais personagens deste filme mergulham sem encontrarem qualquer saída.
O "rapaz de Turkana", talvez não tão conhecido com Lucy, mas não menos importante, foi descoberto por Kamoya Kimeu, no âmbito de uma expedição de Richard Leakey, o filho dos célebres antropólogos e arqueólogos Louis e Mary Leakey. O rapaz de Turkana (Quénia) é o primeiro esqueleto praticamente completo, alguma vez descoberto, do género Homo. Actualmente classificado como Homo ergaster, julga-se que está na origem (se não é mesmo uma variante) do Homo erectus. Corresponde a um rapaz dos 9 aos 12 anos, com uma constituição bem robusta - já com um 1,60m de altura - e cujo esqueleto tem uma datação aproximada de 1 milhão e 500 mil anos. O Homo Erectus vai espalhar-se pela Europa e pela Ásia, mas acabará por se extinguir. Provavelmente deu origem a vários tipos diferenciados de "Homo", entre eles o Homo sapiens (com cerca de 150.000 anos), o seu único sobreviente actual que se espalhou por todo o mundo e que ainda hoje por cá anda como todos muito bem sabem...
«Não é todos os dias que têm necessidade de nós. Outros seriam tão ou melhores do que nós. O apelo que escutámos dirige-se à humanidade inteira. Mas neste local, neste momento, a humanidade somos nós quer isso nos agrade ou não» (Esperando Godot, II Acto). "Onde é que eu iria se pudesse ir? Quem é que eu seria se pudesse ser? O que é que eu diria se tivesse uma voz? Quem fala assim e se diz eu? (Textos para Nada)
Clique na imagem para aumentar as suas dimensões. Já com alguns anos (2004), este filme de Miranda July - que também interpreta o papel principal - é um símbolo de ternura que constrata com a visão cada mais paranóica do mundo em que vivemos. É um filme (comédia-drama) sobre a solidão, mas também sobre o amor. Ar fresco e puro, em que a inocência é um valor mais importante do que a nossa habitual autocomplacência no sofrimento!
Clique na imagem para aumentar as suas dimensões. Linus seria certamente o personagem preferido de D.W. Winnicott da série "Charlie Brown", desenhada e escrita por Charles M. Schulz.
D.W. Winnicott, o célebre psicanalista inglês, criador do conceito crucial de "good-enough mother", para quem "it is a joy to be hidden, but disaster not to be found". Sem ele, dificilmente compreenderíamos o papel central dos "objectos de transição" no desenvolvimento de nós próprios, ultrapassando a cisão entre a "crença omnipotente" do sujeito e a "descrença" da realidade objectiva.
Um dos aspectos interessantes dos filmes de James Bond - o agente 007 de Sua Majestade - é que reflectem voluntária ou involuntariamente a época em que foram feitos. Daniel Craig até pode ser um óptimo 007, mas fico atónito com as afirmações correntes segundo as quais de todos os "Bonds" ele é o "actor" por excelência, só comparável a Sean Connery. O que vi foi a transmutação do 007 numa nova variante (humana) de "Terminator".
Associado a este filme estão as inquietantes esculturas de Gunther von Hagens
a beleza rara de Eva Green
e as maravilhosas paisagens do Lago Como e da Villa Balbianello em Itália.
Mas acredito que as minhas reservas ao filme (Casino Royale, 2006) possam ser apenas derivadas do inevitável "factor geracional"...
Este seixo foi descoberto por Wilfred I. Eizman, em 1925, no vale de Makapan, na zona de Limpopo na África do Sul. Esta pedra não foi talhada por ninguém, mas derivou da acção de elementos naturais. O que é notável é ter sido descoberta numa zona associada ao(s) Australopithecus africanus (pós-Lucy). Assim sendo, tal significa que foi transportada do seu hipotético local de origem, situado a 5km , por um hominídeo que encontrou nela certamente algum encanto estético. E tudo isto aconteceu há 3 milhões de anos... Este primeiro objecto de arte conhecido é habitualmente designado como o "seixo de Makapansgat".